Guillermo Mastrini, Samuel Lima e Mylton Severiano debateram na tarde desta terça-feira, 17, sobre “Investigações de empresas e organizações: riscos, padrões e tabus”. A jornalista Simone Kafruni, do Diário Catarinense, foi a mediadora. Políticas de comunicação na América Latina, as dificuldades enfrentadas por jornalistas para investigar empresas e experiências alternativas na prática jornalística ocuparam a pauta.

Mastrini começou falando sobre a relação entre os governos progressistas e as políticas de comunicação na América Latina. Ele entende que estas políticas tem se transformado com rapidez na última década e identifica três fatores essenciais de transformação relacionadas à tecnologia, política e economia. O professor ainda apresentou uma análise comparativa sobre as políticas de comunicação desenvolvidas em todos os países latino-americanos. “Ao fazer uma síntese dessa análise percebemos que os maiores avanços em termos de políticas de comunicação se deram na Venezuela e na Argentina”, argumenta. “O desafio é que os próprios meios de comunicação, de um modo geral, não falam sobre suas políticas.”

Métodos de investigação em organizações públicas e privadas foi o tema da fala de Samuel Lima. O professor iniciou sua fala questionando o fato de que o jornalismo é muito mais tímido para investigar empresas privadas do que públicas e enfatizou o papel da investigação nas empresas privadas como fator essencial para o fortalecimento da democracia. Trouxe para o debate a ideia de método indiciário de investigação, baseado no autor Carlo Ginzburg. Encerrou sua participação salientando a importância de uma reelaboração crítica do jornalismo em sua relação com os poderes.

Com mais de 50 anos de experiência, Mylton Severiano tratou da sua trajetória profissional. Relembrou que sua carreira foi interrompida pelo Golpe Militar de 1964 e que, como alternativa, junto de colegas, iniciou projetos de jornalismo alternativo, o que consolidou sua carreira em uma realidade um pouco mais distante das empresas privadas do setor. “Os jornalistas, no Brasil, tem se esforçado para acabar de vez com o jornalismo”, critica.

Na sessão de debates, Mastrini reforçou que o poder público vem sendo bastante investigado pelos jornalistas, mas o setor privado, muito pouco. “Quem está sob a lupa dos investigadores são os políticos, os governos. As empresas são muito pouco observadas”, disse. Na mesma trilha de apontar fragilidades nas coberturas, Samuel Lima lembrou que a maioria das reportagens sobre corrupção se concentram sobre quem se vende, quem se corrompe. “Os corruptores, quase nunca, vêm à tona!”.

O Bapijor continua na quarta-feira, 18, com as mesas de discussão “Métodos de Pesquisa e Investigação” e “Riscos Profissionais e Acadêmicos”. As atividades começam às 09h30, no auditório da Reitoria da UFSC. O evento é uma promoção do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (POSJOR) e do Observatório de Ética Jornalística (objETHOS), com patrocínio da Fapesc e PRAE/UFSC, e apoio da Abraji, Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (SJSC), ACI, Fapeu e Departamento de Jornalismo da UFSC.

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