Arquivos da Categoria: Eventos

Simpósio de Pesquisa Avançada em Jornalismo pela web

O Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC vai transmitir, pela internet, os principais momentos do 3º Simpósio de Pesquisa Avançada em Jornalismo.

O evento reúne os representantes da Comunicação na Capes e CNPq, dirigentes da SBPJor, Compós e Intercom, e pesquisadores dos programas de pós-graduação em Comunicação da UFPR, UTP, UEL, UEPG, UFSC, Unisinos, UFRGS, PUC-RS e UFSM.

Gratuito, o Simpósio acontece nesta quinta e sexta-feira no Auditório Henrique da Silva Fontes, no Centro de Comunicação e Expressão da UFSC, em Florianópolis. Patrocínio: Fapesc. Apoio: Associação Catarinense de Imprensa e Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina.

Para acompanhar e enviar perguntas ou comentários, acesse aqui.

Para assistir ao vivo em vídeo, acesse: http://www.videoconferencia.cce.ufsc.br

Claudia Mellado palestra na UFSC

ConviteClaudia2a

Segunda conferência internacional sobre ética

A Faculdade de Comunicação da Universidade de Sevilha, na Espanha, está divulgando a chamada de textos para a segunda edição da Conferência Internacional sobre Ética Jornalística. O evento acontece em abril de 2013, e contribuições são aceitas até 15 de março.

Mais informações em: http://congreso.us.es/mediaethics/index.html

Seminário Transformações no Jornalismo

 

O Oriente Médio e a crise das narrativas

 

objETHOS lança mais um livro

Rogério Christofoletti e Samuel Lima, pesquisadores do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) preparam o lançamento de mais um livro: Reportagem, Pesquisa e Investigação. A obra reúne textos de jornalistas e pesquisadores brasileiros e argentinos que abordam a questão do método no jornalismo investigativo. Questões éticas, cenários e contextos, riscos profissionais e experiências acumuladas são abordados por nomes como Guillermo Mastrini, Sandra Crucianelli, Leandro Fortes, Daniela Arbex, Francisco José Castilhos Karam (pesquisador do objETHOS), Luciana Kraemer, Eduardo Meditsch, Antonio Brasil, Valci Zuculoto, Lila Luchessi, James Alberti, Mylton Severiano e Samuel Lima. O livro é um produto do 2º Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo (Bapijor), ocorrido em abril de 2012 em Florianópolis.

Para os organizadores, o jornalismo investigativo ganha, cada vez mais, importância e papel estratégico nas sociedades contemporâneas, na medida em que se transforma num instrumento dos cidadãos para conhecer mais, para ter acesso a informações insistentemente relegadas à obscuridade. No entanto, o jornalismo investigativo precisa buscar e aprimorar métodos de obtenção de dados, sistematização de informações, embalagem e difusão.

O livro é editado pela Insular e tem lançamento programado para a sessão especial da 10ª SBPJor, que acontece em 9 de novembro às 20 horas, na PUC-PR, Curitiba.

Comentário objETHOS: É a ética, estúpido!

Rogério Christofoletti
Professor da UFSC e pesquisador do objETHOS

O Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho da Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP) promoveu em outubro um ciclo de seminários sobre as mudanças no mundo do trabalho dos jornalistas. Em três noites, o grupo liderado pela professora Roseli Fígaro reuniu convidados para discutir tendências e estudos que tentam perfilar uma categoria que, inacreditavelmente, pouco se conhece. Nem a indústria, a academia ou os sindicatos sabem ao certo quantos são, como são e o que pensam os jornalistas. Uma ampla pesquisa está em curso para determinar os contornos desse perfil, o que pode ajudar muito na compreensão dos rumos da categoria e de que forma está sentindo as transformações no campo. Um dos debatedores do evento na ECA foi justamente o professor Jacques Mick, coordenador do estudo que tem patrocínio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e apoio da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor).

