A testemunha ocular

Por Cinthia Raasch
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina

Bernzy, um fotógrafo free-lancer que trabalha para os tablóides da Nova Iorque dos anos 1940, é o protagonista deste filme neo noir de Howard Franklin. Sua rotina era vagar pela cidade à noite em busca de crimes e tragédias até que é chamado pela sensual viúva Kay Levitz para investigar Emilio Portofino, um empresário que aparecera após a morte de seu marido contestando sociedade no clube que coubera a Kay no testamento. A viúva acredita que os contatos de Bernzy o auxiliariam a levantar informações.

O fotógrafo vai ao encontro do tal homem, mas acha-o assassinado. Ele avisa a polícia e passa a ser visto como suspeito. No interrogatório descobre que o FBI já investigava Portofino, um gangster que participava de um esquema de venda de cupons de gasolina.

A máfia dos Farinelli é o próximo grupo a chamar Bernzy para uma conversa. O fotógrafo não revela como foi envolvido no caso, afinal já estava apaixonado pela bela mulher que pedira sua ajuda e também imaginava as fotos que faria.  Descobre-se que o ex-marido de Kay também se envolvera no caso.

Bernzy descobre ainda que há mais um grupo envolvido no esquema, comandado por Spolleto, além de membros do próprio governo. O fotógrafo percebe um traidor entre os Farinelli e por meio dele é informado que Spolleto fará um ataque surpresa à máfia rival para matar todos os seus integrantes.

Esta fonte, que o informa quando será o ataque, é assassinada por um integrante da quadrilha de Spolleto, o qual tenta assassinar Bernzy também. Isso porque Kay havia sido pressionada pela máfia a contar o que o fotógrafo sabia, a fim de não perder seu clube.

No dia do ataque o fotógrafo se infiltra no restaurante e registra a chacina que extermina todos os membros da máfia de Farinelli. Quando um mafioso aponta uma arma para Bernzy, este enfrenta a morte para tirar uma boa fot: posiciona sua câmera para fotografar seu último instante, mas é salvo quando aquele gangster é morto por outro que não vira o fotógrafo.

Graças a este trabalho, Bernzy torna-se uma celebridade e finalmente tem a oportunidade de publicar seu livro de fotografias e também começar um relacionamento com Kay.

O apelido de “O excelente Berzyni” (The great Berzyni) é devido à obtenção de furos e a rapidez com que chega aos locais, antes de seus colegas e até mesmo da polícia. Porém esconde os métodos ilícitos utilizados para ter acesso às cenas, seja no suborno de porteiros e delegados, seja na mentira contada ao guarda para entrar em prédios públicos. Seu trabalho é sensacionalista e é obtido muitas vezes por meio de propinas. Fica o questionamento: até que ponto o fim justifica os meios?

Embora faça uso de métodos antiéticos, o fotógrafo tenta manter-se íntegro ao não tomar partido, nunca, de lado algum – assim como deve fazer todo jornalista: ser imparcial. Outras características de destaque são sua coragem e obstinação, ele persiste e arrisca sua vida para obter furos.

O filme mostra o lado investigativo da profissão, que tanto apaixona alguns jornalistas. Porém deve-se deixar bem claro que jornalista não é policial, sua função é trazer a informação ao público, e não desvendar crimes e, por consequência, por sua vida em risco.

Bernzy é um personagem inspirado no fotógrafo Arthur Weegee Felig e algumas imagens do filme pertencem a Weegee.

FICHA TÉCNICA

A testemunha ocular (The public eye, 1992, EUA)
Gênero: Suspense/Policial
Diretor: Howard Franklin
Produtores: Robert Zemeckis e Sue Baden-Powell
Elenco: Joe Pesci, Barbara Hershey, Dominic Chianese, Stanley Tucci,Richard Schiff, Jerry Adler

Duração: 99 minutos