Pesquisas do objETHOS: Jornalismo, conhecimento e interatividade

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A mestranda Vanessa Hauser, orientada pelo professor Francisco José Karam, apresenta de forma sintética a pesquisa que desenvolve no PosJor:

Provisoriamente intitulada “Jornalismo e conhecimento: um estudo a partir da interatividade e das novas tecnologias de comunicação”, a pesquisa tem como objetivo analisar a contribuição da interatividade para a compreensão do jornalismo enquanto forma de produção social de conhecimento. Leva em conta, neste sentido, o impacto das novas tecnologias de comunicação e as possibilidades de interação oriundas dos jornais virtuais que abrem espaço para os comentários dos ‘leitores’. O trabalho está inserido na linha de pesquisa Fundamentos do Jornalismo.

O estudo irá considerar, por isso, o percurso teórico construído até então sobre as relações entre jornalismo e conhecimento, o que abrange as contribuições de Robert Park, Adelmo Genro Filho, Van Dijk, Eduardo Medistch, entre outros. No entanto, partimos da idéia de que um objeto de estudo centrado nas relações entre jornalismo e conhecimento, precisa ser construído a partir de uma abordagem que leve em conta as mudanças trazidas pelas novas tecnologias de comunicação. Mudanças estas marcadas, especialmente, pelas possibilidades de participação e interação entre jornalistas e sociedade.

Lévy (1998) defende, nesta direção, que este novo território no qual passamos a estar inseridos a partir do surgimento da internet – o ciberespaço – ainda é relativamente novo e indefinido. Mas é, acima de tudo, mais livre e dinâmico. É um espaço com relação ao qual a humanidade pode pensar coletivamente, influenciando, ao mesmo tempo, tal aventura. O autor também compreende o ciberespaço como uma oportunidade única da humanidade em se conectar para além dos limites geográficos e culturais, promovendo assim, o que chamou de inteligência coletiva. É neste contexto de possibilidades que está inserido o jornalismo virtual e ainda, a possibilidade de realização de um projeto democrático. Mas isso, conforme lembra Dominique Wolton, tem muito menos a ver com o avanço tecnológico do que com a construção de um projeto social para a comunicação, para o jornalismo.

Kucinski (2005) classifica a internet como um novo espaço público se dá a partir da idéia de que no ciberespaço as relações comunicacionais se invertem, ou seja, abandonam a estrutura vertical e passam a ocorrer de modo horizontal. Desse modo, enquanto as formas tradicionais de difusão da comunicação realizam o movimento um para todos, na internet, as possibilidades de interação entre os sujeitos ampliam-se, ocorrendo na forma todos para todos.

Para entender o jornalismo como forma de produção de conhecimento a partir da interação realizada no ciberespaço também se faz necessário um estudo sobre o problema do conhecimento e sobre os limites a partir do qual podemos estabelecer esta relação. Parece, a primeira vista, que o pensamento dialético oferece pistas interessantes. Este paradigma nos leva a compreender o conhecimento como algo que nunca está pronto ou definitivamente acabado, mas em constante processo de construção, a partir do conflito entre diferentes posições e do pensamento crítico. Para o pensamento dialético, o ser que conhece é antes de tudo um ser voltado a práxis. É neste sentido que também podemos arriscar a compreender o jornalismo como uma conexão, uma construção simbólica que aproxima os grandes saberes da vida prática e cotidiana dos sujeitos, tornando-os objeto de debate público e retirando a ciência de plano quase “esotérico”, como observou Eduardo Meditsch.

Como, então, podemos compreender o jornalismo como uma forma de produção social de conhecimento, levando em conta este novo contexto no qual é praticado, ou seja, o contexto digital? Neste espaço recente, marcado pela interação e pela crescente participação de diferentes atores sociais, assistimos a um avanço da democracia e a um processo de construção coletiva do conhecimento mediado pelo jornalismo?Estas são, em síntese, as grandes inquietações deste trabalho, que será realizado com vistas a dar uma contribuição possível ao problema das relações entre jornalismo e conhecimento na atualidade.

 

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