O Candidato

Por Guga Fakri

Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina

“O Candidato” ganhou o Oscar de Melhor Roteiro de 1972, graças ao roteirista Jeremy Larner, que agradeceu pela inspiração dos “políticos do nosso tempo”.  Larner escreveu discursos políticos para Eugene McCarthy, candidato à presidência dos Estados Unidos nas eleições de 1968, experiência que certamente ajudou a aproximar o filme da realidade. A direção é de Michael Ritchie, formado em Harvard na área de história e literatura. Ritchie sempre trabalhou com o humor e a sátira no cinema para criticar instituições sociais em seu país, principalmente durante a década de 70. A partir da década de 80 seus filmes tornaram-se comerciais e o diretor se especializou em comédias hollywoodianas. Em “O Candidato”, Ritchie e Larner nos ensinam como os publicitários, assessores de imprensa e profissionais de comunicação constroem a imagem de um político para vencer uma eleição. Mesmo depois de quase quarenta anos, o filme continua atual.

O advogado esquerdista Bill McKay (Robert Redford), filho de um ex-governador da Califórnia, é escolhido por um veterano em campanhas políticas, Marvin Lucas (Peter Boyle), para disputar as eleições para o Senado pelo Partido Democrata. McKay só é convencido a concorrer com a condição de poder falar sempre tudo o que quiser, sem restrições. Seu rival na disputa é o consagrado Crocker Jarmon, senador pela Califórnia por 18 anos consecutivos. Mesmo com pouquíssimas chances de vitória, Lucas e sua equipe apostam em Mckay e aplicam toda sua experiência para transformá-lo num verdadeiro político.

Para isso, usam várias técnicas de comunicação, principalmente de publicidade. Nas cenas de gravação e edição da propaganda política na TV é interessante observar a forma como a equipe decide manipular a opinião pública. Outro momento de destaque na transformação de McKay é a criação do plano político para área de segurança. Ele nunca teve um plano para isso, mas um candidato deve ter. “Eu criei um plano pra você. É o plano dos cinco itens”, é o que diz uns dos assessores da campanha, enquanto lhe entrega uma folha de papel. E o plano dos cinco itens se torna a resposta de Mckay para as indagações da mídia sobre seu plano para segurança.

O Clímax do filme é o debate entre Mckay e Jarmon. A vitória expressiva do primeiro confirma as previsões de Marvin Lucas. Bill Mckay é eleito senador pela Califórnia. Nesse desfecho, duas frases significativas resumem a situação. Primeiro, no momento em que o pai de Bill esclarece: ”filho, você é um político”. Bill olha para Lucas e pergunta: “e agora, o que faremos?”. Fica clara a crítica ao cinismo das campanhas políticas que manipulam os eleitores através de propaganda política. Cabe lembrar que o filme foi lançado no ano da fatídica reeleição de Richard Nixon.

FICHA TÉCNICA

Título original: The Candidate
Produção: Estados Unidos, 1972
Duração: 110 min.
Diretor: Michael Ritchie
Elenco: Robert Redford, Peter Boyle, Melvyn Douglas, Don Porter

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