A dois dias da abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, publicamos em português artigo da Red Ética Segura com recomendações para repórteres e editores esportivos. Confira ainda Cobrir Eticamente os Jogos Olímpicos, e a entrevista com Xavier Ramon, especialista espanhol na área e que produziu o decálogo a seguir.

1. Seja preciso, rigoroso e evite especulações

Não dê espaço para rumores no jornalismo esportivo. Prenda-se aos fatos e dados verificados. Se os rumores são tantos que não se pode evitar, reflita criticamente sobre eles.

2. Use um amplo leque de fontes autorizadas na cobertura

Mostre os pontos de vista necessários para fundamentar e contextualizar suas matérias. Não entreviste apenas os atletas. Busque novas fontes (incluindo especialistas e organizações da sociedade civil) que ajudem seu público a compreender melhor o mundo do esporte.

3. Trabalhe duro para dar visibilidade aos esportes pouco representados

Espera-se que a mídia de qualidade não concentre sua atenção simplesmente nas modalidades mais populares e com maior audiência. Amplie a cobertura e alimente a cultura esportiva dos leitores. Diversificar é uma chave para garantir a qualidade informativa.

4. Vá além da competição para informar os contextos importantes do esporte

Atue de forma independente para ter uma cobertura imparcial e crítica dos contextos econômico, social, cultural e político do esporte. Nunca esqueça da sua responsabilidade ética.

5. Respeite a correta separação entre gêneros jornalísticos

Deixe seu público consciente de quando termina a informação e quando começa a opinião.

6. Não siga o caminho do sensacionalismo e da banalização

Antes de publicar matérias de teor sensacionalista, pergunte-se sobre a contribuição delas ao público. Não promova a corrosão da credibilidade e da reputação de sua organização jornalística.

7. Amplie os horizontes e tenha em mente a diversidade e a igualdade

Desafie a escassa representação das mulheres e dos esportistas estrangeiros, deficientes e não-brancos na cobertura esportiva. Dê espaço a esses grupos não apenas nos Jogos Olímpicos. Mostre suas qualidades e conquistas também na cobertura cotidiana do esporte.

8. Espalhe a mensagem da não discriminação

Explique as conquistas mas também ofereça uma análise crítica dos desafios para o fim da discriminação no esporte e na sociedade. Promova os valores da inclusão e do multiculturalismo.

9. Não seja complacente e evite a linguagem estereotipada

Fique longe dos comentários sexistas e outros clichês. Em termos de etnia, evite representações estereotipadas baseadas em diferenças biológicas e não se concentre na raça de um esportista a menos que seja um aspecto noticiável. Não associe esportistas deficientes com estigmas: busque defini-los por sua capacidade atlética e não seja impreciso. Esteja consciente do impacto do uso de estratégias patrióticas e nacionalistas na cobertura.

10. O esporte não é um substituto da guerra: evite a linguagem que alimenta o confronto

Não enfatize as narrativas de conflito e o imaginário belicista. Seja consciente dos efeitos de suas escolhas linguísticas. Promova os valores da não-violência, da paz e do entendimento internacional.

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