Por Francisco José Castilhos Karam
Pesquisador do objETHOS

“Na pesquisa que desenvolvemos junto ao Departamento e Mestrado em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, ‘Jornalismo e Sociedade da Informação e do Conhecimento: ciberespaço, crise de identidade, fiscalização moral e vitalidade democrática – nova etapa profissional?’ discorremos sobre alguns aspectos contemporâneos da atividade jornalística e seus novos contornos. Para isso, observamos que as demandas informativas no mundo simultaneamente globalizado e segmentado podem gerar melhor jornalismo de fora para dentro do que de dentro para fora do próprio jornalismo. Mas isto ainda está em observação para posterior análise. Parece apenas um cenário inicial.

Ou seja, se há necessidade e possibilidade de instituições públicas e privadas produzirem informação e conhecimento e estes podem ser acessados imediatamente por quaisquer pessoas, dependendo de seu grau de instrução e domínio/inclusão tecnológicos, a mediação profissional jornalística seria ainda necessária? Ou o jornalismo, modificando-se no novo cenário da sociedade da informação e do conhecimento e do ciberespaço, vem sendo executado também no que antes se chamaria assessoria de imprensa ou de comunicação, na produção de conteúdos com elementos técnicos, éticos, estéticos e narrativa textual próxima do jornalismo?

Estamos mais próximos de concordar, pelos estudos, com uma resposta afirmativa para a segunda pergunta.

Ou, avançando um pouco mais, deve-se reconhecer que, com os limites operativos de ordem política e econômica e financeira, o jornalismo das “redações”, agravado pela sociedade da mídia com setores outros do processo produtivo, e com a hibridização do noticiário, estaria deixando a desejar? Isto é, pode ser que as empresas não-jornalísticas estejam produzindo melhor conteúdo e apresentação estética da informação e do conhecimento imediato, incorporando profissionais jornalistas, do que empresas jornalísticas, que poderiam estar se dirigindo ao hibridismo informação/publicidade como sobrevivência. Assim, jornalistas assessores poderiam, em última análise, produzir melhor conteúdo, com as características técnicas, teóricas e estéticas do jornalismo, do que os limitados pela pressão interna dos veículos da área. Sobre a questão ética, na medida em que os valores profissionais históricos são coagidos pelo conjunto de acionistas, anunciantes e proprietários que não o são só de empresas da área – com os interesses globais de produtos outros – ela poderia mesmo estar ainda mais limitada do que nas assessorias, desde que se veicule e dissemine bem o conjunto de fatos e de versões produzidas por quaisquer setores, seja o de saúde, o agrícola, o dos trabalhadores em quaisquer áreas. Este é um dilema colocado pela globalização no âmbito econômico-financeiro e que pode ser parcialmente resolvido pela irrupção de veículos segmentados e de fácil acesso e participação/debate no âmbito das novas plataformas tecnológicas. Este novo cenário mereceria, portanto, maior imersão analítica.

Pretendemos, com a análise, tentar responder , em capítulo específico, a mais algumas perguntas.

Os indivíduos e os movimentos sociais, os setores segmentados, entidades e instituições públicas e privadas preocupados com a informação do tipo jornalística teriam um cenário – embora desfavorável no plano global hegemonizado pelo fundamentalismo de mercado – favorável para a realização de projetos que apontem para a democracia e para a melhor consecução da atividade jornalística, com seus critérios éticos e técnicos qualificados?

Tais projetos concorrem, de forma profissional jornalística ou de maneira mais informal e relativamente “amadora”, para redefinir os espaços de legitimidade e credibilidade jornalísticos? Seriam formas de corrigir e trabalhar informações sem a clássica mediação jornalística? Ameaçariam a identidade profissional? Concorreriam com mídias jornalísticas tradicionais, ainda que no ciberespaço, para a constituição de uma nova etapa profissional ao redor de velhos e novos valores teóricos, técnicos e éticos para a atividade?

A pesquisa pretende se debruçar sobre estes novos aspectos e produzir conteúdos que analisem o novo cenário jornalístico no ciberespaço.”

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