Thiago Amorim Caminada
Mestrando no POSJOR/UFSC e pesquisador do objETHOS

As regras do jogo mudaram. Não se faz mais jornalismo do mesmo jeito. Com as novas possibilidades tecnológicas, aqueles que antes eram considerados expectadores, se transformaram em jogadores aptos a participarem das partidas e a disputa por espaço ficou mais acirrada. No entanto, jornalistas profissionais e não profissionais estão criando uma rivalidade desnecessária, pois não há nada que os impeça de formarem um mesmo time. Basta que se estabeleçam novas e melhores regras.

Assim como as técnicas, práticas e posturas aceitáveis aos profissionais da notícia, tanto no exercício do jornalismo quanto além dele, são debatidas e afirmadas por entidades e empresas, a audiência participativa e colaborativa também deveria receber atenção referente ao seu grau de responsabilidade. Um caminho seria contemplar a atuação dos profissionais diante dessa avalanche de conteúdos e as ações dos não profissionais na redação de códigos de ética e manuais de redação.

Os códigos e manuais podem propor condutas éticas dos profissionais da redação diante das novas formas de colaboração dos públicos jornalísticos como fontes, como colaboradores e produtores de conteúdos. Sugerir como responder às duvidas e aos questionamentos que chegam publicamente através das redes sociais na internet. Orientar como proceder diante de críticas, denúncias e elogios. Ou seja, como corresponder às expectativas desses públicos ávidos por um diálogo mais franco e por estabelecer parcerias com os editores e jornalistas.

Os códigos e manuais também podem se preocupar com a atuação dessas pessoas. Delimitar quais conteúdos são considerados desejáveis e quais são inaceitáveis, assim também como seus comportamentos. Esclarecer quais são os melhores canais de interação e abordagem, prever também possíveis obrigatoriedades e punições. Tudo isso, é claro, de forma aberta à participação e colaboração dos públicos e de cerceamento ou controle desse conteúdo.

A inclusão dos públicos em manuais de redação e códigos de ética serve para dignificar as novas relações estabelecidas por eles com veículos, jornalistas. Pode contribuir, ainda, com a qualidade dessas participações, ao possibilitar maior valorização da audiência ao convidá-la para participar do estabelecimento desses novos parâmetros e orientando-a sobre os valores fundamentais do jornalismo. Construídas em conjunto, as novas regras do jogo podem possibilitar novos esquemas táticos e uma forma de jogar mais evoluída. Um jornalismo possível para profissionais e não profissionais.