Correspondente Estrangeiro

Por Renata Lucena Dalmaso
Jornalista graduada pela Universidade Federal de Santa Catarina

Diante da tensão de uma nova guerra mundial, o editor-chefe do New York Globe se vê em meio a releases vagos e distantes de seus correspondentes na Europa. Ele decide então que, para cobrir um assunto dessa importância, “era preciso de um repórter de verdade, alguém que não soubesse a diferença entre um ‘ismo’ e um canguru”. O que ele precisava era de um bom repórter de polícia.

É aí que entra Johnny Jones, o protagonista deste filme de Alfred Hitchcock. Em “Correspondente Estrangeiro” (1940), Joel McCrea interpreta o típico repórter de rua, que chamou a atenção de seu editor por ter batido em um policial atrás de uma história. Homem simples e honesto, ele ganha a missão de trazer fatos de verdade da Europa.

Sua primeira tarefa é conseguir uma declaração de um diplomata holandês que é peça chave nas negociações de paz. Ele perde a primeira oportunidade de entrevistar o Sr. Van Meer em Londres durante um jantar do Partido da Paz Universal organizado por Stephen Fisher, um contato do jornal. É neste jantar que conhece o amor da sua vida, a filha de Fisher, Carol, interpretada por Laraine Day. A próxima chance de entrevistar Van Meer seria em uma Conferência de Paz em Amsterdam.

Johnny presencia a morte de Van Meer nas escadarias da conferência, e junto com Carol e outro jornalista inglês, Scott ffoliotts, persegue o assassino do diplomata através das ruas e campos holandeses. A perseguição termina em um moinho, e enquanto Carol e Scott procuram pela polícia, Johnny entra e descobre que Van Meer ainda está vivo e quem foi morto foi um sósia. O diplomata, dopado, conta que seus captores querem que o mundo acredite que ele foi morto e que vão levá-lo de avião para algum lugar. Johnny se esconde e quando a polícia chega não há mais ninguém no moinho além de um trabalhador dormindo.

Agora Johnny está em território familiar, desvendando crimes e perseguindo assassinos. Mais tarde no hotel ele conta a Carol que pode não saber muito do movimento em favor da paz ou do que está acontecendo na Europa, mas reconhece uma história quando vê uma. Seu lema é continuar até conseguir a matéria ou morrer tentando (“stick to it untill I get it, or it gets me”).

Ao sofrer uma tentativa de assassinato pelo guarda-costas indicado por Fisher, Johnny percebe que ele é um traidor e espião para a Alemanha. Com a ajuda de Scott ffoliotts eles descobrem o paradeiro de Van Meer e o salvam. Enquanto isso a Inglaterra declara guerra à Alemanha e Stephen Fisher planeja sua fuga de avião para os Estados Unidos. Através de contatos de ffoliotts, eles conseguem embarcar no mesmo avião, que cai atingido por um navio alemão. Em uma cena a la Titanic, Fisher se sacrifica para salvar as vidas dos outros passageiros que tentavam se equilibrar sobre uma das asas da aeronave e morre como herói, redimindo-se perante sua filha e futuro genro.

Durante o decorrer da história Johnny sofre dois dilemas. Ele deve pensar apenas na matéria como um bom jornalista ou se preocupar com o bem estar dos outros primeiro? No primeiro caso ele não pode publicar sobre o seqüestro de Van Meer até que ele seja encontrado, do contrário poderia por em risco a vida do diplomata. No segundo caso, mais pessoal, ele luta com a decisão de publicar uma matéria que acabaria com a reputação do pai de sua noiva. Felizmente para ele, Carol compreende sua natureza de jornalista e assume os erros do pai, deixando que ele publique a história por completo.

FICHA TÉCNICA

Nome Original: Foreign Correspondent
Produção: EUA, 1940
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Joel McCrea, Laraine Day, George Sanders, Albert Basserman, Robert Benchley, Esmund Gwenn

 

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