A mulher faz o homem

Por Rodolfo Conceição
Acadêmico de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina

Quando um senador do estado americano de Montana morre, o governador Hubert Hopper se vê pressionado de todos os lados na escolha do político que ocupará a cadeira, principalmente pelo magnata da comunicação Jim Taylor. Influenciado pelos filhos, Hopper escolhe o patriota líder de escoteiros Jefferson Smith. Visto como um homem ingênuo e facilmente manipulável, o nome de Smith ganha o apoio também dos políticos de Montana, entre eles o corrupto senador Joseph Paine, que assume o papel de padrinho político do novo parlamentar, mas que na verdade quer apenas usá-lo para aprovar um projeto que beneficiará Taylor.

Chegando a Washington, Smith fica encantado com a capital americana e todos os grandes símbolos da democracia americana, como o Capitólio, sede do poder legislativo, e o Lincoln Memorial. Seu deslumbramento faz com que ele se afaste da comitiva que o acompanha a Washington, deixando-os preocupado até o fim do dia, quando reaparece.

Sem prática no mundo da política, Smith começa a ser treinado pela sua assessora Clarissa Saunders, que no início não o leva a sério. Quando fica curioso sobre os projetos de lei tramitando na casa, Smith é orientado por seu padrinho político a não se ocupar com isso, mas sim em ele mesmo propor uma lei que possa beneficiar o estado deles. Com isso, Joseph Paine pretende manter Smith afastado do esquema de corrupção em que está envolvido.

Motivado por Paine, o sonhador Smith pede a ajuda de sua assessora para escrever um projeto de lei que criará um acampamento para jovens de todo o país no afluente do rio Willett Creek. O idealismo do jovem político cativa Clarissa, que passa a ter simpatia por Smith e decide ajudá-lo com seus projetos.

Só o que Smith não sabia é que o projeto que Joseph Paine quer aprovar, manipulado por Jim Taylor, é a construção de uma barragem no mesmo rio onde Smith quer montar o acampamento. Para tirá-lo do caminho, Taylor vai a Washington e passa a usar seus veículos de comunicação para espalhar falsas notícias sobre o novo senador, tentando assim evitar que sua proposta seja aprovada no senado.

Começa assim um grande duelo entre Davi e Golias. De um lado, o ingênuo Joseph Smith, que tem apenas sua assessora para apoiá-lo; do outro, o poderoso Jim Taylor, usando todo seu aparato de comunicação para difamar o adversário e tirá-lo da sua cadeira no senado.

Clássico absoluto do cinema, o filme faz parte da Biblioteca Nacional do Congresso dos Estados Unidos, mas gerou grande controvérsia na época do seu lançamento, por mostrar tão abertamente a corrupção como uma situação cotidiana, o que gerou acusações ressentidas da mídia americana de se tratar de um filme antipatriota.

Esta comédia dramática de Frank Capra é uma crítica feroz tanto à política quanto à imprensa. O filme mostra os danos causados quando tanto o político como o jornalista se comprometem com outros interesses que não os da sociedade. Mesmo sendo de 1939, a temática do filme se mostra atual até hoje. Enquanto nem sempre podemos destacar no cenário nacional um político com características comparáveis ao senador Jefferson Smith, que age de forma ética e visando melhorias para o seu povo, vemos incontáveis senadores Joseph Paine. E também alguns Jim Taylor.

FICHA TÉCNICA
Título original: Mr. Smith goes to Washington
Produção: Estados Unidos, 1939
Duração: 129 minutos
Direção: Frank Capra
Roteiro: Sidney Buchman e Mylles Connolly, baseado em história de Lewis R. Foster
Trilha: Dimitri Tiomkin
Elenco: James Stewart, Jean Arthur, Claude Rains e Edward Arnold