Por Aldo Antonio Schmitz
Mestrando em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina

Embora não se possa generalizar, o jornalismo das emissoras de televisão adota dois pesos e duas medidas para identificar as fontes, notadamente a madrinha Rede Globo e as suas afiliadas. Quando se trata de uma notícia negativa ou sensacionalista, as marcas e empresas são citadas verbalmente e com ênfase. No entanto, no caso de sucesso ou boa iniciativa, o conceito de fonte vai para a cucuia. Por exemplo, se a TAM inaugurar uma viagem turística à Lua, será notícia como “uma companhia aérea brasileira faz seu primeiro vôo lunar”. Mas, no caso de um acidente aéreo, a identificação é insistente: “Caiu um avião da TAM, a TAM isso, a TAM aquilo”. TAM, TAM, TAM, TAM. É uma oitava sinfonia para os telejornais.

Se algum empresário dá uma opinião ou depoimento, aparece na legenda, apenas: “diretor da empresa”. Em caso positivo, a fonte não tem nome nem crédito, o que contraria um elemento básico da produção jornalística. Evidentemente, as emissoras têm uma resposta pronta para este equívoco: “citar uma empresa em programa jornalístico é fazer propaganda gratuita”. Pura lorota. Se o Roberto Irineu Marinho aparecer no Jornal Nacional será muito bem legendado, como “presidente das Organizações Globo” e não das “Organizações Tabajara”. Vale para um, não para os outros.

Fica a impressão de que os telejornais não sabem separar jornalismo de propaganda. Apropriam-se das imagens e das falas das fontes quando lhes convêm, esquecendo que o crédito é um dos princípios da ética jornalística. Não tem outra opção. O resto é desrespeito ao próprio jornalismo, aos telespectadores e a quem se dispõe a colaborar na apuração e produção dos telejornais. Se a mídia impressa identifica corretamente as fontes, por que a televisão não pode fazer o mesmo?

É claro que as fontes zelam por sua imagem e reputação e têm interesses particulares. E quem não tem? Algumas empresas patrocinam a cultura e o esporte na esperança de ver a sua imagem na televisão, associada a algo positivo. Mas não vêm, porque os telejornais, quando não conseguem cortar a marca, inserem uma tarja embaçada sobre o logotipo. Em contrapartida, as TVs faturam alto com as transmissões e aumentam as audiências usando esportistas e artistas sem pagar direitos de imagem.

Essa estória da carochinha de não identificar as fontes empresariais tem um final sem graça, de faturar a qualquer custo: “aqui, só pagando”. Esta e outras questões mostram que o telejornalismo brasileiro anda capenga. Mas, o que esperar de quem tem o hábito de ouvir só um lado da questão? De quem julga e condena sumariamente qualquer pessoa ou organização, antes de processo judicial? Pois é, diante de tanta falta de ética, não identificar uma fonte é, dos males, o menor.

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