“Investigação na política: técnica, ética e estratégia” foi a primeira mesa de debates do 2º Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo, contando com a presença de Lila Luchessi, James Alberti e Francisco José Castilho Karam. O painel aconteceu na manhã de hoje, 17, no auditório da Reitoria da UFSC.

A professora Lila Luchessi abriu a discussão falando sobre a situação atual da cobertura política no jornalismo, com foco nos grandes veículos argentinos. Luchessi trouxe as mídias digitais como fator essencial para mudanças no cenário da profissão. Enquanto o jornalismo se aproxima do público, perde profundidade e credibilidade em suas produções, e a política perde seu espaço no interesse do público. A professora propôs um aprofundamento de interações entre jornalista e fonte, e uma análise nos interesses reais do público, onde, na Argentina, a política aparece apenas em quarto lugar nas prioridades dos leitores.

O jornalista James Alberti trouxe sua visão de quem está no mercado, e que pratica jornalismo investigativo na política. Sua série de reportagens, Diários Secretos, revelou a presença de funcionários fantasmas dentro da Assembleia Legislativa do Paraná. Alberti explicou como hoje a transparência política é falsa, e o sigilo “é uma ferramenta de controle”. Sua investigação, de dois anos, aponta a importância do cruzamento de dados, tendo em vista o trabalho feito pela equipe de reportagem, de levantamento de quatro anos de diários públicos da Assembléia, e a descoberta de “diários avulsos”, parte chave da série.

Francisco Karam deu uma opinião mais acadêmica, resgatando as primeiras grandes coberturas, com a guerra da Criméia, para falar da importância do repórter. Para ele, a essência do jornalismo é investigação, e o repórter é perseguido, desde o início, por executar o seu trabalho. Daí surge uma contradição, entre o exercício da profissão e o risco que sem tem ao executá-la. Karam levantou a questão do financiamento do jornalismo, uma atividade que para ele “nasce como um negócio, mas termina atendendo a um interesse público”. Quem paga o jornalismo? O envolvimento do dinheiro pode privar a livre atividade de apuração, mas o dinheiro público parece não suprir as necessidades , ou pior, não tem interesse. O professor encerrou falando da importância da academia se voltar para investigar o próprio jornalismo. Em suas palavras: “A academia precisa fazer mais pesquisas em jornalismo, e pesquisas críticas”.

O Bapijor é uma promoção do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR) e do Observatório de Ética Jornalística (objETHOS), com patrocínio da Fapesc e PRAE/UFSC, e apoio da Abraji, Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (SJSC), ACI, Fapeu e Departamento de Jornalismo da UFSC.

[ Acompanhe a cobertura em tempo real pelo Twitter, seguindo @objethos e a hashtag #bapijor]

Advertisements