Roteiro, produção e entrevista: Juliana Freire
Edição: Dairan Paul

Jacqueline Deolindo é a última entrevistada pela equipe do objETHOS durante o 41º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom), realizado em Joinville no início de setembro. Dentre os pesquisadores que já participaram da série, estão Cláudia Nonato, Leonel Aguiar, Alice Koshiyama e Rafael Bellan.

Com doutorado e mestrado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Deolindo atua como professora adjunta do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Campos dos Goytacazes, e no curso de Jornalismo, no Centro Universitário Fluminense (UNIFLU). Em 2016, defendeu a tese “Regiões jornalísticas: uma abordagem locacional e econômica da mídia do interior fluminense”, orientado pela profa. Dra. Sônia Moreira. A pesquisa investigou como se estruturam firmas que produzem notícias em cidades à margem de regiões metropolitanas, recorrendo a referenciais teóricos da geografia urbana e economia industrial. O assunto ganha especial relevância devido a um recente levantamento que identifica desertos de notícia no Brasil – ou seja, cidades do interior sem quaisquer veículos de comunicação.

Na entrevista a seguir, Deolindo discute as mudanças estruturais nas mídias do interior, o desafio de praticar um jornalismo local e as percepções de estudantes de jornalismo sobre ética, referente aos resultados de sua dissertação de mestrado.

A pesquisa Atlas da Notícia divulgou que 4500 municípios brasileiros – ou seja, quase 35% da população nacional – não possuem registro de meios noticiosos impressos ou digitais locais. Você atribui o fenômeno do deserto das notícias a quais fatores? Quais seriam as consequências da ausência de jornalismo local e regional para as pessoas que residem nestes municípios?

Sabemos que a atividade jornalística fornece visões de mundo, enquadramentos da realidade e uma explicação a respeito daquilo que está acontecendo. Enquanto serviço público, ela precisa atender às demandas dos cidadãos por notícias e informações, sem as quais as pessoas não conseguiriam se situar diante do mundo. Uma das bases da democracia e dos estados democráticos é a livre circulação da informação. Ou seja, aceitamos que determinados representantes políticos estejam lá dirigindo o pais no nosso lugar, desde que eles nos informem o que estão fazendo. É o que chamamos de consentimento informado. O jornalismo existe para suprir essa necessidade, desde a sua profissionalização do século 18 para o 19, quando começam a surgir as primeiras faculdades, manuais e associações.

Mas enquanto empresa, o jornalismo também tem um objetivo, o lucro. É muito complicado fazer jornalismo sem um financiamento. Nas cidades em que não há uma demanda por esse tipo de serviço – porque as pessoas conseguem se informar sobre a vida por outros meios –, ou recursos econômicos suficientes para mantê-lo – com redação, publicidade, impressão e equipamentos –, fica difícil desenvolver a atividade jornalística.

Na minha pesquisa de doutorado, verifiquei alguns condicionantes para que haja empresas jornalísticas em determinados lugares. A demografia, por exemplo: quanto mais pessoas moram numa cidade, mais difícil é para manterem contato umas com as outras e terem uma comunicação interpessoal; daí a existência de canais mediadores, como o jornalismo. Essa demanda também vem da necessidade de ter à disposição determinados serviços. Eu não quero que você me diga o que está vendo ou o que encontrou lá; eu quero que isso chegue até mim por um canal especializado. Então eu quero uma atividade jornalística presente e à minha disposição para que eu possa comparar esses produtos e me informar da maneira que achar melhor.

Isso tudo é desenvolvido culturalmente. Desde que a imprensa não é mais censurada no Brasil, temos cidades que desenvolvem esse tipo de atividade. Em Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro, os primeiros jornais datam da década de 30 do século 19. Em 1834 já tinha veículo consolidado, impresso e diário, o que é uma coisa fantástica, já que a imprensa chega aqui em 1808, com a família real e o Correio Braziliense. Tradicionalmente, alguns lugares vão desenvolver uma cultura de mídia: as livrarias são fundadas mais cedo, as primeiras emissoras de televisão e rádio chegam logo e passa a existir uma demanda por esses serviços.

Outro condicionante é o recurso econômico, sem dúvida. Se eu fizer o inverso da pesquisa e perguntar por que determinadas cidades não têm empresas de mídia, posso levantar algumas hipóteses. Desconfio que determinadas inovações não chegaram até lá. Acredito que, nesses lugares, talvez não haja um mercado consolidado capaz de sustentar essa produção. Ou mesmo faltam recursos tecnológicos. A cidade pode não ter capital econômico para manter um jornal com redação, mas poderia ter site, página no Facebook. Porém, não há sinal de internet. Se pegarmos o mapa das telecomunicações, a gente vê que há televisão em todo lugar, mas é mentira. Às vezes, o sinal chega porque tem uma antena lá no alto do morro, mas a cidade não tem estrutura capaz de sustentar uma produção local, que é cara. Outra condicionante, ainda, é que talvez não tenha uma necessidade da população, porque eles organizam seu sistema de comunicação por outra forma – e não são sistemas midiáticos. As hipóteses seriam essas, ausência de recursos econômicos, de tecnologia, ou escassez de uma tradição por esse tipo de produto.

