Rogério Christofoletti, um dos líderes do Observatório da Ética Jornalística , comenta o início de uma nova investigação científica.

As muitas transformações pelas quais está passando o jornalismo não só me chamam a atenção pelo seu viés tecnológico, mas também pelas consequências que provoca na própria natureza da profissão. Quer dizer: novas tecnologias e novos movimentos no processo da informação têm feito com que o jornalismo precise rapidamente se reinventar. E isso afeta não apenas quem já está no mercado de trabalho, mas quem vai entrar e quem consome os produtos desse campo de atuação.

A questão principal que me move na pesquisa “Redimensionamento de valores éticos no jornalismo a partir de impactos tecnológicos” é: Internet, redes sociais, web 2.0 e todas facilidades que têm convertido consumidores de informação em produtores de informação, tudo isso está contribuindo para o surgimento de novos valores que sustentem uma ética jornalística?

Esta indagação origina outras como:

  • Há um redimensionamento dos valores éticos no jornalismo com a emergência de novas tecnologias de informação e comunicação?
  • Como se diferenciam os modelos ético-morais tradicional e emergente?
  • Uma ciberética com pretensões universais pode engolir a deontologia jornalística construída e consagrada no século passado?
  • A adoção de um novo ethos significa uma reinvenção do jornalismo como atividade profissional?

Por isso, o objetivo principal desta pesquisa – com financiamento do CNPq, por meio de uma bolsa de produtividade de pesquisa – é refletir sobre desdobramentos gerados na deontologia jornalística a partir de avanços tecnológicos na área da comunicação. Iniciei há pouco, mas o entusiasmo das leituras e dos muitos casos que venho estudando tem me feito pensar nisso a todo o momento…