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Comentário da semana: Quando o “se” vira notícia e manchete
Samuel Lima
Docente da FAC/UnB, professor-visitante na UFSC e pesquisador do objETHOS
A revista Época reinventou o conceito de notícia em sua edição de 22 de abril de 2013: “E se fosse na Copa?”, indaga a manchete da publicação, sob a cartola em vermelho “Terror na maratona de Boston”.
Mais que um exercício de futurologia ou mera abstração de pitonisa aposentada, a revista da Editora Globo parece adotar o conceito de notícia adaptado de outro saber clássico da profissão pela jornalista Júnia Nogueira de Sá (ex-ombudsman da Folha de S. Paulo) que escreveu:
Se um cachorro morde um homem, isso não é notícia. Se o homem morde o cachorro, também não é notícia. Se o homem estivesse pagando ao cachorro por seus favores sexuais, aí sim seria notícia. Mas não seria uma notícia de primeira página. Para ser manchete, o cachorro teria de ser menor de idade e o homem deveria ter um cargo importante no governo.
No “Abre” da matéria que supostamente sustentaria a indagação de capa, um longo e doloroso “nariz de cera”, como é chamado o lide desprovido de informação, baseado no palavrório desconexo, o popular “enrolation”, a começar pela genial definição: “O que diferencia o terrorismo do simples homicídio está no nome. Seu objetivo é aterrorizar. Nos os mortos (sic), cujas vidas são interrompidas sem que eles saibam o motivo”. A reportagem no miolo aparece sob o título “Pode acontecer aqui?”, aprofundando a especulação sobre o território da não-notícia, ou seja, um mix de relato inexistente, acrescido de análise e interpretação sobre o futuro – que pode abrigar um sem número de eventos, inclusive o fim do mundo.
Como o foco é bater na tecla de que o governo Dilma Rousseff estaria despreparado para um ato terrorista nas Copas das Confederações e no Mundial de futebol passa a valer literalmente tudo. O texto pergunta e responde, ato contínuo: “O Brasil pode ser escolhido por algum grupo armado como palco de um ataque? Sim”. E ato contínuo emplaca outra pergunta aos próprios repórteres que assinam a anti-reportagem: “O país pode garantir que um atentado, caso planejado, não aconteça?”. A pergunta, mera retórica, a rigor, tem óbvia resposta mesmo no país mais desenvolvido, tecnológica e militarmente do planeta, os Estados Unidos, que foram vítimas de um novo atentado, o primeiro depois dos trágicos (e nunca explicados) acontecimentos de 11 de setembro de 2001, em Nova York.
A colunista Maureen Dowd, do jornal The New York Times, analisa o trabalho da mídia nos trágicos acontecimentos recentes e afirma categórica: “A cobertura em Boston foi um tsunami de informação inútil e desconexa” (O Estado de S. Paulo, 26/04/13, p. A10). Para Dowd, “aqueles momentos de terror encontraram o ecossistema da informação num estado estranho e instável”. Para o jornalista James Gleick, ouvido por Dowd, a cobertura ao vivo das emissoras de rádio e TV se mostrou inócua e, no limite, falida:
Na perseguição em Boston, jamais me ocorreu ligar a TV. A tela que eu precisava era do meu iPhone A internet é desordenada, pontilhista, ruidosa e erra com frequência. Mas se você tem uma necessidade visceral da notícia instantânea, a TV não consegue competir com ela. Os repórteres informando em tempo real na TV são um contrassenso: você não consegue coletar a notícia e apresentá-la ao mesmo tempo.
Ao contrário desses veículos eletrônicos que são tensionados pelo “tsunami de informação inútil e desconexa”, uma revista semanal como Época deveria primar pela qualidade, consistência e equilíbrio de suas reportagens. Especular e fazer ilações sobre o futuro é irrelevante e inútil, do ponto de vista do interesse público. Há clara distância entre esse tipo de “jornalismo” e a boa onda de conhecimento e esclarecimento que a instituição imprensa deve à sociedade, como sua missão-mor.
O jornalista e pesquisador Victor Gentilli observa que há “uma relação irrevogável entre jornalismo e esclarecimento”. E faz um apontamento fundamental:
O homem emancipado só pode tomar suas decisões e participar das escolhas política se devidamente esclarecido. E, se, nas sociedades contemporâneas, quem produz esse esclarecimento é o jornalismo, esse modelo será a referência fundamental sobre a qual se assentarão as atividades de crítica de mídia.
A despeito de ausência absoluta de atentados terroristas por organizações tipificadas como tal pelas forças de segurança aqui e alhures, a reportagem de Época (ed. 22/04/13) segue ponteando velha “canção”, como arauto das oposições ao atual governo federal: “Muitas coisas (quais?) nos preparativos da Copa como da Olimpíada, já não deram certo – de obras atrasadas (outra vez sem citar quais?) e projetos cancelados (o leitor não fica sabendo quais?). A diferença, quando o tema é segurança, é que essa possibilidade não existe. Se algo der errado, o custo pode ser a perda de vidas – e a propagação do medo”, vaticina grave.