E as consequências? A gente julga que as pessoas precisam dos mesmos meios de comunicação que nós, e nem sempre é assim. As pessoas que não têm internet e deixam de ler jornal ou assistir televisão conseguem viver sem. Mas como isso afeta a prática da cidadania nesses lugares? Eles se organizam de outras formas. Isso não significa que eles consigam exercer sua cidadania em todas as camadas. Por exemplo, eles não sabem o que está acontecendo em Brasília. Ou, se sabem, como podem encaminhar suas demandas? Dificilmente a carta de um cidadão vai chegar ao Congresso. Determinadas camadas políticas são impactadas de outras formas. Tenho como hipótese de trabalho que uma das principais consequências é o não exercício pleno da cidadania, ou a existência de uma não cidadania plena, como diz o geógrafo Milton Santos. Estou bastante interessada nisso e também preocupada, porque se eu não tenho informação, como me posiciono? Eu não sei nem a que direitos eu posso acessar e como reivindica-los.

Parece existir também nas zonas rurais, onde as pessoas nem sempre vivem próximas umas das outras.

Sim, acontece muito em casos de zona rural e também debaixo do nosso nariz. Visitei cidades para fazer a pesquisa do doutorado e algumas não tinham nenhum meio de comunicação. Ou existem áreas dentro delas que são desprovidas de voz. Elas não existem, são colonizadas pela voz dos outros. Então como podem fazer para emitir sua opinião e contar sua história para o resto do mundo? Sem recursos, fica muito difícil. Acredito que a principal consequência é a não cidadania plena, da maneira como nós, ocidentais, que vivem em sociedades democráticas, entendemos a cidadania. Pode acontecer que a gente chega lá e eles digam que [o jornalismo] não faz falta nenhuma. Temos que perguntar.

Na sua pesquisa de doutorado, ao observar condições de trabalho, questões econômicas e de gestão, você categoriza três padrões de mídia local e regional no interior fluminense: pequena empresa, empresa de mídia de médio porte e mídia profissional. Você acredita que uma pesquisa semelhante feita no jornalismo das metrópoles encontraria resultados distintos dos seus?

Uma das conclusões da tese é de que há uma equivalência entre mídias do interior e de capitais – embora não sejam exatamente iguais, claro. A mídia do interior vai funcionar com a mesma lógica da mídia da capital, independentemente de ser mais “artesanal”, com uma, duas, cinco ou trinta pessoas trabalhando na redação. Há divisão do trabalho em editorias e semelhanças na linha de produção. Você vai ter alguém que faz a ronda, ou que recebe as primeiras informações, alguém que vai checar, fotografar, escrever, divulgar. O que varia é a velocidade e a queima de determinadas etapas. Quando acontecem os enxugamentos das redações, o acúmulo de funções atinge as duas mídias. No interior, os sujeitos também estão sendo obrigados a fazer de tudo, seja o jornalista profissional, o radialista, técnico em marketing ou simplesmente o comunicador da cidade. Somada aos avanços da tecnologia, essa crise tem exigido uma convergência de funções. A gente vê o repórter que também fotografa, que faz matéria para o impresso, online, grava passagem para o YouTube, Instagram. A moça da TV, que agora é apresentadora, mas daqui a pouco pode ser chefe de redação do impresso… Eu vejo muito isso. Outra coisa que se reflete no interior é o corte no impresso – não apenas nos trabalhadores, mas no papel. Por exemplo, eu não posso mais publicar 32 páginas no final de semana, mas 20. Não vou publicar o caderno de cultura, que vai virar uma página especial do primeiro caderno. O momento é muito parecido.

A crise também leva à necessidade de inovações, inventar meios de se virar e continuar sendo relevante. Nas mídias do interior do Rio de Janeiro, onde pesquisei, os jornalistas buscam estratégias que passam pelo aumento de qualidade na entrega das notícias online. Eles precisam melhorar o acervo das suas plataformas digitais, redes sociais e dispositivos móveis, seja na adequação da linguagem, seja no uso de mais fotografias.

