Por Rogério Christofoletti
Pesquisador do objETHOS

Nas últimas semanas, comecei a investir mais intensamente nas leituras para minha pesquisa “Redimensionamento de valores éticos jornalísticos a partir de impactos tecnológicos”, e um efeito foi imediato: mais questionamentos foram surgindo à medida que eu avançava entre livros e artigos. É natural que isso ocorra, já que o contato com outros estudos e com autores diversos fertiliza mesmo o nosso interesse pelo objeto e retroalimenta uma vontade de buscar responder às perguntas.

Como a pesquisa intenta mapear possíveis novos valores na prática jornalística, resultantes dos avanços tecnológicos dos últimos 15 ou 20 anos, as indagações que tem me surgido se concentram sobre as condutas que os profissionais devem adotar diante de impasses e dilemas éticos, desafios reais e concretos do cotidiano. Para que o leitor possa ter clareza, listo algumas das questões que tomei nota:

  • Como se deve lidar com as fontes de informação no ciberespaço?
  • Existem cuidados específicos quando o jornalista “encontra” com a fonte pela web?
  • Quais os cuidados para se usar informações de terceiros nesses ambientes?
  • E quanto à utilização ou reaproveitamento de materiais/conteúdos/informações colhidos na web. Como se deve agir? Que cuidados observar?
  • Existem procedimentos específicos do jornalista para resguardar a privacidade na web?
  • Ainda tratando de privacidade, em meio à invasão das câmeras na atualidade, como deve agir o jornalismo nesses casos? Deve aprofundar uma “vigilância total”? Pode abrir mão disso sem comprometer seu dever de bem informar?
  • O anonimato é uma prática vetada pela Constituição de 1988, mas é uma prática recorrente na internet, inclusive para assegurar ao sujeito a inviolabilidade de seus dados e segurança. Como o jornalismo deve se posicionar quanto a isso?
  • Como se pode definir limites para a manipulação de imagens estáticas e em movimento, sem ferir a ética, sem distorcer a informação ou seu contexto?
  • O advento da internet hipertrofiou a possibilidade de identidades falsas em sites de relacionamento, blogs e sites. São os fakes. Como o jornalista, em situação de apuração de informação, deve agir para se desviar de armadilhas deste tipo?
  • O crescimento da colaboração/participação do usuário no processo de produção do noticiário deve provocar um novo contrato jornalista-público? Em que bases se apoiaria essa relação?
  • Será necessário definir “liberdade de expressão” em situações de moderação de comentários em sites e blogs?
  • Será preciso definir um novo estatuto público da informação nesses tempos de explosão de conteúdos?
  • Como se poderá restabelecer novos papeis para o jornalista como provedor/facilitador/aglutinador/tradutor/contextualizador das informações para o público?

Como o leitor deve ter percebido, estou cheio de questões, algumas muito aflitivas. A angústia faz parte do trabalho do pesquisador, mas como entendo que a dúvida é o motor de qualquer investigação, fico um pouco mais tranquilo. Só um pouco…

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