Como uma recomendação de relatório de consultoria especializada, e supostamente amparado em fatos concretos, a reportagem termina patética, clamando: “O Brasil precisa fazer de tudo para garantir a vitória do esporte e da celebração sobre o terrorismo”
A prática do “jornalismo de ilações e invenções”, não fundamentado em fatos, mas em especulações, tem sido objeto de crítica qualificada nos observatórios de mídia brasileiros. Ou como analisa Renato Rovai: “Essa modalidade de jornalismo vem sendo realizada por setores da mídia tradicional comercial brasileira. É um tipo de jornalismo que não exige jornalismo. Bastam suspeitas e alguns fatos que se encadeiem. E, claro, uma tese a ser defendida, por mais absurda que seja”. Os repórteres de Época podem entrar para a história do jornalismo mundial ao inventar a notícia na qual o “se” acabou virando manchete – e reportagem de capa.
Comentário da semana: Erros ainda assombram as redações
Rogério Christofoletti
Professor da UFSC e pesquisador do objETHOS
O erro é um fantasma que ronda qualquer atividade. A frase é bonita, mas não resolve nada. O fato é que um erro nunca vem sozinho e não só afeta o seu autor. O pior é justamente isso: a cadeia em que ele está inserido e o estrago que provoca no seu entorno. Em alguns planos da vida social, há uma verdadeira histeria sobre o tema: os erros são monitorados, obcecadamente estudados e quando acontecem (de forma quase inevitável), seus efeitos formam ondas avassaladoras de responsabilidade. A medicina e as engenharias se destacam nessa diração, mas também cometem lá seus deslizes. O jornalismo – uma atividade quase tão influente na vida contemporânea – ainda deixa muito a desejar.
O exemplo mais recente foi a avalanche de erros cometidos na cobertura das explosões na Maratona de Boston. O blog ChatGirl fez um resumo das derrapadas da mídia norte-americana, chamando a atenção de alguns meios, que se apressaram nas desculpas. O colunista Jack Shafer, que cobre mídia e política para o site da Reuters, dedicou um de seus textos na semana passada sobre as consequências dos erros nas redações e de como a audiência (antes considerada apática e passiva) está contribuindo para reescrever esse rascunho da história que é o jornalismo.
Na semana passada também, o News: Rewired, evento britânico que reuniu profissionais e especialistas, listou cinco padrões que devem elevar o nível ético do jornalismo online. Participaram do painel os representantes do Channel 4, do jornal The Guardian, da revista The Economist e do site The Next Web, e o consenso aponta para mudanças não tão radicais para os jornalistas, mas fundamentais para a manutenção de um nível de qualidade indispensável para os meios.
Primeiro, a precisão deve estar acima da velocidade. Embora estejamos vivendo numa época vertiginosamente acelerada, o jornalismo não pode renunciar a um valor de base como a precisão para atender mal e apressadamente o seu público.
Segundo, é cada vez mais importante que os meios sejam transparentes. Em termos práticos, isso significa que os meios precisam atribuir de forma clara as informações que foram primeiramente veiculadas por algum eventual concorrente. Ou ainda dar as referências e fontes consultadas. Tudo de uma maneira que sinalize ao público de onde vêm os dados, como eles foram tratados e como aquilo foi embalado e entregue. É uma questão de honestidade, de franqueza, de abertura.
O terceiro aspecto levantado pelos britânicos diz respeito a agregar valor ao conteúdo noticiado. Na web, não basta apenas reproduzir as informações colhidas aqui e ali, sendo necessário dar seus contextos e oferecer camadas adicionais de aprofundamento. O noticiário não pode ficar num nível superficial de bloguismo ou se limitar a um conjunto de tweets.
O quatro padrão do News: Rewired enaltece uma preocupação de dez em dez editores online: como lidar com os abusos nos fóruns ou tópicos de comentários nos sites? Lidar com os trolls é uma tarefa que consome, cada vez mais, tempo e energia dos meios online. Uma medida imediata tem sido abolir a possibilidade de o usuário postar suas opiniões, o que não é a melhor medida, já que impede a interação com o público e soa como censura no diálogo. De fácil operacionalidade, a medida é muito impopular, pois é amplamente punitiva e desperdiça os bons conteúdos deixados na área interativa. Entre os especialistas britânicos, as opiniões se dividem. Sean Ingle, da Channel 4, adverte para “não alimentar os trolls”, isto é, diante do abuso de um comentador, não se deve cair na tentação de responder de forma ríspida ou ofensiva, desarmando assim os espíritos provocadores. Martin Bryant, do The Next Web, opina que é preciso estimular os comentadores a usarem seus nomes reais, de forma a reduzir o espaço do anonimato e constranger algum conteúdo mais explosivo. O editor digital da The Economist, Tom Standage, lembra ainda que é preciso intervir nos fóruns, demonstrando aos usuários que os diálogos estão sendo acompanhados e que é preciso manter alguma compostura por parte dos usuários.