Infelizmente, e essa é uma opinião minha, dois tipos de inovação não têm acontecido tanto na mídia nacional como na do interior, e me parecem diretamente relacionados à ética. Hoje, o principal lugar de engajamento é a rede social, apesar de todos os problemas por conta dos algoritmos. Facebook é onde as pessoas vão buscar informação. Instagram ainda está engatinhando, e é incrível como ele ainda não chegou para a mídia do interior. É na rede social que o engajamento para fazer notícias locais poderia acontecer, no sentido de exercer um jornalismo de proximidade, envolvendo a comunidade e mediando discussões sobre seus problemas. Poderíamos ter uma equipe para cuidar disso: promover histórias, trazer o leitor para dentro, pedir colaboração por meio de fotos e depoimentos. Dá para fazer um milhão de coisas. Jornais premiados têm usado muito bem suas plataformas digitais, e a gente também poderia aplicar isso. Só depende de criatividade, vontade e compromisso com o local. As pessoas se rasgam nas redes sociais e não tem um jornalista para mediar. É subaproveitado. Eles não fazem jornalismo local com todo o potencial que a rede social está dando. Acho que é um problema ético, porque não se cumpre o papel de promover o lugar.

Outro ponto é a inovação através da qualidade. Estão cortando pessoas e colocando estagiários, meninos de 17, 18 anos que vêm de uma falta de entendimentos dos contextos, sem saber ler conjunturas. Não dá para exigir de uma criança dessas o desempenho de um jornalista profissional e experiente. Isso também é uma questão ética. Quem é que está produzindo as visões de mundo para o nosso leitor? E aí não chega nem a ser uma inovação, mas do jeito que as coisas estão feias, acaba sendo. Inova-se ao colocar apenas jornalistas formados dentro da redação.

Você menciona que o jornalismo local e regional é influenciado ou até mesmo mantido por empresas de comunicação das grandes metrópoles. Pode-se dizer que, de certa forma, ele acaba reproduzindo também uma visão de mundo hegemônica. Você considera que iniciativas de jornalismo independente podem combater o fenômeno do “colonialismo comunicacional”, nos dizeres da pesquisadora Sônia Aguiar, ao circular narrativas que enfrentam visões hegemônicas?

É verdade. Quando falo que a colonização desses espaços comunicativos acontece pelos grandes meios de comunicação, estou pensando principalmente nos lugares que não têm jornalismo local. Então, por exemplo, muitas pessoas vão ver o Jornal Nacional, mas não assistem o telejornal local. No caso dos impressos, a notícia do jornal local é muito local. Não acontece esse copia e cola, ou a contratação de agências da capital para mantar notícias nacionais. Quando elas aparecem, já foram recontextualizadas. O colonialismo é muito mais evidente nas cidades que não têm jornalismo local.

Em relação ao jornalismo independente, vou te dizer que sou uma entusiasta. Acho que é um movimento importante, corajoso, e inclusive sigo alguns coletivos, como o site Outras Palavras. Um aspecto que me preocupa é o financiamento. Vejo que, no interior, dificilmente se paga. Caso alguém invente um coletivo noticioso na região em que vivo e pesquiso, tenho certeza absoluta de que não vai adiante. Essas pessoas vão trabalhar a troco de nada, até que fechem as portas. Fico bastante preocupada, porque o financiamento diz muito para onde vai a linha editorial. Quem paga, como paga e por quê. É possível fazer uma vaquinha virtual para ver quem financiaria uma grande reportagem sobre esse ou aquele tema. Mas quantas vão se sustentar desse jeito? Conseguimos fazer algumas matérias e isso volta como resultado para a sociedade, o que é fantástico. Contudo, para lutar pelo direito à voz, precisamos de um pouco mais do que isso.

Não sei se estou sendo pessimista, mas venho de uma pesquisa em que os jornalistas não conseguiram emplacar nem o paywall. O público não aceita pagar pela informação que está consumido. Penso que o financiamento acontece quando as pessoas julgam que aquela publicação é muito relevante. Uma das principais preocupações atuais, tanto de gestores de mídia como de acadêmicos, é a discussão sobre o valor social dos meios de comunicação. A partir do momento que aqueles trabalhos demonstram sua relevância social, aumentam as chances de ele ser sustentado pelos leitores. É relacionado ao valor que aquela mídia tem para o seu público.

Como você avalia o futuro do jornalismo, considerando o contexto de precarização que o profissional vive?

 Falar dentro do olho do furacão é muito difícil. Estamos passando por um momento de mudanças profundas, e acho que ainda não percebemos a dimensão disso. Vai muito além daquele discurso de que o jornalismo precisa se reinventar. Acho que tem a ver com a legitimidade da profissão posta em causa por pessoas que não se sentem representadas por quem faz jornalismo e descobrem, através das novas tecnologias, outros meios de serem ouvidas. Devemos nos preparar para isso, principalmente os cursos de graduação, que demoram a se adaptar a essas mudanças. Essa preparação para o que vem aí – algo que nem conhecemos direito – tem que passar pelos currículos. Penso que não é simplesmente colocar temáticas que hoje são caras, como “jornalismo e redes sociais”, “novas tecnologias”, “convergência digital”. Trata-se de preparar o aluno para algo que vai além daquilo que entendemos como o modelo tradicional de funcionamento do jornalismo. Sei que a maioria dos que estou formando não vai ter as mesmas oportunidades de emprego que eu tive.

