Capote

Por André Vendrami

Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina

Indicado a cinco categorias do Oscar 2006, entre elas a de melhor filme, Capote é para fazer pensar. Aos jornalistas, a profissão; aos demais espectadores, o homem. Aos jornalistas, o filme traz à tona a discussão, de décadas, sobre a ética profissional e até que ponto Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) serve de exemplo. Escritor do livro que marcou o início do romance-reportagem e ajudou a consolidar o que hoje é chamado de New Jornalism, Capote usou de todas as formas possíveis, do envolvimento emocional ao financeiro, para conseguir as informações necessárias para escrever A Sangue Frio.

É exatamente no período de seis anos que o jornalista leva pra escrever seu livro que o filme se ambienta. Desde que leu no  jornal a nota sobre o assassinato de uma família inteira em Holcomb, interior do estado do Kansas, à execução dos acusados condenados à morte. Junto com a amiga e também escritora Harper Lee (Catherine Keener), segue para a cidade onde os fatos aconteceram e começa a investigar. E é aí que o roteiro de Capote se encarrega de contar uma história que busca de toda maneira um final. O jornalista interessado em terminar seu livro não o consegue porque, ora os personagens não colaboram, ora o final se estende demais – a execução dos assassinos é adiada por algumas vezes.

Baseado no livro escrito por Gerald Clarke – Capote, Uma Biografia – o filme não chega a se transformar em uma cinebiografia do jornalista. Especialmente porque se detém no período de produção de A Sangue Frio. Gravado em apenas 36 dias e com um orçamento de apenas US$  7 milhões, o primeiro longa do diretor  Bennett Miller estreou nos cinemas americanos em 30 de setembro de 2005, dia do aniversário de Capote.

Merecedor do Oscar de melhor ator, Philip Seymour Hoffman se empenhou de fato em criar um Capote com todos seus trejeitos significativos nada caricatos e sim como traços da personalidade do jornalista. Hoffman perdeu cerca de 18 quilos para viver o escritor, treinou suas afetações, seu modo efeminado de falar, a maneira de portar-se como centro das atenções, tudo isso revela um amplo trabalho de pré-produção da personagem. Catherine Keener aparece pouco na película, mas também se faz notar por sua atuação. A interprete da escritora de O Sol é Para Todos foi indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante.

O livro A Sangue Frio foi publicado em 1966, e pouco tempo depois já se transformaria em filme. Depois de escrever essa sua obra, Capote, que já era autor do best seller Ao Começo do Dia – que também se transformou no filme Bonequinha de Luxo, em 1961- nunca mais escreveu um livro. Morreu em 1984, em decorrência de complicações com bebidas.

FICHA TÉCNICA

Título original: Capote
Produção: Estados Unidos, 2005
Duração: 98 min.
Diretor: Bennett Miller
Elenco:Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Clifton Collins Jr., Chris Cooper, Bruce Greenwood, Bob Balaban, Amy Ryan, Mark Pellegrino, Allie Mickelson, Marshall Bell, Araby Lockhart, R.D. Reid, Rob McLaughlin, Harry Nelken, Robert Huculak