O quinto padrão apontado pelos britânicos trata diretamente do tema que nos afeta: os erros jornalísticos. A concordância geral é de que é preciso sim fazer correções quando alguma informação saiu incorreta ou imprecisa, e que em casos mais graves, é necessário ir além: reconhecer o erro e pedir desculpas de forma clara. Nos meios online, uma prática corrente é o apagamento dos tweets que veiculam a informação equivocada, como se fosse possível apagar o rastro do deslize. Os editores britânicos reconhecem que isso acontece, mas que não é a melhor prática. Publicar um novo tweet com uma atualização ou correção não só contribui para corrigir o rumo do noticiário, mas também sinaliza para o público uma dimensão humana que alguns meios de comunicação simplesmente esqueceram.
O erro no jornalismo, relegado a segundo plano, é um assunto de natureza técnica e ética. Não nos esqueçamos também disso.
Simpósio de Pesquisa Avançada em Jornalismo pela web
O Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC vai transmitir, pela internet, os principais momentos do 3º Simpósio de Pesquisa Avançada em Jornalismo.
O evento reúne os representantes da Comunicação na Capes e CNPq, dirigentes da SBPJor, Compós e Intercom, e pesquisadores dos programas de pós-graduação em Comunicação da UFPR, UTP, UEL, UEPG, UFSC, Unisinos, UFRGS, PUC-RS e UFSM.
Gratuito, o Simpósio acontece nesta quinta e sexta-feira no Auditório Henrique da Silva Fontes, no Centro de Comunicação e Expressão da UFSC, em Florianópolis. Patrocínio: Fapesc. Apoio: Associação Catarinense de Imprensa e Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina.
Para acompanhar e enviar perguntas ou comentários, acesse aqui.
Para assistir ao vivo em vídeo, acesse: http://www.videoconferencia.cce.ufsc.br
Comentário da semana: Erros revelam falta de habilidade com leitor
Lívia de Souza Vieira
Mestranda no POSJOR/UFSC e pesquisadora do objETHOS
Não é fácil para um veículo jornalístico admitir seus erros. Se nas páginas dos jornais impressos eles historicamente ocupam um espaço restrito – isso quando ocupam – na internet a situação tem se mostrado ainda mais preocupante do ponto de vista da ética jornalística.
Antes de analisar alguns exemplos que justificam a afirmação acima, vale a pena recorrer ao que disse Ricardo Noblat em sua conhecida obra “A arte de fazer um jornal diário”: o erro é matéria de interesse público. Ele ainda destaca que “por orgulho, soberba, vaidade ou ignorância, jornais e jornalistas procuram fazer de conta que só acertam. E, quando são pilhados em erro, custa-lhes admitir que erraram. Os jornalistas temem ser punidos por seus chefes. Os jornais temem perder leitores” (NOBLAT, 2002: 40).
Informar o leitor sobre o erro cometido pode ser simples, principalmente nos ambientes digitais. A internet é dinâmica por natureza e não há necessidade de esperar até a edição do dia seguinte para publicar uma errata ou para um pedido de desculpas.
Quando falamos especificamente de redes sociais parece ser ainda mais dinâmico, já que há informalidade e o tom típico do meio é o de conversa com o leitor. Apesar disso, o que vemos é uma impressionante falta de habilidade dos webjornais na admissão de erros em seus perfis no Facebook e Twitter. Fiquemos com três exemplos.
No dia 31 de agosto de 2012, o Estadão publicou em seu perfil no Twitter: “Corinthians completa 102 anos hoje. Parabéns!”. Um tweet claro, direto e informal, não fosse um detalhe: o aniversário do time de futebol seria no dia seguinte (sábado). Um pequeno erro – que para um corinthiano não foi tão pequeno assim, gerou muita repercussão e nenhuma retificação por parte do veículo. Diversos leitores avisaram claramente ao Estadão que tratava-se de um erro. Além disso, entre os 60 RTs (retweets) estava o do perfil do Jornal Hoje, que contribuiu ainda mais para a multiplicação do erro. Nesse caso, bastaria a publicação de um tweet com pedido de desculpas e link para a matéria com a data correta.
Outro erro, agora cometido pelo jornal O Globo em sua fanpage no Facebook, ratifica o descaso com os leitores. No dia 30 de dezembro de 2012, o veículo chama o Estado do Maranhão de cidade (“Maranhão, cidade excluída das turnês internacionais…”) e rapidamente mais de 100 leitores se pronunciam advertindo sobre o erro. Três dias após a publicação, uma leitora ainda tenta chamar a atenção de O Globo com o comentário: “Até agora desculpa nada!”. E nada de resposta.
