Deadline – U.S.A., A hora da vingança

Por Natália Izidoro
Acadêmica de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina

Humphrey Bogart, reconhecido ator norte-americano que tem Casablanca dentre seus filmes de maiores sucessos, faz em Deadline – U.S.A. o papel de Ed Hutcheson, editor do jornal diário The Day. Enquanto luta para evitar que o jornal seja vendido, Hutcheson tenta desmascarar um poderoso chefe de crime organizado da cidade, Thomas Rienze.

Com a imagem de um herói solitário, incorruptível e defensor dos objetivos dignos da profissão, Hutcheson mostra durante o filme a importância da imprensa na defesa dos leitores e da democracia. Seus ataques contra Rienzi começam quando um dos capangas do gângster faz uma emboscada e quase mata um repórter do jornal que o investigava. Inicia-se então um filme tenso, em que o editor tenta obter provas contra o magnata a três edições do fim do jornal.

Na época, a mídia impressa competia por uma parcela cada vez menor de leitores enquanto a televisão surgia como novo fenômeno, e a compra de empresas por outras era a maneira mais eficaz de se eliminar a concorrência. Depois de decidida a venda, a viúva de seu fundador muda de ideia ao ler as edições finais e ao saber que o jornal será vendido ao concorrente, sensacionalista, para ser tirado de circulação. As herdeiras do publisher, no entanto, continuam a favor do negócio.

Enquanto isso, toda a equipe fica encarregada de fiscalizar as ações e vida do gângster e surge então uma possível ligação entre Rienzi e uma mulher recém-assassinada, Sally, posteriormente descoberta como sua ex-amante. Enquanto alguns jornais cobrem os aspectos sensacionalistas do assassinato, a equipe do The Day faz sérios relatos de investigação e descobre provas contundentes que confrontam os advogados de Rienzi e podem, então, incriminá-lo.

A direção de Deadline – U.S.A. é de Richard Brooks, que antes de dirigir grandes filmes, como A Sangue Frio, trabalhou como repórter em diversos jornais e foi da equipe de escritores da rádio NBC. Talvez por isso, as cenas no jornal conseguem mostrar tão bem o ambiente de trabalho e a vida dentro de uma redação, com a equipe trabalhando sob pressão para obter as notícias diárias.

A ação da história prende a atenção do espectador do início ao fim, com suspense e algumas cenas de humor sutil. O magnata continua a tentar manter seu controle na cidade, iniciando um processo de difamação contra o diário e eliminando, dessa vez, o irmão da ex-amante. Sorridente e afável em um minuto e rosnando ameaças em outro, ele vai atrás do editor para tentar convencê-lo a não prosseguir nas investigações. Sem sucesso, o magnata então alerta seus homens que, mesmo se houver algum julgamento, eles devem continuar no negócio e diz que, se a história for publicada, já no dia seguinte vira notícia antiga e as pessoas esquecerão.

Sua tranquilidade, no entanto, vai chegando ao fim quando mais provas surgem. Sua última atitude é telefonar ameaçando Hutcheson e é com um desprezo cínico na voz mansa do editor que Rienzi ouve: “Isso é a imprensa, baby, a imprensa… E não há nada que você possa fazer sobre isso”. Os espectadores sabem que o editor agora tem todas as cartas na mão e as ameaças do magnata são insignificantes.

Os acontecimentos do filme reforçam o sentido da integridade jornalística, explícitos na postura do implacável editor. Nos momentos finais do filme, durante a audiência que irá determinar o futuro do jornal, o editor faz um discurso que comove os jurados e o próprio juiz, leitor há 37 anos do jornal, ao mostrar sua preocupação com a liberdade de imprensa e a livre iniciativa, que ficariam comprometidas com o diário fora de competição, bem como o direito de publicar para um mercado de ideias, noticias e opiniões diversas – e não de um homem ou um governo.

FICHA TÉCNICA

Deadline – U.S.A., a hora da vingança (Deadline – U.S.A. / EUA, 1952 – 87 minutos)
Gênero: Drama
Direção e roteiro: Richard Brooks
Elenco: Humphrey Bogart, Ethel Barrymore, Kim Hunter, Ed Begley, Warren Stevens, Paul Stewart, Martin Gabel, Joe De Santis, Joyce Mackenzie, Audrey Christie