“Métodos de pesquisa e investigação” foi a mesa da manhã no segundo dia do 2º Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo (Bapijor), com a presença das jornalistas Daniela Arbex e Sandra Crucianelli, e do professor Eduardo Meditsch, além do mediador Carlos Castilho.
Daniela Arbex abriu as discussões contando suas experiências de trabalho na Tribuna de Minas. Do caso Koji à Cova 312, ela explicou suas metodologias de apuração, de construção de matérias, e das repercussões de suas premiadas reportagens. “Jornalista tem gastar sola de sapato”, diz Arbex, explicando que a grande metodologia de aprendizado jornalístico é a tentativa e erro. Suas reportagens contem, sempre, um trabalho de documentação intenso, a procura, como ela diz, de “provas irrefutáveis”. A jornalista se destaca pelo seu trabalho premiado nacionalmente e publicados em um jornal regional, provando que há espaço para investigação em veículos de menor circulação.

Sandra Crucianelli se aprofundou nas pesquisas de bases de dados, um dos recentes ramos de prática jornalística. Tão recente, que ela aponta um despreparo dos jornalistas para utilizarem estas novas ferramentas. A jornalista vê na interdisciplinaridade uma saída para que se possa ter uma boa relação com estas informações brutas, utilizando-se, por exemplo, da estatística. Crucianelli ilustrou a atual situação da política mundial quanto à transparência, e sobre como atua hoje a aliança pelos governos abertos. Na América do Sul, Brasil, Uruguai e Chile já aderiram ao movimento, que pretende criar um sistema Open Data, com a disponibilização de documentos oficiais em vários formatos, permitindo o acesso livre e a criação de bancos de dados com eles. Como ela mesma diz, “ver os dados na tela não quer dizer que tenho acesso a eles”.

Eduardo Meditsch apresentou um breve histórico acadêmico da evolução da metodologia no jornalismo. Na verdade, para ele é um histórico de não-evolução, já que desde 1904 pouco se desenvolveu para pensar uma maneira teórica de entender o jornalismo. Enquanto comumente não se reconhece o jornalismo como uma área de conhecimento, o professor acredita que é nesse reconhecimento que se pode criar uma teoria. Olhando para o passado, desde os problemas para se fixar um curso na Universidade de Colorado, até a passagem de jornalismo para comunicação de massa na Segunda Guerra, a utilização da teoria para pensar a profissão foi se diluindo, e passando a ser praticada por disciplinas de fora. Meditsch acredita que os estudos no jornalismo aderem a um padrão de baixa qualidade, o que, em suas palavras, “é uma falha da instituição acadêmica do jornalismo”. Como solução, ele apresenta a autocrítica da academia, para deixar de estudar sobre jornalismo e passar a estudar o jornalismo.

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