Uma das regras de ouro das redes sociais é nunca apagar uma postagem, justamente em respeito aos que já tiveram acesso ao conteúdo. Nesse caso, O Globo poderia ter incluído um comentário ou até mesmo ter publicado uma nova postagem com a errata.
O terceiro exemplo é mais recente, de 17 de fevereiro de 2013. O jornal Folha de S. Paulo publica em seu perfil no Twitter que a África é um país, e não um continente (“A África é o país que registra o maior crescimento de pessoas católicas”). Novamente houve manifestação dos leitores e nenhuma retificação do veículo. E, assim como no caso do Estadão, bastaria a publicação de um novo tweet com a informação correta. Agradecer aos leitores por terem avisado sobre o erro também seria de bom tom.
A breve análise desses três exemplos pode suscitar inúmeras discussões, desde o tipo de erro cometido pelos jornais (confusão de estado com cidade; de continente com país; e a troca da data de aniversário de um dos principais times de futebol do país) até a falta de atenção com o leitor e a negligência com a disseminação de uma informação errada.
Nesse sentido, os veículos jornalísticos têm muito a aprender com as marcas, que mostram crescente preocupação em responder a seus clientes nas redes sociais. Algumas empresas criaram até o chamado SAC 2.0, com perfis dedicados exclusivamente a ouvir e responder críticas, dúvidas e reclamações.
Diante do triste contexto apresentado, temos que concordar com o professor Eugênio Bucci, que enfatiza, em “Sobre ética e imprensa”: “É como se a imprensa proclamasse: minha função é informar o público, mas os meus métodos não são da conta de mais ninguém – eles são bons, corretos e justos por definição” (BUCCI, 2000: 39).
Bibliografia
BUCCI, Eugenio. Sobre ética e imprensa. São Paulo: Cia das Letras, 2000
NOBLAT, Ricardo. A arte de fazer um jornal diário. São Paulo: Contexto, 2002
Comentário da semana: o menino, o deputado e o jornalismo genuíno
Rogério Christofoletti
Professor da UFSC e pesquisador do objETHOS
A veiculação da “entrevista” do deputado José Genoino (PT-SP) pelo CQC na semana passada – 25 de março – é mais um capítulo lamentável da história recente da televisão brasileira. A forma como foi obtida a declaração do parlamentar e o alarde sobre o conteúdo dela permitem refletir sobre a qualidade da programação da TV aberta, sobre a ética da comunicação e sobre o papel da mídia na sociedade. Não é à toa que a tal “entrevista” tenha se tornado um tema polêmico nas redes sociais na semana que passou, mobilizando opiniões de todas as cores.
Exibido pela TV Bandeirantes desde 2008, o CQC é um dos programas de maior sucesso da emissora, reproduzindo o formato original argentino em que seus apresentadores perseguem celebridades e políticos “custe o que custar”. Trajados com ternos pretos e óculos escuros, os CQCs parecem ter uma única missão: constranger seus entrevistados, fazendo perguntas capciosas ou flagrando-os em situações de embaraço. O desconforto dos abordados fica visível quando percebem a abordagem, e isso gera a “graça” do programa. O efeito desejado é que o CQC cumpre uma certa vingança do espectador ao mostrar o quão ridículo é aquele ator famoso ou quão patético é o poderoso político. Mas será mesmo?
Simulação
Com humor ácido, aparentemente sem piedade e determinado a expor seus entrevistados ao vexame, o programa recorre a técnicas jornalísticas, mas o CQC não faz jornalismo! Seu elenco persegue fontes, confronta versões, cerca os poderosos e provoca os entrevistados com suas indagações de duplo sentido. O bom jornalismo também pode se valer disso, mas o fato de o CQC lançar mão de técnicas jornalísticas não é suficiente para enquadrá-lo como um programa jornalístico. Afinal, o que caracteriza uma profissão ou atividade não é exclusivamente o uso de técnicas, mas também uma ética específica, a adoção de uma cultura profissional, um conjunto de conhecimentos próprios, um foco e uma vocação. O CQC recorre ao estilo jornalístico por conveniência e não por vocação, já que sua busca é o riso, o humor, a diversão do espectador. O CQC se vale do verniz jornalístico para ter acesso a certos ambientes, pessoas e circunstâncias. Portanto, mimetiza, imita, simula o jornalismo.
Alguém pode argumentar que o CQC seja um gênero híbrido, o que me parece uma segunda falácia, uma saída honrosa para não ser nem uma coisa nem outra e ampliar assim suas possibilidades de produção, criar novos quadros e veicular outros conteúdos.
