Por Carla Algeri
Mestranda em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina

O release, uma ferramenta das relações públicas e da assessoria de imprensa, tem como objetivo inicial apresentar a opinião da empresa, instituição ou personalidade sobre determinado assunto, apresentar um novo produto, anunciar um evento, divulgar uma inovação implementada pela instituição, prêmio recebido, entre outros que transmitam uma imagem favorável do assessorado.

Porém, no Brasil, muito mais que um aviso ou sugestão, é tratado pela redação dos jornais como uma matéria completa, pronta para ser publicada, inclusive acompanhada pelas fotos enviadas pela assessoria. Em vários casos, os releases são transformados em notas, sem a preocupação do jornalista em checar os dados ou complementar as informações com outras fontes. Em redações de menor porte, como em cidades do interior, é prática comum publicar-se releases das mais diversas origens, da prefeitura a governos e órgãos de abrangência estadual, sem os quais os jornais não dariam conta de preencher todo o espaço disponível em suas páginas. Não é raro o release ser publicado em contrapartida a um anúncio publicitário.

Assim, as assessorias contam com o trabalho dos jornalistas na redação de releases cada vez mais sofisticados, com notícias completas sobre determinado assunto. Nas instituições mais equipadas, já existe a produção de radioreleases e videoreleases, seja em estúdios próprios ou em empresas terceirizadas. Além da fotografia e do texto, podem ser divulgados som e imagem por meio de podcasts, amplificando ainda mais a divulgação da informação para serem utilizadas integralmente por emissoras de rádio, sites e emissoras de TV. Soma-se a isso o envio mais rápido proporcionado pela internet. Além de homogeneizar ainda mais a informação, dão maior alcance à visão que o assessorado quer passar.

Do ponto de vista do assessor, a publicação do release na íntegra é a garantia de que não haverá distorção dos fatos e que a posição da fonte que representa será apresentada fielmente, apesar de todo profissional saber que o objetivo conceitual da ferramenta é ser uma sugestão, um ponto de partida para uma informação ampliada. A forma de como tratar o release, no entanto, é de responsabilidade do próprio pauteiro e/ou jornalista.

Vilão ou mocinho, o release “pronto para uso” já é uma prática institucionalizada nas assessorias de imprensa e de certa medida esperada pelos jornalistas. Um bom olhar crítico sobre o release pode render pautas interessantes, porém, a prática do Ctrl+C / Ctrl+V não dá sinais de que vá acabar. No livro “Releasemania – uma contribuição para o estudo do press-release no Brasil” (Summus: SP), Gerson Moreira Lima cita como resultado dessa prática a burocratização das redações, a perda de autonomia do repórter e a conseqüente predominância das vozes dos grupos econômicos e políticos capazes de manter assessorias de imprensa estruturadas.

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