O poder da imagem

Rachel Sardinha
Jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina

Neste filme produzido para a TV em 1990, Albert Finney é Jason Cromwell, o “jornalista mais confiável da América”. Apresentador do programa Aqui e Agora, ele passa as semanas inteiras viajando em busca de notícias polêmicas e pegando de surpresa seus entrevistados para levá-los ao ar (quer queiram ou não) todas as quartas-feiras às dez da noite. Ao lado do produtor Irv Mickelson, Cromwell faz um dos programas mais assistidos dos Estados Unidos. Mas enquanto a vida profissional anda de vento em popa, sua vida pessoal está cada vez pior.

O jornalista não tem mais tempo para a esposa e acaba se envolvendo com uma pesquisadora da equipe do programa. A esposa reclama que ele não dá a mínima para ela ou para o que ela faz, e que quando aparece é para discutir os problemas do programa. Seu egoísmo e orgulho começam a decair quando sérios casos são colocados em sua frente. “Quem te deu poderes de Deus?”, pergunta um homem acusado de ser um falso médico e de ter causado a morte de várias pessoas, inclusive bebês.

Teoricamente, todos os dados das matérias são verificados antes de irem ao ar. Mas a pressa de dar um furo faz com que o pior aconteça. Um bancário comete suicídio depois de ser acusado durante o programa de desviar dinheiro do banco. O produtor se sente culpado, mas Cromwell acaba esquecendo o fato até que a esposa do bancário aparece na sede do canal de televisão para dizer que seu marido era um homem íntegro e que as acusações feitas pelo jornalista não tinham fundamento.

Irv decide investigar a verdadeira história do banqueiro e vai para o Texas em busca de respostas. Mas o produtor não consegue voltar a Nova York: o avião em que estava sofre um grave acidente. Ironicamente, Irv havia enviado por correio uma fita de vídeo com gravações reveladoras sobre o caso a Cromwell, que resolve continuar as investigações do falecido amigo.

A briga, agora, não é pela audiência, e sim por mostrar aos telespectadores que a TV também é mentirosa, que as imagens também podem enganar. Uma semana depois de ter ido ao ar a matéria sobre o banqueiro do Texas, Cromwell apresenta o programa mostrando a todo o país o quanto ele (Cromwell) e todos do programa estavam errados em divulgar algo sem ter certeza se as informações estão corretas ou não.  Diz que a TV não pode ser o juiz, o júri e o carrasco dos casos que divulgam. Não tem esse direito.

O Poder da Imagem, dirigido por Peter Werner, mostra exatamente o poder que a televisão tem de opinar e influenciar sobre as vidas de milhares de pessoas que acabam se tornando personagens desse “jornalismo de emboscada”.

FICHA TÉCNICA

Título original: The image
Produção: Estados Unidos, 1990
Duração: 89 min.
Diretor: Peter Werner
Elenco: Albert Finney, John Mahoney, Kathy Baker, Swoosie Kurtz

 

Por Rachel Sardinha

Jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina

Neste filme produzido para a TV em 1990, Albert Finney é Jason Cromwell, o “jornalista mais confiável da América”. Apresentador do programa Aqui e Agora, ele passa as semanas inteiras viajando em busca de notícias polêmicas e pegando de surpresa seus entrevistados para levá-los ao ar (quer queiram ou não) todas as quartas-feiras às dez da noite. Ao lado do produtor Irv Mickelson, Cromwell faz um dos programas mais assistidos dos Estados Unidos. Mas enquanto a vida profissional anda de vento em popa, sua vida pessoal está cada vez pior.

O jornalista não tem mais tempo para a esposa e acaba se envolvendo com uma pesquisadora da equipe do programa. A esposa reclama que ele não dá a mínima para ela ou para o que ela faz, e que quando aparece é para discutir os problemas do programa. Seu egoísmo e orgulho começam a decair quando sérios casos são colocados em sua frente. “Quem te deu poderes de Deus?”, pergunta um homem acusado de ser um falso médico e de ter causado a morte de várias pessoas, inclusive bebês.

Teoricamente, todos os dados das matérias são verificados antes de irem ao ar. Mas a pressa de dar um furo faz com que o pior aconteça. Um bancário comete suicídio depois de ser acusado durante o programa de desviar dinheiro do banco. O produtor se sente culpado, mas Cromwell acaba esquecendo o fato até que a esposa do bancário aparece na sede do canal de televisão para dizer que seu marido era um homem íntegro e que as acusações feitas pelo jornalista não tinham fundamento.

Irv decide investigar a verdadeira história do banqueiro e vai para o Texas em busca de respostas. Mas o produtor não consegue voltar a Nova York: o avião em que estava sofre um grave acidente. Ironicamente, Irv havia enviado por correio uma fita de vídeo com gravações reveladoras sobre o caso a Cromwell, que resolve continuar as investigações do falecido amigo.

A briga, agora, não é pela audiência, e sim por mostrar aos telespectadores que a TV também é mentirosa, que as imagens também podem enganar. Uma semana depois de ter ido ao ar a matéria sobre o banqueiro do Texas, Cromwell apresenta o programa mostrando a todo o país o quanto ele (Cromwell) e todos do programa estavam errados em divulgar algo sem ter certeza se as informações estão corretas ou não.  Diz que a TV não pode ser o juiz, o júri e o carrasco dos casos que divulgam. Não tem esse direito.

O Poder da Imagem, dirigido por Peter Werner, mostra exatamente o poder que a televisão tem de opinar e influenciar sobre as vidas de milhares de pessoas que acabam se tornando personagens desse “jornalismo de emboscada”.

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