Outros três fatores mostram como o CQC não é um programa jornalístico: todos os prêmios que recebeu até então – entre os quais o da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) – são na condição de programa humorístico; a produção não está sob responsabilidade da direção de jornalismo da emissora; e a própria Bandeirantes afirmou que o CQC faz humor, em resposta ao questionamento de Maurício Stycer, colunista do UOL, sobre o caso de José Genoino. Dessa forma, quando o CQC diz que está prestando um serviço jornalístico, não é propriamente verdadeiro, mas apenas uma declaração genérica que pode confundir o público.
A “entrevista” de José Genoino veiculada em 25 de março é um exemplo dessa confusão. Há meses, o programa aborda o deputado com perguntas embaraçosas, buscando uma declaração sobre o caso do mensalão. Claramente contrariado, o político se nega a falar, tranca o rosto e tenta escapar do cerco. Foi assim diversas vezes, e o silêncio de Genoino se tornou parte de uma anedota no programa. Obter uma resposta se tornou uma questão de honra do programa que incomoda os poderosos, custe o que custar. Daí que a produção recorreu a uma estratégia inusitada para extrair declarações do político, escalando uma criança para fazer isso. O menino João Pedro Carvalho tem dez anos e é ator. Ele se passou por uma criança que queria um autógrafo de Genoino em um livro, acompanhado por seu suposto pai. Ambos foram recebidos no gabinete do parlamentar em Brasília, e no encontro, o garoto fez perguntas ambíguas sobre corrupção e o caso do mensalão. Num misto de malícia e ingenuidade, o menino faz o trabalho dos homens de terno do CQC e constrange Genoino, que deixa escapar a frase “O PSDB não foi condenado no Mensalão porque tem lábia”. A declaração se torna o “gancho” da “entrevista”, e é alardeado pelos apresentadores como se fosse uma vitória conseguir que o político falasse ao programa e apresentasse algo realmente novo no caso. Nem uma coisa nem outra.
Condenação
Antes que me acusem de estar protegendo José Genoino, reforço: ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal no caso do mensalão, deve responder por isso, e é lamentável que ainda esteja ocupando uma cadeira no parlamento brasileiro. Seu julgamento e condenação são fatos e foram exaustivamente acompanhados pela sociedade brasileira. A assunção de uma vaga na Câmara de Deputados é absurda, nesse contexto, já que suscita a impressão de que Genoino foi premiado e não condenado… Desta forma, não estou a ignorar o ocorrido com o político, apenas questiono a forma como o CQC retornou ao caso, passando ao seu público a impressão de que havia obtido alguma novidade.
Em termos de informação, a “declaração” de Genoino não traz nenhum dado novo ao caso, pois se trata de uma opinião pessoal, um juízo particular. Nos termos da ética jornalística, a forma como foi obtida a “entrevista” é altamente questionável. Criar uma cilada para conseguir a fala do deputado é legítimo? Usar uma criança para abordá-lo e “extrair” informação é apropriado? Convencer um ator mirim a se passar por uma criança que faz perguntas inocentes é correto? Quando é admissível captar imagens em ambiente privado, sem conhecimento da fonte? A obtenção da fala do político justifica qualquer tipo de abordagem, como mentir e usar falsa identidade? Em nome do que se pode fazer isso?
Alguém pode contra-argumentar: Genoino foi condenado pelo STF, é um corrupto atestado pela maior corte do país, e merece isso! Eu pergunto: essa condenação nos permite fazer qualquer tipo de ataque? Ao ser condenada por corrupção, uma pessoa perde todos os seus demais direitos, como a privacidade, intimidade e respeito mínimo? Sob o selo da condenação, tudo pode ser feito contra uma pessoa? Não estaríamos ampliando sua pena? Agindo assim, não estaríamos todos praticando um linchamento social superior à sentença determinada pela justiça?
A “entrevista” de Genoino ao CQC nos incita a pensar sobre limites para o humor, o jornalismo e a comunicação de massa. Evidentemente, não se trata de censura de Estado ou coisa semelhante. Não é o Estado quem tem que arbitrar sobre isso, mas a sociedade, a comunidade para a qual a programação é dirigida. Independente de ser jornalístico ou humorístico, o CQC é um programa transmitido massivamente por sinal público de radiodifusão, que depende de concessão pública. Essa licença é dada pelo Congresso Nacional, tem duração prevista e contrapartidas sociais e culturais previstas em lei. Isto é, existem limites legais para os conteúdos veiculados, que devem atender às expectativas da sociedade e não contrariar os seus interesses. Mas além dos limites da lei, há algo que os precede: a noção da conveniência e oportunidade. A própria classe artística – os humoristas do CQC – deve ter alguma noção de limite, de algum momento ou circunstância de total inconveniência de uma piada ou abordagem. É apropriado, por exemplo, fazer piadas desrespeitosas sobre uma pessoa no seu funeral? É admissível gozar com alguém que esteja em situação vexatória, humilhante ou vulnerável? Isso é autocensura? Não é, eu chamo isso de compostura, de limite último, aquele que garante um mínimo de respeito pelo outro.
