Resenha: Terra de Ninguém (2001)

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Terra de Ninguém

Por Daniela Ferreira
Acadêmica de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina

Terra de Ninguém, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2002, conta a história de dois soldados presos pelas circunstâncias na trincheira central entre duas frentes inimigas, durante a guerra entre Sérvia e Bósnia na década de 90. Detalhe: cada um pertence a um dos exércitos. Ironicamente, não podem sair de onde estão sem serem almejados por algum dos fronts. Entre certo grau de tolerância e a desconfiança mútua, ambos lutam pela sobrevivência.

O diretor Danis Tanovic conta que seu choque ao ver Sarajevo por primeira vez bombardeada serviu de inspiração para o filme. “Pense em uma foto em branco e negro sobre um quadro de Van Gogh e você entenderá como me senti ao ver a cidade. Essa falta de harmonia me marcou e quis transpor para a película.” Em Terra de Ninguém, as ações de guerra, insanas e mesquinhas, transcorrem em um lindo dia de sol, em meio ao verde de um gramado cercado por um bosque. O diretor brinca com os contrastes; os momentos de tensão ou de ataque são repentinos e bruscos, não há suspense ou preparação para o que está por vir. Os soldados que representam cada um dos lados do conflito estão igualmente afetados pelo confronto, não há mocinhos ou bandidos, eles poderiam ser trocados de lado sem isso mudasse alguma coisa. Com isso, o diretor logra demonstrar a falta de sentido da guerra.

Com uma estratégia um tanto divertida, os dois personagens conseguem chamar a atenção das frentes sérvia e bósnia, que percebem a situação dos dois soldados inimigos encurralados. Sem saber como agir, entram em contato com representantes da Organização das Nações Unidas para que a força humanitária tome alguma providência. É com grande ironia e espírito crítico que a ONU é retratada no filme: inoperante e passiva diante da tragédia, a princípio não tem nenhuma intenção de envolver-se no problema. Apenas um sargento francês, que serve à organização, parece insurgir-se contra o estado das coisas e procura interferir no impasse da trincheira, mas sem muito sucesso. Até que um componente decisivo intervém: a imprensa. Uma repórter inglesa consegue informações exclusivas monitorando a frequência de rádio da ONU e faz uma transmissão ao vivo que irá forçar o representante local das Nações Unidas a tomar algum tipo de providência.

É interessante a forma com que o roteiro aborda questões dramáticas com humor, refletindo sobre a situação de maneira tragicômica. A fina ironia não poupa ninguém: desde os militares envolvidos no conflito até seus superiores; a atitude da repórter e o tom sensacionalista adotado pela rede de TV para a qual ela trabalha; a ONU, com seus soldados que falam francês e não conseguem se comunicar com quase ninguém no campo de batalha; a atitude agressiva e impulsiva da jornalista na busca por uma grande reportagem mas que não a impede de perder o grande furo…. Terra de Ninguém mostra-se uma produção competente, com excelente roteiro, e que nos leva a questionar a validade de qualquer tipo de guerra.

FICHA TÉCNICA

Título original: No Man’s Land
Gênero:
Drama
Produção:
Bósnia, Eslovênia, Itália, França, Reino Unido e Bélgica.
Duração:
98 min (colorido)
Direção, Roteiro e Música:
Danis Tanovic
Elenco:
Branko Djuric, René Bitorajac, Filip Sovagovic, Simon Callow, Katrin Cartlidge, entre outros.
Fotografia:
Walther Vanden Ende

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One thought on “Resenha: Terra de Ninguém (2001)

    jakson said:
    30 de agosto de 2012 às 16:30

    muito ruin para mim não achei o q eu queria

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