A Trama

Por Camila Collato
Acadêmica de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina

            O filme narra a história de um repórter, Joseph Frady (Joe), que investiga uma possível conspiração na morte de um senador norte-americano, possível candidato à presidência. O atentado acontece em Seattle, em plena comemoração do dia da independência.

            O repórter não consegue presenciar o assassinato mas outra jornalista, Lee Carter, sim. Três anos após o incidente Lee procura Joe, apavorada, afirmando que alguém está matando todas as testemunhas que estiveram presentes no local. Ele não acredita na história, tratando Lee com sarcasmo e ceticismo, até que ela aparece morta dias depois.  Até então Joe é demonstrado como um jornalista decadente, ex-alcoolista, em busca de uma reportagem que reerga sua carreira. Seu editor, Bill, bem mais velho, não incentiva o repórter na investigação, pois se baseia no inquérito sobre a morte do senador, que concluiu a inexistência de uma conspiração e apontou um único culpado, o atirador.

Joe insiste mesmo assim e segue sozinho com a investigação. O filme se desenrola em um suspense, onde uma testemunha após a outra é assassinada e Joe se torna um alvo. Ao entrevistar uma das testemunhas em um barco, ocorre uma explosão e o jornalista é considerado morto. Aproveitando-se disto ele se infiltra na Parallax Corporation, uma organização que recrutaria assassinos profissionais e que seria responsável pelos atentados. Dias depois seu editor também é morto e Joe presencia mais um assassinato, agora do senador Gillingham, durante o ensaio de um comício. Neste ponto da história o jornalista, encurralado, também é morto. No final nada é desvendado pela Justiça, mais uma vez.

Analisando o comportamento de Joe, percebemos ao longo do filme que este toma para si a função de um investigador, um detetive, pois não compartilha a história com ninguém – talvez por medo de perder a exclusividade – e não hesita em tomar atitudes perigosas como entrar na casa de policiais envolvidos na conspiração para buscar evidências (como no início do filme onde investiga a morte de uma testemunha em uma pequena cidade) ou roubar o veículo do mesmo para fugir. Também não busca suporte externo profissional para conduzir a investigação (polícia, CIA, FBI) e utiliza de identidade falsa para entrar na Parallax Corporation.

Na busca pelas respostas o repórter acaba não zelando pela própria vida, o que resultou no total desconhecimento da conspiração pela população e pela Justiça, já que os únicos que sabiam de toda a história, ele e o editor, acabaram mortos. Dessa maneira o Jornalismo não cumpriu sua função de informar ao público algo importante, talvez por imprudência do repórter. Também se fizermos uma análise mais profunda, podemos notar um tom de crítica ao sistema judiciário pois, no momento em que os inquéritos e os relatórios chegam a uma conclusão, se gera o consenso entre as pessoas, abrindo poucas brechas para questionamentos do tipo “será que foi isso que realmente aconteceu?” ou “será que todas as possibilidades foram consideradas?”. Desta forma, o filme demonstra o papel do Jornalismo como um instrumento de “fiscalização” dos acontecimentos mas, se os resultados não chegam à população, o esforço é em vão.

FICHA TÉCNICA

Título original: The Parallax View
Diretor: Alan J. Pakula
Elenco: Warren Beatty, Hume Cronyn, Paula Prentiss, Anthony Zerbe, Kenneth Mars, Bill McKinney
Gênero: Suspense
Duração: 102 min
Ano: 1974
Cor: Colorido