Rogério Christofoletti
Professor da UFSC e pesquisador do objETHOS

O Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) completa dois anos de atuação na internet. Quando criado em 12 de setembro de 2009, o site tinha um propósito claro: contribuir para os debates sobre os valores e os princípios éticos que orientam as escolhas na profissão e que influenciam nos produtos informativos. É evidente que o propósito é ambicioso e a tarefa, muito complexa. No entanto, o curto período de trabalho tem mostrado a necessidade de perseguir esses objetivos de forma concentrada e equilibrada.

Iniciativa originada na academia, o objETHOS é resultado das atividades de pesquisa e de extensão universitário de um grupo de professores e alunos de graduação e pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A equipe desenvolve estudos específicos enfocando a ética jornalística e produz materiais que podem alimentar os debates na área. As pesquisas se dão em nível de iniciação científica e de mestrado. Os conteúdos disponibilizados no site são artigos, comentários, resenhas de filmes, bibliografias, códigos de ética, entrevistas em áudio com jornalistas, depoimentos em vídeo e outros materiais que abordem os temas da deontologia jornalística.

Um observatório para a ética jornalística se detém nos veículos de informação e nos procedimentos para se obter, produzir e difundir notícias. Interessam à equipe temas polêmicos sobre a conduta dos profissionais; deslizes, erros e infrações às normas éticas; acertos, boas práticas e bons exemplos de atuação; regulação de procedimentos, autorregulamentação do setor e regramentos do exercício jornalístico; ética da comunicação no Brasil e no exterior, e assuntos relacionados aos fundamentos do jornalismo como profissão e prática contemporânea. O leque de interesses é amplo, e existe muito a ser feito. A equipe do objETHOS não tem todas as respostas, mas tem disposição de sobra para formular perguntas e motivar a reflexão. Afinal, jornalismo não interessa apenas a jornalistas. É um tema de grande relevância para todas as pessoas, já que a informação qualificada é essencial para a tomada de decisões na vida social. Estar bem informado permite uma inserção mais segura no jogo da contemporaneidade.

Desta forma, analisar como o jornalismo é feito e como se dissemina na sociedade é compreender com mais profundidade a lógica que impera nas redações, a correlação de forças no mercado das comunicações e o espírito da categoria jornalística.

A universidade chama para si a responsabilidade de liderar a reflexão e o pensamento crítico. Não é a única instância para este exercício. Por isso, a academia busca o diálogo com a sociedade por meio da extensão universitária. O objETHOS também. Ao completar dois anos de atuação, a equipe atualiza seu ânimo e disposição para continuar a monitorar a ética no jornalismo; e renova seu ímpeto para debater com os profissionais da informação, os proprietários dos meios, os públicos, e os demais interessados na sociedade. Celebrar é tomar o fôlego para continuar a caminhada. A crítica ao jornalismo não deve ser uma prática movida pelo ódio, intolerância e negativismo, mas sim se orientar para auxiliar no aperfeiçoamento dos procedimentos e dos produtos informativos. Os jornalistas profissionais merecem este respeito. As audiências também.