Enquanto os resultados não são totalizados, é preciso atentar para as referências disponíveis. Durante o ciclo, a professora Roseli Fígaro apresentou os resultados da pesquisa “O Perfil do jornalista e os discursos sobre o jornalismo: um estudo das mudanças no mundo do trabalho do jornalista profissional em São Paulo”, realizada entre 2009 e 2012 e concentrada no maior mercado profissional do país. O estudo se valeu de questionários, entrevistas em profundidade e grupos focais, trabalhando com três grupos de participantes distintos, extraídos da base de dados do sindicato local, de uma representativa empresa de mídia nacional, de redes sociais e de free-lancers. Para além dos aspectos quantitativos e do esforço do grupo em sistematizar os dados dispersos, o que me chamou a atenção foram algumas das falas de jornalistas colhidas nos grupos focais. Esses depoimentos lançam luzes para algo que considero bastante preocupante entre os jornalistas: um afrouxamento do ethos profissional, uma flexibilidade nos valores que pode sim comprometer não só as condutas pessoais mas fragilizar o jornalismo como prática social. Reproduzo algumas dessas falas:

Hoje a maioria dos repórteres faz… A maioria não, mas a grande parte faz algum trabalho de publicidade, tipo, de gerar conteúdo para publicidade, que é um saco, uma merda, mas estão pagando muito melhor que jornalismo, então essas coisas valem a pena fazer como frila.”

 

Um menino, de 20 e poucos anos, é exatamente esse produto que colocam no mercado. Um menino que foge da discussão crítica da ética, do jornalismo, porque não tem… Ele saiu da escola, ele não teve essa formação, pode até ter tido uma noção, mas vai pro mercado e entra numa neurose de patrão que não tem…”

 

…vai cair naquela velha discussão sobre se o jornalista precisa ou não do diploma. Eu acho, por exemplo, que um médico é muito mais hábil [para] escrever uma matéria sobre medicina do que eu. Eu acho, que às vezes um político é muito mais competente para escrever sobre política do que eu, porque se eu tiver que escrever uma matéria sobre política eu vou ter que varar uma semana para estudar política, e eu não sei nem o que é o PMDB o PSDB, para mim muda uma muda e olhe lá, e para por aí para mim sobre política… Então, se você falar pra mim “você quer fazer uma matéria sobre política ou eu posso dar para o Maluf escrever?”, meu, passa para o Maluf”.

O primeiro trecho aponta para a naturalização de uma prática que é, historicamente, avessa ao jornalismo. Os principais manuais, os cânones, os valores de base da profissão se apoiam no modelo Igreja-Estado, que insiste em separar com nitidez os departamentos editorial e comercial de uma empresa jornalística. Preventiva, essa distância auxiliaria os jornalistas a não ficarem atrelados aos compromissos comerciais da empresa para a qual trabalham, criando condições de uma independência maior no trato das notícias. Marcadamente generalizante, o depoimento espalha para um universo grande (e desconhecido) uma prática que contraria as funções do jornalismo. O perigo aponta para o tempo presente.

O segundo trecho citado manifesta uma crítica às novas gerações de jornalistas que chegam ao mercado despreparadas não tecnicamente, mas na dimensão deontológica. Para o participante da pesquisa, as escolas de jornalismo não têm conseguido formar profissionais críticos e éticos, mas sim despejado no mercado de trabalho pessoas adestradas, temerosas e complacentes com eventuais intromissões dos seus superiores hierárquicos. Intervenções, inclusive, que poderiam vir na contramão dos interesses que devem orientar o jornalismo e suas práticas. Agora, o perigo também aponta para o futuro.

A terceira fala evidencia um flagrante descolamento do personagem com aquilo que lhe caberia profissionalmente fazer. Pode-se perceber um grande estranhamento entre a conduta jornalística e a prática cotidiana, como se o repórter não mais sentisse “pertencimento” sobre parte do seu trabalho, como se aquilo lhe escapasse. Estaria por trás desse desligamento a sensação de que não se é capaz ou competente para executar a tarefa. Não estaríamos preparados para fazê-lo, e diante disso, melhor abrir mão também de um dever profissional…

Como antecipei, as falas são preocupantes pois externam sentimentos e entendimentos que fragilizam o ethos jornalístico. A sensação de incapacidade técnica, a formação precária ou insuficiente, a confusão valorativa e um certo afrouxamento ético contribuem para um terreno fértil para a negligência profissional e a debilidade deontológica. Um cenário que tende a neutralizar preocupações sobre a conduta de repórteres e e editores, permitindo um desvio perigoso das funções públicas a que o jornalismo se consagrou. Interesse público, diversidade de versões, não-parcialidade, fidelidade aos fatos e outros valores ficam em segundo plano, colocando em risco não só uma profissão e uma categoria, mas principalmente as relações que as atam às demandas da sociedade. Sem justificativa social, sem papel público, o que pode sustentar eticamente o jornalismo?

