Bar Esperança

Por Felipe Costa
Acadêmico de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina

A comédia Bar Esperança – O último que fecha (1983) é estrelada e dirigida por Hugo Carvana (28 anos mais jovem e 50 quilos mais magro do que hoje). Carvana também tem participação no roteiro, premiado com um Kikito no Festival de Gramado. O grande destaque do filme é a bela atuação de Marília Pera, interpretando Ana Moreno, uma atriz de televisão que sofre com o inoportuno papel de vilã da novela das oito.

O Bar que dá o título é o bagunçado ponto de encontro da boemia carioca. Nele se reunem artistas, intelectuais e bêbados durante a maior parte do filme. A comédia é irônica e satiriza figuras típicas do universo intelectual, como o artista Valfrido Salvador – o Salvador Daqui.

A trama se desenrola com a separação dos protagonistas, Zeca e Ana. Zeca (Carvana), um dramaturgo cansado de trabalhar para a televisão e de “entorpecer a cabecinha da classe média”, demite-se para escrever a “arte de verdade”. Ana se indigna, preocupada com o sustento dos dois filhos, Yuri e Babita. O casal fica separado até a cena final.

A ideia do longa-metragem, segundo Carvana, começou a nascer durante o processo de Anistia, em 1979. Na época, o diretor e outros atores reencontravam amigos voltando do exílio, relembrando histórias em algum bar. A metáfora acontece no desaparecimento dos personagens Zeca, Valfrido, Tuca, Nina e outros envolvidos na produção de uma peça em meio aos índios Tupiripá, no interior do Mato-Grosso. Na volta deles, comemorada no Bar Esperança, o clima é de carnaval.

O filme acerta parcialmente na caricatura de seus personagens. Zeca é um esquerdista utópico, um revolucionário de bar. A falha na sua criação cabe ao fato de que, uma vez separado da mulher, Zeca só tem olhos para ela – o que foge da realidade masculina. Em geral, falta sordidez – os personagens são muitos, com pouca profundidade aos secundários. Foge à regra Ana Morena,  interpretada por Marília Pera, o papel mais humano (e, por consequência, menos caricato).

Bar Esperança é uma comédia leve, sem grandes sacadas. Contemplativo por ter poucos cortes, dá tempo para quem assiste “viajar”. Um clima saudosista percorre o filme inteiro, como se todos os personagens vivessem nostálgicos e esperançosos. As cenas de nudez apimentam o filme, que por vezes beira uma pornochanchada. Destaque para o Streap-tease de Cotinha, interpretada pela atriz Silvia Bandeira, que na época batia um bolão. No geral, vale a pena.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Hugo Carvana
Elenco: Marília Pera, Hugo Carvana, Sílvia Bandeira, Wilson Gray, Paulo Cesar Pereio, Daniel Filho, Denise Bandeira, Antonio Pedro, Louise Cardoso, Nelson Dantas, Anselmo Vasconcelos, Luiz Fernando Guimarães
Roteiro: Armando Costa, Denise Bandeira, Euclydes Marinho, Hugo Carvana, Martha Alencar
Fotografia: Edgar Moura
Trilha Sonora: Tomás Improta
Duração: 127 min.
Ano: 1983
País: Brasil
Gênero: Drama

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