Notem que respeitar não é reverenciar. Tratar outra pessoa com respeito não é se curvar a ela, submeter-se ou enaltecê-la. É apenas tratá-la como uma igual. Equipará-la a si mesmo. Ter consideração é, então, admitir que à sua frente haja alguém que mereça algum respeito ou atenção. É a drástica diferença entre tratar alguém como sujeito ou como objeto. No caso do humorismo, é a distinção entre rir com alguém ou rir de alguém. Parece pouco, mas não é.
Reflexão
Perde o humorismo com essas diferenças? Talvez. Mas perdemos todos muito mais se mantivermos as coisas como estão. No caso em que discutimos aqui, o CQC não apenas desrespeitou a pessoa José Genoino, mas também seu público na medida em que subestimou sua inteligência dizendo que o político havia falado ao programa. Não falou. Ele estava conversando com um menino em seu gabinete e o que disse foi simplesmente irrelevante, típico do pior jornalismo declaratório.
A estratégia do CQC para fazer o político falar “custe o que custar” equivale, guardadas as devidas proporções, a quando o repórter levanta o queixo do algemado na delegacia, para que a câmera possa captar a imagem de seu rosto, tão característica de programas policialescos. Forçar a falar é forçar a se mostrar, tipicamente justiceiro. As situações do algemado na delegacia e do político enganado são bem distintas, mas ambas nos levam a pensar: mesmo tendo feito atrocidades, podemos extrair e anular todos os outros direitos dessas pessoas? É o jornalismo quem julga o caráter das pessoas? Humoristas são vingadores da sociedade? Os meios de comunicação podem “compensar” as injustiças sociais que colecionamos diariamente? A mídia é o novo judiciário?
Os questionamentos acima me causam calafrios porque apontam para uma situação bastante perigosa em termos de controle social e ausência total de limites para alguns atores ou organizações. Não acho que o Estado possa arbitrar sobre tudo na vida humana, nem que a mídia possa prescindir de limites. A sociedade é muito complexa e todo poder precisa – por definição – ter limites, sob risco de ficarmos reféns dele. É lamentável o caso Genoino-CQC, mas por outro lado esta é uma grande oportunidade para discutirmos que TV nós queremos, que TV esperamos, qual TV podemos ter.
objETHOS retorna em fevereiro
O site do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) retorna com sua atualização semanal em fevereiro, logo após o recesso de final de ano e as férias escolares.
A equipe agradece as mais de 87 mil visitas neste ano, quando o site bateu todos os recordes de acesso e alcançou 77% de crescimento de suas estatísticas. Renovamos o convite: navegue por nossos conteúdos.
Comentário objETHOS: Aos acusados, o ônus da prova…
Samuel Lima
Docente da UnB, professor visitante na UFSC e pesquisador objETHOS
Motivado pela publicação de duas reportagens na Folha de S. Paulo, contestadas pelas fontes e igualmente por Susana Singer (ombudsman, na coluna: http://migre.me/c5Xo2), pensava em discutir sobre a distância que pode separar o trabalho da reportagem e a edição, em sua forma final (títulos, olhos, legendas, linhas finas e outros elementos gráficos e visuais), na mídia impressa.
Contudo, confesso que fui atropelado por outra matéria publicada no diário paulista e mudei o rumo da prosa. A reportagem, intitulada “Relação com Lula explica influência de ex-assessora” é um primor do que se poderia chamar de irresponsabilidade social da mídia. Num texto de exatos 4.169 caracteres (com espaços), o autoconsiderado “maior jornal impresso do país” ignora o princípio democrático da presunção da inocência e publica uma página (com chamada de capa – “Poder de assessora vem de relação íntima com Lula”, edição de 1º/12/12) digna das melhores revistas de fofocas. Faltam rigor, fundamento, provas da tal “relação”, enfim um exemplo de mau jornalismo.
O texto (Editoria Poder, p. A5) evidencia ter passado por rigorosa revisão. Juridicamente prevenido, em nenhum momento qualifica de “amorosa” a suposta relação íntima do ex-presidente Lula com Rosemary Noronha (ex-funcionária do escritório da Presidência da República, em São Paulo e pivô da “Operação Porto Seguro”). Contudo, insinua do lide à última linha que essa pode ter sido a fonte do suposto poder da assessora:
A influência exercida pela ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, no governo federal, revelada em e-mails interceptados pela operação Porto Seguro, decorre da longa relação de intimidade que ela manteve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Rose e Lula conheceram-se em 1993. Egressa do sindicato dos bancários, ela se aproximou do petista como uma simples fã. O relacionamento dos dois começou ali, a um ano da corrida presidencial de 1994. (http://migre.me/cdls3). [Grifos meus]
A reportagem não explica, tampouco informa que tipo de relacionamento Lula e sua ex-assessora mantinham, desde 1993. Deixa sempre nas entrelinhas a suspeita, no jogo sórdido de um texto editado com lupa. Nem sua atual companheira é poupada: “Marisa Letícia, a mulher do ex-presidente, jamais escondeu que não gostava da assessora do marido” (cit.). A exposição política da vida íntima se justificaria, como previsto nos bons manuais de Jornalismo, se fosse elo efetivo de um assunto relevante, de inconteste interesse público. Não parece ser o caso. Apenas as revistas Veja e Época, que misturam jornalismo com publicismo com viés nitidamente reacionário, compraram a ideia.