As preocupantes falas conduzem nossos olhares para as escolas de jornalismo e para como é urgente reforçarmos o ensino de ética profissional. Os cursos superiores podem “ensinar ética”? Os estudos da área não demonstram que isso seja possível ou que tal aprendizado seja restrito a esse habitat. Entretanto, as escolas são contextos privilegiados para o incentivo da reflexão ética, para a discussão sobre a deontologia dos profissionais da informação. O debate, a crítica e a autocrítica são passos fundamentais para a cristalização de alguns valores no “cinturão moral” desses jovens jornalistas, e para o acionamento de um ânimo permanente de revisão desses valores. Mas não só. É demasiado esperar que faculdades e universidades em um ou dois semestres consigam “formar” eticamente seus alunos. Tal processo é mais complexo, longo e – ainda bem! – permanente. Assim como os jornalistas não podem mais deixar de estudar, aprender e intensificar seus preparos técnicos ao longo de suas vidas, também não devem relegar apenas aos anos universitários a sua formação deontológica. O cotidiano ensina todos os dias; as redações são ambientes ricos e dinâmicos para se debater dilemas éticos; os colegas de profissão podem (e devem!) ser interlocutores diante de tomadas de decisão, e também podem atuar como modelos de conduta.

Se são alarmantes algumas das falas colhidas na pesquisa pelo Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho, elas também são reveladoras de uma agenda de ações. Os dados que a pesquisa Fenaj-UFSC-SBPJor persegue podem dar um relevo nacional da categoria, mas trará certamente informações das suas insuficiências. As frequentes transformações tecnológicas que dinamizam o jornalismo não podem ser compreendidas sem os planos da cultura e da ética. A cada mudança de suporte ou equipamento, mudamos nossos hábitos culturais e nos imputamos novos desafios e questões de conduta e comportamento. Nossos valores são colocados à prova, e somos reconvidados a discuti-los. A ética não está confinada aos livros ou aos compêndios. Ela está nas pessoas, no que pensam e sentem, e como agem em relação à outras. Seja a ética num contexto mais geral, seja num mais restrito, como o profissional. O que me pareceu mais tocante no evento da ECA/USP é a urgência de reforçarmos ambientes e ocasiões para a formação ética dos jornalistas, jovens e mais experientes. Uma voz qualquer martelava a minha cabeça: É a ética, estúpido! É dela que precisamos falar mais!

Bernardo Kucinski estará em ciclo de conferências do POSJOR e objETHOS

O Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC promove a partir deste mês o ciclo “Leituras Contemporâneas com Bernardo Kucinski”, um conjunto de conferências para discutir alguns dos principais temas da atualidade.

Nos mesmos moldes das lectures norte-americanas, as conferências do Leituras Contemporâneas são abertas ao grande público, gratuitas e voltadas à discussão e reflexão. A primeira delas aborda “A crise financeira mundial” e acontece no próximo dia 16 de outubro, terça-feira, às 10 horas no Auditório Henrique da Silva Fontes no CCE-UFSC. O evento é dirigido a professores, pesquisadores e estudantes de diversas áreas e a interessados em geral.

Em novembro, no dia 14, as Leituras Contemporâneas enfocam o “Oriente Médio e a Crise de Narrativas”, e em dezembro, no dia 5, a “Comunicação Pública Democrática”, ambos às 10 horas no Auditório Elke Hering, na Biblioteca Universitária da UFSC.

O ciclo é uma realização do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR), com apoio do Departamento de Jornalismo da UFSC e Observatório da Ética Jornalística (objETHOS).

Entrada gratuita, com direito a certificados. Inscrições no local.

Quem é Bernardo Kucinski: graduado em Física, doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, livre-docente pela mesma universidade e pós-doutor pela University of London. Como jornalista, atuou no serviço brasileiro da BBC de Londres, e, ainda na capital inglesa, foi correspondente da Gazeta Mercantil e dos jornais Bondinho e OPINIÃO. De volta ao Brasil, foi correspondente do The Guardian, e editor dos cadernos especiais da revista Exame, além de trabalhar na Veja e outros veículos. Entre 2003 e 2006 foi assessor Especial da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Aposentou-se como titular da USP e é professor visitante junto ao POSJOR da UFSC. É autor de vários livros, entre eles “A ditadura da dívida: a crise do endividamento da América Latina”, “Jornalismo Econômico”, “Jornalismo na era virtual: ensaios sobre o colapso da razão ética”. Em 2011, estreou na ficção com o romance “K”, finalista do Prêmio Jabuti.

Confira as apresentações do Bapijor

Os convidados do Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo (Bapijor) que fizeram uso de apresentações em PowerPoint disponibilizaram seus materiais. Confira e baixe!

