Na última sexta-feira (30/11), o objETHOS promoveu o “Seminário Internacional Mídia, Política e Credibilidade da Informação Jornalística”. O evento, que marcou os 9 anos do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS), contou com a participação dos seguintes convidados: Francisco Belda (professor da Universidade Estadual Paulista/Unesp e coordenador do Projeto Credibilidade, no Brasil), Jacques Mick (professor da UFSC e pesquisador do objETHOS), Germán Ortiz-Leiva (professor da Universidad del Rosario), Kelly Prudencio (professora da Universidade Federal do Paraná) e Leandro Demori (jornalista e editor-executivo do site The Intercept Brasil).

Pela manhã, a mesa sobre credibilidade jornalística reuniu os professores Francisco Belda e Jacques Mick. Belda trouxe dados sobre o capítulo brasileiro do The Trust Project, coletados a partir de respostas de 314 jornalistas brasileiros (a maioria do eixo Rio-São Paulo). O objetivo da pesquisa é discutir a percepção dos profissionais sobre o papel que desempenham e os aspectos éticos e técnicos que envolvem suas produções. Belda ainda expôs os indicadores de credibilidade propostos pelo projeto, que chamou de “dados nutricionais da notícia”. A meta é facilitar a adoção desses padrões para veículos, jornalistas cidadãos e jornalistas ativistas.

A seguir, o professor Jacques Mick refletiu sobre os regimes de verdade no consumo do jornalismo, ao considerar que o público mantém uma relação utilitarista com os jornais. Parte dos altos índices de desconfiança em relação à mídia se deve ao fato de que veículos são aceitos à medida que confirmam crenças pré-estabelecidas, o que configura uma fragilidade nas mediações da instituição jornalística. Mick ainda questionou qual lugar o jornalismo efetivamente ocupa na vida das pessoas e se é possível pensar em novas formas de práticas jornalísticas no contexto político atual.

Na mesa da tarde, o tema foi mídia, política e a cobertura das eleições 2018, com os professores Germán Ortiz-Leiva (Universidad del Rosario, Bogotá – Colômbia), Kelly Prudencio (Universidade Federal do Paraná) e o jornalista Leandro Demori (do site The Intercept Brasil). Ortiz-Leiva analisou as eleições colombianas de 2018 que elegeram Iván Duque à presidência do país, com forte apoio midiático. O professor ainda relacionou a proliferação de notícias falsas com os conglomerados de três empresários que detêm cerca de 60% da imprensa do país. Prudencio trouxe os resultados de sua pesquisa recente que analisou mais de 2 mil notícias de O Globo, Folha de S. Paulo e Estadão sobre o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. A pesquisadora sintetiza que há um padrão nessas coberturas, devido ao tratamento que normalizou o processo do golpe como ordinário, evitando politizá-lo.

Por fim, Leandro Demori, editor-executivo do site jornalístico The Intercept Brasil, iniciou sua fala reiterando que a neutralidade no jornalismo não é sinônimo de honestidade. O jornalista reforçou que não se pode culpar apenas o público pelo consumo de notícias falsas. Defendeu ainda a necessidade de revolucionar a linguagem jornalística para atingir mais pessoas, seja pela construção de textos atrativos, seja pela criação de memes com informações políticas que possam circular por aplicativos de mensagens.

Em breve, o vídeo do Seminário Internacional Mídia, Política e Credibilidade da Informação Jornalística será disponibilizado aqui no site. Você ainda pode ler um resumo do evento na cobertura realizada pelo twitter do objETHOS.

Veja algumas fotos do evento:

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