Aguardei a coluna de Susana Singer, na edição do dia seguinte (domingo, 02/12). Sob o título “Íntimo e pessoal”, a jornalista procura justificar, de todas as formas possíveis, a escolha editorial da Folha. Singer faz uma interpretação inusitada da “reportagem” e revela aquilo que não está escrito, por zelo jurídico ou alguma nesga de pudor jornalístico. Observem a sua leitura da matéria:
Sem usar a palavra “amante”, o jornal conta que, nas 23 viagens internacionais em que Rosemary acompanhou Lula, a então primeira-dama Marisa Letícia nunca estava. Segundo a reportagem, havia um esquema especial que permitia o acesso à suíte presidencial nessas escapadas. [Grifos meus]
No entanto, a ombudsman que deveria ser a defensora dos direitos dos leitores, vai além. Depois de tentar confundir, com a tese de que “o jornalismo brasileiro costuma preservar a intimidade de seus políticos” (ela esqueceu o “Caso Miriam Cordeiro”, ex-mulher de Lula, nas eleições de 1989 – que o acusou de tê-la pressionado a fazer aborto), Singer enfim apresenta uma saída ao mau jornalismo praticado pela Folha. E escreve, na boa:
Se o ex-presidente tiver incensado Rosemary por causa de um romance, isso teve consequências políticas. (…) Só que o trabalho não terminou. Foi relevante mostrar ao leitor de onde emanava o poder de Rosemary, mas, a partir de agora, detalhes de alcova, por mais tentadores, não interessam. O importante é investigar se o ex-presidente esteve envolvido no suposto esquema criado pela sua então assessora. (http://migre.me/cdmiK). [Grifos meus]
Investigar se o ex-presidente Lula está envolvido num suposto esquema de tráfico de influência e corrupção é de altíssimo interesse público e inconteste relevância. Mas, percebam que há um “SE” na abertura dessa passagem final da coluna de Singer que delata o espírito do jogo antidemocrático do tipo “se colar, colou”. Uma reportagem que acusa um ex-presidente da República de ser partícipe num esquema de corrupção, de quebra atribuindo-lhe um relacionamento amoroso, deveria se cercar de informações, cuidados, provas irrefutáveis – e não se amparar em fontes como “integrantes do corpo diplomático” e “oficiais da Aeronáutica, ouvidos no anonimato” – que não sustentam a história do suposto romance.
Leão Serva (in “Jornalismo e desinformação”) entende edição como “a organização das informações conforme as regras do meio e do veículo específico e conforme a lógica do grupo incumbido do trabalho de editar, a compreensão que ele tem dos fatos e o que supõe ser o interesse e a capacidade de entendimento de seu receptor”. No caso em tela, parece claríssima a intenção do Grupo Folha de impor um desgaste político adicional a um dos mais populares presidentes da curtíssima história democrática do país.
Por outro lado, o pesquisador Fernando Paulino (UnB), propõe, resgatando um conceito de Claude-Jean Bertrand (Media Accountability Systems ou MARS) “que a atuação do ombudsman possa se constituir como um MARS, estimulando as instituições de comunicação a serem mais rigorosas com a produção e a divulgação da informação” (in “Vitrine vidraça”, organizado por Rogério Christofoletti). Susana Singer, neste caso, atuou como “advogada” do seu jornal, distanciando-se do leitor e do interesse público.
Enfim, voltando à reportagem do suposto romance entre Lula e sua ex-assessora, nenhuma fonte fundamental confirma a história; nenhum dos envolvidos diretamente foi ouvido (Lula, Maria Letícia, sua esposa, e a própria Rosemary Noronha). Mesmo assim, o jornal publica a matéria, com chamada de capa. O que explica essa decisão? Mau jornalismo pura e simplesmente? Protagonismo político antidemocrático? Leia e tire suas conclusões… Mas adianto: o texto poderia ser publicado, sem cortes, numa edição especial das revistas que se prestam às fofocas sobre a vida de celebridades.
Comentário objETHOS: O grupo Clarín e a liberdade de expressão
Francisco José Castilhos Karam
Professor da UFSC e pesquisador do objETHOS
A denúncia judicial feita na quinta-feira passada, 22 de novembro, pelo grupo Clarín, da Argentina, contra vários jornalistas daquele país, entre eles alguns de Página/12 , de Tiempo Argentino e do programa 6,7,8 mereceu o repúdio de grande parte dos profissionais, entre eles os afiliados ao Foro de Periodismo Argentino, muitos dos quais pertencentes ao próprio grupo denunciante.