Investigação de empresas e organizações: riscos, padrões e tabus – Samuel Lima

Gobiernos progresistas y medios de comunicación en América Latina – Guillermo Mastrini

Risco profissional, um tema em disputa – Luciana Kraemer

Riscos (e avanços) do jornalismo na profissão e na academia – Valci Zuculoto

O percurso do método – Eduardo Meditsch

Introdución ao periodismo de bases de datos – Sandra Crucianelli

2º Bapijor: violência e riscos conceituais preocupam

Estiveram reunidos na tarde desta quarta-feira (18), para o Bapijor, os jornalistas Leandro Fortes, da Carta Capital, Luciana Kraemer, professora da Unisinos e uma das diretoras da Abraji e a professora da UFSC e representante do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Vali Zuculoto. Com a mediação do professor Antônio Brasil, os palestrantes debateram os riscos profissionais e acadêmicos do jornalismo.

Luciana Kraemer enfatizou a importância da existência de políticas de proteção aos jornalistas. Políticas estas que são obrigação do Estado, mas se contrapõem à decisão brasileira de ir contra uma proposta feita pela ONU, neste mês. A jornalista coloca em discussão se a profissão é, ou não, um defensor dos direitos humanos, e acredita que a resposta seja sim. Com essa visão, ela reforçou a importância de proteção aos jornalistas, em vista dos números. Segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalista (CPJ), 38 profissionais foram assassinados, de 1987 a 2012, no Brasil, sendo 30% deles por cobertura de pautas de corrupção. Kraemer vê no programa brasileiro de proteção aos defensores dos direitos humanos, em tramitação, como uma solução, espelhado no programa presente na Colombia. Para ela, a violência contra jornalistas é uma afronta à Liberdade de Expressão.

A professora Valci Zuculoto abordou em sua fala o risco que o jornalismo corre em função da separação entre o meio profissional e acadêmico, ressaltando a necessidade de promover a reconciliação. Para ela, apesar dos grandes avanços em termos de consolidação do campo jornalístico, de reconhecimento de sua autonomia, essa questão da necessidade de reconciliação entre a teoria e a prática continua sendo um desafio. “A universidade faz avançar, nesse sentido, a produção de pesquisas que contribuam para que a prática jornalística consiga definir e produzir o verdadeiro jornalismo, sua função e sua razão de existir”, afirma. Representando o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Valci enfatizou a necessidade de discussão de questões como o diploma, a precarização da profissão e o piso nacional. Ao defender o diploma, também reafirmou a necessidade de que o jornalismo fale sobre sua condição na sociedade: “Valorizados e fortes lutamos e defendemos não só as conquistas corporativas, mas também o exercício ético, plural e responsável do jornalismo. Dessa forma lutamos e defendemos a democratização da comunicação”, ressalta.

Repórter há 26 anos, em 13 redações, Leandro Fortes trouxe para o debate a sua experiência e suas preocupações sobre os riscos que a profissão corre. Respondendo a 35 processos judiciais por suas investigações jornalísticas, Fortes destacou que a questão física da violência praticada contra jornalistas não é o mais preocupante: “O grande risco do jornalismo no Brasil é o de perdermos a percepção sobre a importância e o valor da profissão que estamos exercendo. Temos uma função muito nobre e acho que nenhuma outra profissão tem tanta inserção na sociedade”, observa. Para ele, a grande função do jornalismo é decodificar o drama humano e o que acontece no mundo. Isso, afirma, é uma coisa que só o jornalista com formação acadêmica é capaz de fazer. “Quando você abdicar da sua visão como cidadão e colocar os olhos de jornalista na cara, a sua vida vai mudar pra sempre. Você não vai conseguir nunca mais entrar em qualquer lugar sem ver uma pauta. Vai passar a vida inteira transformando a realidade em pauta”, destaca. Fortes ainda enfatizou que a desqualificação que o jornalismo sofre enquanto profissão é perigosa: “Essa história de que qualquer um pode ser jornalista é mentira”, afirma. Para finalizar sua fala, destacou que o jornalismo é uma atividade solidária, que nasce de um trabalho coletivo e vai para o coletivo, para a sociedade. “É um grande risco quando a competitividade dá o tom no jornalismo, essa é uma herança do neoliberalismo sobre a nossa profissão”, finaliza.

O Bapijor é uma promoção do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR) e do Observatório de Ética Jornalística (objETHOS), com patrocínio da Fapesc e PRAE/UFSC, e apoio da Abraji, Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (SJSC), ACI, Fapeu e Departamento de Jornalismo da UFSC.

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