A Princesa e o Plebeu

Por Júlia Antunes Lourenço

Jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina

Café da manhã com funcionários da embaixada, visita à sociedade agrária, ida a um orfanato, coletiva de imprensa, almoço com governantes… A agenda sempre cheia da Princesa Ann a leva ter uma crise de histeria, no meio de sua turnê pela Europa. Roma é o cenário da fuga da princesa, que quer ter apenas uma vida normal.

É dormindo em um banco no centro da capital italiana que o jornalista americano, Joe Bradley, o plebeu em questão, a encontra. Quando descobre que seu achado é na verdade a princesa, vislumbra um grande furo de reportagem.  “Quanto você pagaria por uma entrevista pessoal, exclusiva e privada com a princesa?”, pergunta ao seu editor, do Serviço Americano de Imprensa (American News Service). O editor, achando impossível tal furo, oferece cinco mil dólares.

Agindo como se ainda desconhecesse a verdadeira identidade da moça, Joe Bradley, interpretado pelo galã Gregory Peck, parte para sua armação. O repórter a leva para passear por Roma. Com o codinome de Anya, a princesa, interpretada muito bem por Audrey Hepburn, se mostra uma jovem simples e encantada pelo cotidiano da cidade italiana. Mas enquanto ela passeia, investigadores de seu país vão a procura de seu paradeiro.

Apostando que sua idéia realmente dará certo, Joe ainda conta com seu amigo, o fotógrafo Irving Radovich. O filme segue então com um verdadeiro passeio turístico por Roma. Os três visitam o Coliseu, a “Boca das Verdades” e o Muro dos Desejos. Apesar de a armação estar funcionando muito bem, o jornalista não contava que acabaria apaixonado por Ann. À noite, atendendo ao pedido da princesa, os três vão a um baile no barco Sant’Angelo. É lá que os investigadores a encontram. Porém, Ann e Joe conseguem fugir.

Contudo o romance tem que chegar ao fim. Ann pede a Joe que ele a leve para casa. É com lágrimas nos olhos que os dois se despedem, cena que não poderia faltar em um bom romance “água com açúcar”.

Ao voltar para sua vida real, a princesa anuncia uma coletiva de imprensa. O jornalista, que já desistiu de sua reportagem, comparece a entrevista, onde Ann descobre a verdadeira profissão de Bradley. Apesar de romântico, o filme tem um fim bem realista, em que ambos reconhecem sua condição social, tornando impossível uma relação “para sempre”.

Já em relação ao jornalismo, se não fosse o final, com essa coletiva de imprensa daria para esquecer que o mocinho da história é jornalista. A profissão, pouco abordada, é mais um pano de fundo para a história se desenvolver e justificar o romance impossível entre diferentes classes sociais.

A Princesa e o Plebeu, no original Roman Holiday, foi dirigido por William Wyler em 1953. O filme teve dez indicações ao Oscar, das quais Audrey Hepburn levou a estatueta de melhor atriz. Esse foi seu primeiro papel como atriz principal. O filme também ganhou o Oscar de melhor roteiro original e é considerado até hoje um dos pioneiros no gênero “comédia romântica”.

FICHA TÉCNICA

Título original: Roman Holiday
Produção: Estados Unidos, 1953
Duração: 118 min.
Diretor: William Willer
Elenco: Gregory Peck, Audrey Hepburn e Eddie Albert

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