Resenha: Tropa de Elite 2 (2010)

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Tropa de Elite 2

Por Carolina Dantas
Acadêmica de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina

A segunda parte da história do Capitão Nascimento é a maior bilheteria do cinema brasileiro, com 1,25 milhão de espectadores em seu primeiro fim de semana em cartaz. Tropa de Elite 2 desenvolve o enredo da corrupção política em momento de eleição, joga na cara do povo o jogo de poder entre o tráfico e os candidatos.

O início do enredo é um flashback ao estilo Cidadão Kane. O personagem de Wagner Moura, Capitão Nascimento, lembra uma ação do BOPE, comandada por ele e André Matias, interpretado pelo ator André Ramiro, num presídio do Rio de Janeiro. Neste ponto já começam as negociações com outro setor não abordado no primeiro filme: os Direitos Humanos do Cidadão. Capitão Nascimento quer ser radical com a revolta na penitenciária e os intelectuais defendem o direito à vida do criminoso. O começo é forte, mas Tropa de Elite 2 mostra com precisão o que está abaixo da questão.

Mais de 120 mil pessoas vivem na favela da Rocinha, mais de 60 mil no Morro do Alemão. Conseguir eleitorado por lá é essencial. O diretor e roteirista José Padilha aborda a negociação feita para a busca de votos na comunidade. O jornalismo, neste filme, cumpre o seu papel: fiscaliza o poder a favor do interesse público.  Dois jornalistas, por conta própria – o editor não havia apoiado a pauta – desconfiam de suborno por parte dos candidatos dentro de uma favela do Rio de Janeiro.

Os jornalistas encontram material de propaganda política abrigado no morro. São assassinados e impedidos de divulgar a informação. A ideia do diretor mostra a importância da reportagem investigativa para a questão, mas também a fragilidade da apuração que envolve o crime. Capitão Nascimento aparece na cena anterior e fala, inclusive, da personalidade da imprensa que muitas vezes se vê imortal quando busca uma matéria.

Em Tropa de Elite 1, Wagner Moura deu vida ao forte personagem que critica o esquema do tráfico, desde o policial corrupto, até o próprio consumidor da droga. Para Nascimento, quem compra também financia o tráfico. Para muitos críticos, tal visão da primeira parte do filme é superficial, sem abranger o que seria o impulso do conflito: a interferência incorreta do governo na dita “economia do tráfico”.

A resposta à crítica é a sequência do primeiro filme, que estreou em 2010. Tropa de Elite 2 retrata tudo. E, para muitos, é chocante ver o que todos sabiam, mas ninguém vê. Na metade do enredo, o próprio personagem de Wagner Moura se diz preso pela máquina corrupta criada dentro das Secretarias de Segurança Pública, pelos políticos em eleição e pelo povo que é viciado na droga. José Padilha encerra seu filme com imagens do Planalto Central, em Brasília, e frases de efeito que criticam a política do País.

FICHA TÉCNICA

Diretor: José Padilha
Elenco: Wagner Moura, Maria Ribeiro, Irandhir Santos, André Ramiro, Seu Jorge, Milhem Cortaz, Sandro Rocha, Emilio Orciollo Netto.
Produção: Marcos Prado, Malu Miranda
Roteiro: José Padilha, Bráulio Mantovani
Fotografia: Lula Carvalho
Trilha Sonora: Pedro Bromfman
Duração: 118 min.
Ano: 2010
País: Brasil
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Zazen Produções Audiovisuais
Estúdio: Zazen Produções
Classificação: 16 anos

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Um comentário sobre “Resenha: Tropa de Elite 2 (2010)

    Mon disse:
    13 de outubro de 2011 às 9:04

    Oi Carol,

    Então, só para complementar, acho legal destacar a parte da história inspirada em fatos datados.
    Tropa de Elite 2 fala sobre um momento bem específico da história do Rio de Janeiro ao mesmo tempo que mescla esse momento com o mundo do Capitão Nascimento, apresentado no filme anterior.

    O personagem Fraga, do filme, é totalmente inspirado no Dep. Marcelo Freixo, do PSOL, e o filme relata o funcionamento das milícias nos morros cariocas e como, a partir da condescendência dos políticos com os criminosos, se estabeleceu um poder paralelo que por lá se perpetua.

    Há uma matéria excelente sobre o filme, para quem quiser saber mais dos fatos reais representados no filme, no endereço: http://juntos.org.br/2011/01/tropa-de-elite-ii-muito-alem-da-ficcao/

    É claro que, muito longe de ser despretensioso, o filme aborda outras questões, como a relação da esfera federal com essa situação toda e, não menos importante, a polêmica sobre “qual o limite dos direitos humanos?”.

    Pessoalmente, discordo de muitos “flashes” de opinião do diretor que ficam claros ao longo do filme, e escancarados no final. Contudo, todos os questionamentos apresentados são pertinentes.

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