Dois temas diferentes em escolas localizadas em contextos distintos. Assim rolou a 2ª roda de conversa nas escolas públicas Centro de Educação Jovem de S. José (Cemajoba), em São José (SC), e Gov. Ivo Silveira, na cidade de Palhoça (SC). Na primeira (dia 29 de abril) a temática escolhida pela maioria dos/as estudantes foi a cobertura do racismo na mídia jornalística; na segunda (em 7 de maio), o debate girou em torno da temática saúde mental (depressão e suicídio) e como isto é trabalhado pela imprensa. Cerca de 200 estudantes de 2º e 3º Anos do Ensino Médio participaram da atividade.

No Cemajoba, quatro turmas de 3º Ano do Ensino Médio trocaram ideias e debateram a questão do racismo visto pelas lentes da mídia e da sociedade. Um vídeo com falas de pesquisadoras e ativistas do movimento negro foi exibido para inspirar o debate. Posteriormente, algumas imagens com dois casos destacados: a execução, com mais de 80 tiros de fuzil de militares do Exército (atualmente, a perícia aponta que foram mais de 200 disparos), do músico Evaldo Rosa dos Santos, negro, 46 anos, que dirigia um carro levando familiares para uma festa, em Guadalupe, Rio de Janeiro. A outra situação foi a da prisão arbitrária da advogada Valéria Lucia dos Santos, 48 anos, negra, que foi algemada por policiais, em setembro de 2018, durante uma audiência em Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro. Valéria e a juíza leiga discutiram, porque a advogada exigia ter acesso à peça da defesa.

Professora e pós doutoranda Silvia Meirelles debate sobre racismo com estudantes da escola CEMAJOBA. Foto: Juliana Freire

A juíza negou o pedido e chamou os policiais, que a jogaram no chão e lhe colocaram algemas. O caso teve repercussão nacional e internacional. Realizando uma leitura sobre ele, uma estudante comentou: “ela (a juíza) só queria humilhar a advogada. Para que algemar? Ela não estava sendo violenta, só queria fazer o trabalho dela”. No que toca a cobertura jornalística sobre os casos de racismo, foram discutidas questões relacionadas à escolha de palavras e fontes utilizadas para significar os acontecimentos. A necessidade de diversidade racial nas redações também foi debatida.

Na Escola Gov. Ivo Silveira, mais de 90 estudantes de cinco turmas do 2º Ano do Ensino Médio escolheram debater saúde mental nas páginas e espaços midiáticos. Estudantes e professores/as presentes comentaram o material apresentado pela equipe do objETHOS. Uma aluna disse: “Acredito que a mídia banaliza a morte em algumas situações (citou o caso da escola em Suzano/SP, recentemente), sem sensibilidade com as famílias das vítimas. De certo modo, glamouriza os assassinos”.

O professor Haroldo Garcia observou que “questões de saúde mental e suicídio são negligenciadas em todos os contextos da sociedade (escola, mídia, família), colaborando com o aumento de casos de suicídio”. Para ele, é de fundamental importância discutir o tema e conscientizar os/as jovens estudantes quanto à prevenção, cuidados, acolhimento e solidariedade com aqueles/as que estejam em sofrimento mental. O sensacionalismo e a espetacularização das notícias também foram citados como pontos negativos das coberturas pelos participantes.

As próximas rodas de conversa acontecem entre o final de maio e começo de junho, nas duas escolas. Participaram destas atividades as pesquisadoras do PPGJOR/UFSC Juliana Freire (doutoranda), Ricardo Torres (doutorando), Gabriela Schander (mestranda), Silvia Meirelles (professora da UFPEL e pós-doutoranda no PPGJOR) e as acadêmicas de jornalismo Klay Silva e Giuliana Arruda. As rodas de conversa foram coordenadas pelo professor Samuel Lima (objETHOS/UFSC).

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