O britânico The Guardian publicou ontem (12) os resultados de uma pesquisa que analisou 70 milhões de comentários escritos no site do jornal desde 2006. O alto número inclui postagens bloqueadas pela moderação por se desviarem do assunto principal da matéria. Engloba também os chamados “comentários abusivos”, que são, em casos extremos, ameaças de morte ou estupro, embora normalmente apareçam na forma de xingamentos contra o autor do texto.

Do total de comentários analisados, cerca de 1,4 milhão (2%) são bloqueados pelos moderadores de Guardian por violação de regras. A pesquisa também constata que reportagens escritas por jornalistas mulheres recebem um número maior de comentários abusivos, independente do conteúdo do artigo. Quanto mais a editoria é dominada por homens (esporte e tecnologia, por exemplo), maior o número de comentários bloqueados. O impacto desses dados ainda é desconhecido, mas segundo Dunja Mijatovic, representante da liberdade de imprensa da OSCE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), seria ingenuidade pensar que as constantes ameaças virtuais não afetam as práticas das repórteres. Em artigo publicado no começo do ano, Mijatovic cita como exemplo que “várias jornalistas são forçadas a ‘viver offline’ e fechar suas contas para escapar dos abusadores”.

O levantamento do jornal ainda especifica que alguns temas parecem atrair maior número de comentários bloqueados, como discussões sobre o conflito Israel e Palestina – que se desdobram em postagens xenofóbicas -, debates a respeito de questões feministas e casos de estupro. Ao final, a reportagem de Guardian, integrante da série “A internet que queremos”, convida o leitor para participar da discussão: como podemos terminar com o abuso online e ter melhores conversas na web?