Aldo Antonio Schmitz
Mestrando em Jornalismo e pesquisador do objETHOS

As fontes arrogam-se uma série de direitos, geralmente não reconhecidos pelos jornalistas.

No início dos anos 90, o Centro Nacional de Vítimas da Imprensa, com sede em Forth Worh, no Texas, EUA, publicou um decálogo dos direitos dos entrevistados.

Inspirado neste documento, o Instituto Gutenberg realizou em 1995 uma pesquisa com 149 fontes de notícias no Brasil, entre banqueiros, empresários, administradores de empresa, comerciantes e profissionais liberais.

O resultado foi supreendente, visto que os entrevistados se acham no direito de recusar uma entrevista (94%), de escolher um porta-voz (85%), indicar a hora e local da entrevista (93%).

Segundo a pesquisa as fontes acreditam que podem recusar um determinado repórter (79%), desistir da entrevista marcada (55%) e decidir não ser fotografado (90%).

Revela ainda que as fontes têm o direito de não responder questões que acharem impróprias ou desrespeitosas (81%) e conhecer a pauta com antecedência (90%).

E o mais surpreendente, as fontes acham que podem mudar suas declarações (52%) e ler suas declarações antes da publicação (86%).

Dissem também que podem obter retificação (97%), processar por injúria, calúnia e difamação (95%).

Afirmam que se arrogam o direito de expulsar jornalista por invasão (92%), conhecer a identidade de quem o acusa (89%) e omitir os fatos (65%).

Mas, em geral, os jornalistas não aceitam algumas dessas condições das fontes.

Uma pesquisa concluída em 2010 e realizada durante quatro anos por Carlos Barber e Susana Damas mostra os dilemas éticos dos jornalistas de Madri.

Segundo os pesquisadores espanhóis, 93% dos jornalistas nunca ou raramente concordam que as fontes vetem as perguntas antes da entrevista ou escolham o entrevistador.

Ainda na pesquisa com jornalistas de Madri, 83% não admitem a revisão do conteúdo antes de publicar.

(Artigo publicado originalmente no blog do autor)