Uma hipótese do que podemos fazer, e talvez eu esteja influenciada aqui pelas leituras mais recentes do Muniz Sodré, é voltarmos a pensar a comunicação para além dos aparatos tecnológicos. A mídia é só um braço dentro de tudo o que o campo da comunicação pode nos oferecer, para além de jornal, rádio, televisão e internet. Precisamos desenvolver competências suficientes para continuarmos sendo relevantes, especialmente num momento em que a comunicação é central para a sociedade. O jornalismo, especificamente, vai continuar existindo, mas talvez não no modo empresarial que entendemos hoje. É um momento fértil para entendermos tendências, desvendar desejos e necessidades das pessoas.

Penso que a função do jornalista não vai se diluir entre aqueles que reclamam a condição de produtores de informação. Acredito na figura dele e no papel social do jornalismo, que continua muito claro e importante. Nesse momento em que não sabemos quem produz um conteúdo, de que modo e com qual intenção, precisamos de figuras profissionais preparadas para nos situarmos nessa avalanche de informações. Se por um lado as novas tecnologias colocam outros sujeitos no centro da produção da notícia, e eu afirme não saber como isso será no futuro, por outro, tenho certeza de que o jornalista e o jornalismo ainda vão exercer, ao menos durante muito tempo, uma função social relevante: mediar a comunicação entre os acontecimentos e o público, construir enquadramentos da realidade a partir de uma coluna ética, de um ethos, que é a orientação da opinião pública para a prática da cidadania e a sustentação das comunidades democráticas. Isso não é negociável. Seja qual for a maneira que o jornalista vai atuar daqui para frente – se através de uma empresa ou não –, creio que a função do jornalismo será o fio condutor entre todas essas mudanças.

Sua dissertação de mestrado tratou das percepções sobre ética jornalística em estudantes de jornalismo e profissionais experientes. Como você articula os resultados que alcançou naquela pesquisa e, mais recentemente, em sua tese de doutorado?

Na época do mestrado, fui provocada pelo meu orientador Hugo Lovisolo, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a descobrir de onde veio a ética jornalística e o ethos da profissão, como ela foi inventada, para atender a quais demandas e como mudou ao longo da criação das primeiras escolas. Desembocou na minha pesquisa de campo, que buscava verificar como jornalistas formados e estudantes de jornalismo pensavam a ética.

Descobri uma ética que muitas vezes é negociada e tem um limite. É muito mais uma conciliação de interesses entre aquilo que o jornalista acredita ser o correto, o que a empresa está disposta a fazer e o que o mercado quer sustentar, do que uma ideia fixa e sólida do que seja o apelo moral do jornalismo. Essa ideia de que o jornalista é incorruptível e jamais será vendido nós já vimos que às vezes acontece. Ele não é amoral e sabe quando faz algo errado, mas negocia – “dessa vez eu faço, para atingir esse objetivo – e depois volta para a sua coluna ética. Os estudantes tinham um olhar muito mais idealístico em relação à profissão. Coisas que eles disseram na pesquisa jamais fazer, o jornalista com 20 anos de profissão pensa que não é bem assim.

Não acredito que a conclusão da pesquisa sobre ética, originalmente feita com jornalistas do interior, seria muito diferente se aplicada nas capitais ou no jornalismo internacional. Até mesmo por conta da comunidade interpretativa que nós formamos, segundo Nelson Traquin. Pode haver uma dissidência ou outra, mas basicamente a ideia que nos move é a mesma. E aí, quando vou às redações do interior [na pesquisa de doutorado], e vejo os modos de operar, fica muito claro que a empresa e a gestão administrativa são partes importantes nas decisões éticas tomadas diariamente. Em termos de geografia, não vejo muita diferença. Não é porque você está numa cidade grande, como Joinville, numa capital ou no interior. É porque, basicamente, todos compartilham de determinados valores independente da profissão, como a defesa da infância e da verdade, para citar dois exemplos.

Acredito que a principal relação entre as minhas pesquisas de mestrado e doutorado é o complemento de compreender como os gestores lidam com esses profissionais que têm uma razão de ser. Mas o interessante é que, eventualmente, o gestor também é jornalista. Quando isso acontece, ele compartilha e negocia esses valores. Se não for jornalista, por vezes ele avança sobre determinados limites, embora nem sempre isso aconteça.

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