A agenda dos pesquisadores do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) estará bem agitada em novembro e dezembro: quatro de nossos mestrandos passam por exames de qualificação de suas pesquisas e um defende sua dissertação.

22 de novembro
Qualificação do trabalho “Jornalismo, credibilidade e legitimação: imagem de si e construção do ethos no discurso jornalístico”, de Cândida de Oliveira
Orientador:
Rogério Christofoletti

Resumo: Esta pesquisa investiga os processos de credibilidade e legitimação do jornalismo, em sua dimensão institucional e discursiva. Compreende-se que o jornalismo encontra credibilidade e legitimidade pública ao exercer um poder organizador que, derivado da palavra consignada, lhe confere o status de instituição social. No contexto atual, a substituição da referência à realidade – ancorado no critério de verdade, o que contribui para sustentar a credibilidade – pela autorreferência no discurso jornalístico denota transformações no modo como o jornalismo se apresenta para a sociedade, ou seja, como constrói a imagem de si, parte integrante do ethos discursivo. Diante disso, a pesquisa investiga a representação que o jornalismo faz de si na construção do ethos e as implicações dessa representação nos conceitos de credibilidade e legitimidade jornalística. A discussão será sustentada ainda por uma análise empírica focada no discurso institucional e opinativo de quatro grandes jornais brasileiros: Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, O Globo e Zero Hora. De modo geral, a pesquisa busca compreender e explicar como o jornalismo constrói a imagem de si e o ethos, e de que forma essa imagem interfere na credibilidade e legitimação do jornalismo. A pesquisa filia-se em referenciais teórico-metodológicos que se inscrevem na teoria do jornalismo, da nova retórica e da análise do discurso, o que permite levar em conta não apenas a organização desse discurso, mas também seu funcionamento e produção de sentidos.

28 de novembro
Qualificação do trabalho “Jornalismo e conhecimento sob a perspectiva da participação de leitores online”, de Vanessa Hauser
Orientador:
Francisco José Karam

Resumo: Buscando refletir sobre as aproximações entre jornalismo e conhecimento para observar como essa perspectiva teórica se adapta às mudanças trazidas pela internet ao jornalismo, a pesquisa parte da análise das intervenções dos leitores (comentários) nas notícias do portal estadão.com.br (Brasil). A reflexão discute os conceitos de senso comum e senso crítico. Parte de uma perspectiva dialética – entendida enquanto diálogo e crítica – para tentar compreender a natureza das intervenções dos leitores e, se em sua relação com o texto da notícia, consegue contribuir com o potencial crítico do jornalismo – entendido como forma de conhecimento especialmente por sua capacidade de revelar o novo.

29 de novembro
Qualificação do trabalho “Da convicção à responsabilidade: desvendando o ethos do discurso jornalístico”, de Carolina Pompeo Grando.
Orientador:
Francisco José Karam

Resumo: Estudo sobre o ethos discursivo do jornalismo. Considera-se o ethos noção determinante e esclarecedora da dimensão discursiva do jornalismo, sendo o discurso um espaço simbólico de disputa de poder, de lutas hegemônicas, de ideologias, no qual circulam sentidos e significações de diversos aspectos da realidade social. Essa pesquisa empreende uma investigação sobre o caráter do discurso jornalístico baseada nos conceitos de convicção e responsabilidade. Para tanto, recorre aos estudos do discurso, da retórica e do ethos e à Análise de Discurso Crítica como opção teórico-metodológica adequada para a apreensão dos sentidos presentes no discurso jornalístico que indicam qual é seu ethos.

01 de dezembro
Qualificação do trabalho “Liberdade de expressão e tensões público x privado: jornalistas nas redes sociais”, de Janara Nicoletti
Orientador:
Rogério Christofoletti

Resumo: Com as mídias sociais na internet, a forma de comunicar foi reconfigurada. Diante deste novo cenário, organizações jornalísticas buscam um reposicionamento que garanta fidelizar seus públicos e manter seu poder midiático. Para direcionar e efetivar as estratégias empresariais de presença nos novos meios, são instituídas diretrizes de uso de redes sociais. Como inexiste um balizador comum, cada empresa determina suas próprias normas e regimentos, com base em valores e metas próprios – o que pode interferir na qualidade profissional e no cumprimento dos preceitos éticos e deontológicos do Jornalismo. Acima disso, pode comprometer a liberdade individual dos profissionais. Este trabalho irá investigar como as organizações jornalísticas orientam a conduta de seus colaboradores nas novas mídias, a partir da formulação de normas técnicas e deontológicas de uso das redes sociais, e até que ponto esta padronização de postura interfere no trabalho diário e na liberdade de expressão dos colaboradores.

07 de dezembro
Defesa da dissertação “Jornalismo cidadão: profissionalidade e amadorismo nos jornais do Grupo RBS em Santa Catarina”, de Marcelo Barcelos
Orientador:
Rogério Christofoletti

Resumo: O jornalista não está mais sozinho para apurar os acontecimentos, escrever as notícias e distribuí-las. Com a revolução tecnológica que reconfigura não só suas práticas, mas também a própria função social, ao lado do profissional, está o amador, o cidadão comum, aquele a quem se deu, por muito tempo, o nome de público/receptor. Hoje, o leitor pode ser um produtor de conteúdo noticioso e, para isso, apropria-se de competências antes exclusivas dos repórteres, como apurar, narrar fatos inéditos e produzir o noticiário, em um fenômeno conceituado “jornalismo cidadão”. É tentando entender os impactos provocados pela chegada desse personagem no jornal impresso e no âmago da cultura jornalística que este trabalho mergulha. Parte-se do princípio que legitimou a produção de conteúdo amador independente até o instante em que as mídias tradicionais passaram a adotá-la, elevando o cidadão à condição de leitor-repórter. Para compreender esse recente paradigma, analisamos um corpus de 27 edições – durante uma semana completa dos quatro jornais do Grupo RBS em Santa Catarina: Hora de Santa Catarina, Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e A Notícia. A investigação, utilizando o método exploratório na análise de textos e fotografias, caracterizou a produção amadora publicada conforme os seguintes critérios jornalísticos: a) autoria; b) foco narrativo; c) atualidade; d) interesse público e) gênero f) hard news e g) soft news. A análise ainda inclui entrevistas presenciais com jornalistas das quatro redações, à procura de traços dessa nova forma de relacionamento com o público e das tensões provocadas em sua profissionalidade. Rodeado de enunciados intencionais que o convocam à colaboração, o público atende a um chamado e produz conteúdo de natureza informativa; muito desse conteúdo, no entanto, é carregado de um caráter pessoal. As produções aparecem em quase todas as editorias, ora na voz do cidadão, ora diluída na edição do jornalista, que a complementa. É possível identificar um elevado grau de dependência no qual o jornalista demonstra a necessidade do leitor para “fechar o jornal”. No outro lado do balcão, os jornalistas ainda se moldam à partilha, enquanto defendem seu conhecimento específico, conquistado entre a prática e a formação acadêmica, para tratar – com ética, veracidade e equilíbrio – o que vem de fora da redação, sob o risco da abertura de espaço à imprecisão e à narrativa falseada. Os jornalistas reconhecem, no entanto, a necessidade cada vez maior chamar o leitor à produção em uma “Coautoria Vigiada” e admitem terem aberto mão de algumas tarefas até então exclusivas.