“Uma nova era no ensino superior do Brasil!”. Assim mesmo, com ponto de exclamação e recorrendo a uma hipérbole, que o comentarista Claudio Prisco Paraíso celebrou a escolha do novo reitor para a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) em seu blog. A hipérbole, como se sabe, é a figura de linguagem do exagero, recurso fácil da retórica. 

Na nota, Prisco informa que o presidente da República nomeou Marcelo Recktenvald para o posto, para fazer valer o que chamou de “despetização” das universidades públicas.

Segundo o comentarista, a atitude é “emblemática”, pois “a UFFS foi criada pelos governos do PT e era, assim como tantas outras instituições de ensino superior, tocada por petistas. Era um condomínio partidário do ponto de vista da gestão e da ideologia”. A hipérbole dá agora lugar à manipulação jornalística. Prisco distorce os fatos, pois não explica aos leitores que Jaime Giolo – que deixou a reitoria no sábado – foi o mais votado pela comunidade universitária em 2015, vencendo a consulta pública com vantagem. Não se tratava, portanto, de uma escolha petista, mas da comunidade universitária local…

Após ser apoiado pela maioria de estudantes, professores e servidores, Giolo foi nomeado por Dilma Rousseff, que respeitou a vontade da comunidade universitária. Diferente de Jair Bolsonaro, que escolheu o novo reitor, terceiro colocado na disputa e que sequer disputou o segundo turno das eleições. No primeiro, sua chapa teve apenas 21,7% dos votos.

Em seu blog, Prisco não teve como deter os fatos, mas mesmo assim, considerou a terceira colocação de Recktenvald uma “façanha”! O comentarista não mencionou também que a comunidade acadêmica na UFFS está surpresa e revoltada com a decisão de Bolsonaro.

Em seu comentário no Jornal do SBT em Santa Catarina, Prisco Paraíso fez questão de endossar a decisão de Bolsonaro, mesmo tendo um colega de estúdio alertando para o fato de que medidas como essa poderiam se alastrar pelo país.

De acordo com a Constituição, cabe ao presidente da República escolher os reitores das universidades federais a partir de listas tríplices indicadas pelos conselhos universitários com base em consultas à comunidade. É um sistema democrático que tenta criar condições de legitimidade para que os reitores tenham mais tranquilidade política em suas gestões. Tradicionalmente, presidentes nomeiam os mais votados nos campus, mas nada impede que mudem o roteiro. Quando os resultados das eleições acadêmicas são ignorados, os nomeados são tachados de interventores, por exemplo, e fica um cheiro de enxofre no ar, próprio dos aparelhamentos ideológicos. Justamente a acusação de Prisco Paraíso ao PT… O comentarista, no entanto, não informou seu público que Jair Bolsonaro já fez isso seis vezes neste ano!.

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