Crítica de mídia, feita por observatórios, redes sociais, ombudsman ou usuários. Estas foram as temáticas abordadas por um dos coordenadores do objETHOS, o professor e pesquisador Rogério Christofoletti, em palestra realizada na noite de 21 de novembro (quinta), na Faculdade Satc, em Criciúma, no Midia Talks, evento organizado pelos formandos de jornalismo do curso.

O debate, mediado pela jornalista Karoline Carvalho, foi dividido em três eixos: crítica da mídia, autocrítica e crise no jornalismo. Jornalistas, estudantes e professores prestigiaram o encontro e dialogaram, principalmente, sobre práticas profissionais.

Christofoletti começou a discussão ressaltando que a democracia se apoia num sistema de cidadãos bem informados, só dessa forma tomarão melhores decisões, por isso a importância da critica de mídia.  “Exercer uma crítica de mídia, ler os meios de comunicação de maneira crítica, permite observar elementos de qualidade no noticiário. Se ele me entretém ou se ele adiciona algo que me faz refletir melhor, por exemplo, se não tem, então tem algo de errado”, pontuou.

O pesquisador ressaltou que a crítica de mídia permite que os jornalistas identifiquem fatores de qualidade, tendo duas principais funções: o aperfeiçoamento dos meios de comunicação e dos jornalistas, e a difusão de uma cultura de educação para mídia,  contribuindo para educar o público, explicando como funcionam as coisas. “Ajudar o público a olhar os meios de comunicação de outra maneira (se os conteúdos estão sensíveis, sensacionalistas), apontando bons e maus exemplos. Bons exemplos são contagiosos e sinalizam o que devemos fazer”, reforçou.

Os caminhos diante da crise

Christofoletti examinou a crise enfrentada no jornalismo, ressaltando que ela não é apenas financeira, mas de credibilidade, ética e governança.  Junto a esta temática, foi abordado com a plateia os desafios das redações e a precarização no setor, dos jornalistas e estudantes que atuam nós veículos do sul, e no país. “Jornalismo é um esporte coletivo, é equipe, passa por várias mãos, tornando isso claro. Nosso dever é não tornar a crítica de mídia uma forma de mais pressão sobre os profissional, de mais precarização. Temos que  buscar o caminho da complacência compreendendo que todo produto é resultado das condições de produção e seus produtores”, enfatizou.

Sobre a intensa polarização da sociedade e nas redes sociais, o pesquisador é enfático: “Precisamos estar conectados com o dia a dia. Mostrar ao público que o jornalismo é importante. Precisamos, como jornalistas, manter distância das redes sociais. Lá, ninguém tem o compromisso que temos de editar, apurar. Nós temos, e isso é técnica e ética, e isso que nos distancia das redes sociais, e isso que nos garante um status de credibilidade e confiança, que as redes não tem” ressaltou.

Para o professor de jornalismo da UFSC, estudar e se reinventar é o desafio permanente da profissão: “Garantir o direito à comunicação, a liberdade de imprensa e expressão é exercer plenamente a cidadania, por isso precisamos sim estudar constantemente e defendermos o jornalismo, a informação, nesse ambiente de tanta desinformação”.