Quiz Show – A verdade sobre os bastidores

Por Camila Garcia
Acadêmica de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina

O filme Quiz Show – A Verdade dos Bastidores conta como o programa de televisão Vinte e Um foi cuidadosamente planejado para ter um formato de perguntas e respostas de alta complexidade e forjado repetidamente para manter a alta audiência. Baseado na história real descrita no livro Remembering  America, de Richard Goodwin, o longa-metragem mostra a dura verdade da programação televisiva, o trabalho intenso em busca da popularidade e a falta de limites éticos para transmitir exatamente aquilo que o público quer ver.

O jovem advogado Dick Goodwin trabalha para o comitê do Congresso dos Estados Unidos e desconfia que o concurso é uma fraude. Para descobrir a verdade, contará com a ajuda de um dos últimos concorrentes forçados a desistir dos seus momentos de fama, Herbie Stempel. É nessa busca pela realidade dos bastidores que o filme se desenrola e que grande parte do debate ético é feito.

Aos poucos, Goodwin percebe que há mais por trás das câmeras do que aquilo que o público acha ou espera. Em tese, apenas três pessoas sabiam do esquema que mantinha o vencedor no auge – o próprio competidor e dois produtores. Contudo, a investigação de Goodwin ganha uma amplitude ainda maior, com a denúncia de uma das maiores redes de televisão dos Estados Unidos, a NBC. O contraste é visível – ética e verdade versus audiência e dinheiro.

Mesmo inspirado por sua investigação e por seus ideais, Goodwin se identifica com um outro personagem,  Charles Van Doren, o atual competidor e vencedor do jogo. O roteiro deixa claro a tênue linha que separa o que é ético e o que é considerado humano. Além da luta contra a fraude da televisão, o jovem advogado luta também com a vontade de deixar alguém se livrar pelos crimes que cometeu.

Do ponto de vista ético, o roteiro debate também o poder da influência. Enquanto Herbert Stemple, o personagem suburbano, judeu, desajeitado e nerd, é facilmente descartado pelo programa, Charles Van Doren, personagem cujo sobrenome faz parte da tradição literária norte-americana, PhD em literatura, charmoso e bonito, é adorado pela audiência e, por consequência, por toda a sua produção.

Já no julgamento, com todas as provas expostas, a dura realidade é jogada de maneira brusca para o telespectador.  Uma das últimas frases ditas no filme por Goodwin resume os fatos melhor do que eu poderia: “Eu pensei que pegaríamos a televisão. Mas ao final das contas, foi a televisão que nos pegou”.

O final, contudo, é relativo. Para mim, a frase que citei poderia ser a última cena do longa, mas os produtores optaram por um fim mais clássico: Após o julgamento, cada um dos personagens tem seu destino descrito na tela. Uma maneira de mostrar que as decisões – éticas ou não – influenciam no rumo da vida de cada um? Talvez. Mas foi um final óbvio para um filme que, até então, foi surpreendente.

FICHA TÉCNICA

Título original: Quiz Show
Ano: 1994 (EUA)
Direção: Robert Redford
Elenco: John Turturro, Rob Morrow, Ralph Fiennes, Paul Scofield
Duração: 134 min
Gênero: Drama