A atitude do grupo Clarín, que reclama com insistência de perseguição do governo argentino em relação à “liberdade de expressão”, demonstra que ele mesmo parece não conseguir conviver com a controvérsia e a democracia. Na ditadura militar argentina (1976-1983) apoiou a lógica de militares, torturadores e assassinos, silenciando ou mesmo colaborando com o regime. Agora, investe contra jornalistas, acusando-os de incitar a violência – ainda que por meio de investigações, coberturas e opiniões- e de serem oficialistas. Talvez porque sejam, em parte, os mesmos que expõem interesses escusos do grupo e que, como jornalistas do programa 6,7,8, por exemplo, até mesmo investiguem as corrupções do grupo e as relacione a favores do poder econômico para atacar o governo.
O que chama a atenção é o dúbio discurso. De um lado, a plena liberdade de expressão para si; de outro, a liberdade de expressão controlada quando não agrada ao grupo. Não é novidade, e qualquer semelhança não é coincidência quando lembrarmos de parte da mídia brasileira e de seus negócios financeiros e de seus interesses políticos e ideológicos.
O presidente do Centro de Estudos Legais e Sociais da Argentina, jornalista Horácio Verbitsky, declarou que é igualmente grave a intimidação a jornalistas e à liberdade de expressão, seja partindo do Estado, seja partindo do grupo Clarín. Verbitsky, preso durante a ditadura militar e autor de “O voo” (sobre presos políticos jogados vivos ao mar) e de “Cristo vence” (que trata do apoio da Igreja Católica argentina aos torturadores durante o regime), sabe do que está falando. E sabe do que está falando porque conhece o apoio e sustentação informativa do grupo Clarín aos militares golpistas à época.
Para o colunista Mario Wainfield, de Página/12, do ponto de vista jurídico a representação do grupo Clarín busca criminalizar a opinião ou a informação. O grupo Clarín tentou reagir, argumentando que os jornalistas estão apenas demandados como testemunhas, mas os inclui na mesma lista de acusados de incitação à violência, integrada, entre outros, por funcionários públicos críticos do Clarín, ainda que exercendo atividades jornalísticas.
Parece ficar clara a intenção de Clarín de reagir ao contraditório. Daí tamanha reação entre grupos não vinculados ao Clarín e de tantas organizações sociais e de vários jornalistas argentinos.
Para Wainfield, “é um precedente infausto e inédito. Jamais um meio de difusão , em um período democrático, procurou condenação de jornalistas por delito de opinião. Um recorde para as piores páginas do Guiness”. E acrescenta que a “representação é insustentável juridicamente. Politicamente, é uma provocação e uma tentativa de amedrontar”.
Diferentes organizações criticaram a ação do Clarín. O Conselho de Adeministração de Diários e Jornais Regionais Argentinos considerou que perseguir jornalistas pelas opiniões é uma “ inaceitável pressão ao livre exercício da profissão” . E a entidade considera que esta “é uma antiga prática autoritária e antidemocrática por parte daqueles que sentem que detêm o poder real em nossa Argentina” . O Foro de Periodismo Argentino (Fopea), que congrega profissionais da área, solicitou ao grupo que retire a denúncia feita contra os jornalistas.
A dificuldade do grupo Clarín em lidar com as críticas, segundo alguns analistas, é tentativa de se manter hegemônico no mercado diante de nova legislação que se impõe para garantir diversidade de mídias e de novas mídias, que possibilitaria maior democracia informativa e contraditório sociais. Trata-se de questão, além de política, também econômica.
De acordo com Mario Oporto, deputado argentino da Frente pela Vitória (FpV), desde o final da ditadura não havia tamanho ataque ao livre exercício do jornalismo e da opinião: “desde 1983 não havia, por parte do Estado nem das empresas jornalísticas da Argentina, nenhum plano tão extremo para silenciar trabalhadores de imprensa. Até agora, tínhamos debates ideológicos públicos, mas, ainda que em desacordo, ninguém havia considerado passar da discussão ao terreno da censura, da mordaça judicial ou da prisão. A denúncia penal do Grupo Clarín contra os jornalistas é um ataque inédito à liberdade de expressão”.
Portanto, parece que o grupo Clarín, tal como a Sociedade Interamericada de Imprensa, da qual é associado e um de seus baluartes, tem uma visão muito particular da liberdade de expressão. Ela atende por vários nomes.
Segunda conferência internacional sobre ética
A Faculdade de Comunicação da Universidade de Sevilha, na Espanha, está divulgando a chamada de textos para a segunda edição da Conferência Internacional sobre Ética Jornalística. O evento acontece em abril de 2013, e contribuições são aceitas até 15 de março.
Mais informações em: http://congreso.us.es/mediaethics/index.html








