O Observatório da Ética Jornalística (ObjETHOS), grupo de pesquisa e extensão do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGJOR/UFSC), repudia a intensificação de ataques a jornalistas brasileiros neste período eleitoral. Conforme levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que está em constante atualização, já são 140 casos, dos quais 62 físicos e 76 por meios digitais.

Com nove anos de existência, o ObjETHOS tem marcado sua atuação no campo da crítica de mídia, observando dilemas éticos e deontológicos que permeiam a prática jornalística. Fiscalizamos a atuação dos veículos jornalísticos, cobrando transparência e ética de seus profissionais, mas só o podemos fazer em um ambiente onde jornalistas têm seus direitos garantidos e não são física e moralmente atacados por grupos que incitam a intolerância.

Liberdade de expressão e liberdade de imprensa são valores imprescindíveis para a democracia. Temos consciência de que, em regimes autoritários, a imprensa livre é uma das primeiras instituições a sofrerem retaliações. Soma-se a isso a proliferação de informações falsas (fake news) nas mídias sociais (notadamente no WhatsApp que reúne mais de 120 milhões de pessoas, no país), que induzem o eleitor ao erro de avaliação, provocando o caos no ecossistema informativo. Somente com a livre atuação de veículos tradicionais e independentes é possível informar o eleitor com notícias credíveis e confiáveis. Garantir o que está expresso na Constituição é dever de nossas autoridades e condição inegociável para o exercício do bom jornalismo.

Florianópolis, 17 de outubro de 2018.


Professor Dr. Rogério Christofoletti
Professor Dr. Samuel Lima
Pesquisadores-Responsáveis pelo Observatório da Ética Jornalística (objETHOS/UFSC)

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