A partir desta semana, os pesquisadores do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) publicam posts em que relatam o atual estágio de seus estudos. Esta iniciativa visa a compartilhar as experiências acadêmicas dos mestrandos em Jornalismo da UFSC e incentivar ainda mais as discussões em torno dos Fundamentos do Jornalismo e da Ética Jornalística.

Quem abre esta série de posts é o jornalista Aldo Antonio Schmitz, orientando do professor Francisco José Karam.

“O meu projeto de pesquisa no Mestrado em Jornalismo na UFSC tem como tema central a profissionalização e as estratégias das fontes de notícias de economia e negócios para divulgar os seus interesses na mídia. O objeto de estudo são as ações de assessoria de imprensa da  Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) e como a editoria de Economia do Diário Catarinense (DC) aproveita seus materiais. A pesquisa aplica dupla abordagem metodológica: a análise de conteúdo, monitorando o noticiário econômico do DC referente às notícias oferecidas pela Fiesc, bem como o trabalho de campo, com entrevistas em profundidade, para explicitar a relação entre fontes e jornalistas.

Cada vez mais as fontes de notícias buscam na mídia o seu espaço de visibilidade, agendando com persuasão os seus fatos. Elas assumem o papel de produtoras ostensivas de notícias. Passaram a ter o poder e a capacidade de criar fatos adequados aos critérios de noticiabilidade. Isto se deve à profissionalização, pois contam com estruturas e profissionais de comunicação e estão se capacitando, através de media training,  para interferir na esfera pública, agindo estrategicamente para persuadir os jornalistas a reproduzir os fatos, o enfoque, as falas e os seus interesses.

Em menos de nove meses de estudo pude comprovar que as teorias do jornalismo dispensam poucas abordagens às fontes de notícias, sendo excessivamente centradas nas redações; as principais pesquisas sobre o tema concentram-se na área pública, sendo raras as abordagens em economia e negócios; há uma frágil classificação das fontes, o que me levou a criar uma taxonomia, ou seja, uma matriz de classificação dos tipos de fontes, que representa a dinâmica de suas ações, qualificações e representatividade. Também realizei um estudo preliminar, durante nove dias, em meados de setembro de 2009, quando, além do contato inicial com o objeto de pesquisa, confirmei alguns pressupostos: profissionalização, capacitação dos porta-vozes, ações proativas de agendamento da imprensa, oferta de conteúdo jornalísticos genunínos e estratégias para interferir na mídia com o objetivo de zelar pela imagem e reputação pessoal, da organização e segmento que representam.

No momento, estudo a ética deontológica dos jornalistas, das organizações e das assessorias de imprensa. Nessa acareação, quero mostrar os conflitos e equívocos, além de analisar a relação entre interesses público e particular. Pretendo fundamentar as questões éticas a partir da ética da convicção e da responsabilidade, conforme propõe Max Weber, tendo como suporte as reflexões de Francisco José Karam, orientador da pesquisa. Na sequencia aplicarei a pesquisa de campo, prevista para junho e julho. Neste ínterim, tenho produzido vários artigos, resenhas e atualizado semanalmente o blog Quando as fontes pautam (http://fontespautam.wordpress.com), com o propósito de interagir com colegas do mestrado, pesquisadores, profissionais de comunicação, jornalistas e fontes de notícias para o desenvolvimento da dissertação. Afinal, a pesquisa acadêmica não é solitária, e sim, solidária.

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