Pesquisadores e representantes profissionais do jornalismo lançaram oficialmente no último dia 14 a Rede Lusófona pela Qualidade da Informação (RLQI). A cerimônia que marcou a criação da rede se deu na Sala do Senado, nas dependências da Universidade de Coimbra, Portugal, e foi presidida pelo reitor João Gabriel Silva. A Universidade Federal de Santa Catarina, através do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS), participa da rede, que vai desenvolver pesquisas, realizar eventos, promover mobilidade docente e discente, além de produzir material de referência para os nove países de língua portuguesa no mundo. “Este é um momento muito oportuno para juntarmos esforços para pesquisar e ajudar a combater notícias falsas e a desinformação geral”, comenta o professor Rogério Christofoletti, um dos coordenadores do objETHOS e que participou do lançamento. A RLQI é também uma realização do projeto de internacionalização do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (PPGJOR), que completou 10 anos em 2017.

A RLQI vai colocar a língua portuguesa a serviço da qualidade da informação, da democracia e do conhecimento, sintetizou Carlos Camponez, professor da Universidade de Coimbra e principal articulador da rede. Camponez esteve no PPGJOR/UFSC este ano para um período de intercâmbio acadêmico e retornou a Coimbra com objetivos de criar um observatório de mídia como o objETHOS. Em Portugal, o professor foi incentivado a ampliar o projeto, o que levou à rede lusófona. “Temos membros da Europa, África, Ásia e América, de todos os países da comunidade de língua portuguesa, e isso nos garante uma capilaridade única para investigar e conhecer melhor os contextos da informação nessas regiões”, avalia Christofoletti.

Entre os países lusófonos há muitas assimetrias. Enquanto o Brasil tem dimensões continentais, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe são arquipélagos; Guiné-Bissau, Angola e Moçambique são jovens repúblicas africanas e Macau é uma cidade com regime administrativo especial ligado ao governo chinês. Portugal tem um sistema de mídia tradicional ao passo que Timor-Leste busca fortalecer sua democracia depois das tensões para a libertação da Indonésia. A RLQI vai atuar nesse mosaico de realidades, e aprofundar os estudos sobre os mercados de comunicação nesses países, as práticas jornalísticas e, sobretudo, a ética dos profissionais e organizações noticiosas.

Além do objETHOS/UFSC, fazem parte da Rede Lusófona pela Qualidade da Informação as universidades de Coimbra, Cabo Verde, Lisboa, Lusófona da Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, e de São José (Macau), além da Escola Superior de Jornalismo de Moçambique, Rede Nacional de Observatórios da Imprensa (Renoi), Sindicato dos Jornalistas de Portugal, Ordem dos Jornalistas de Guiné-Bissau, Conselho de Imprensa de Timor Leste, Clube dos Jornalistas e Entidade Reguladora da Comunicação, de Portugal.

Os primeiros movimentos da RLQI são a elaboração de um projeto de pesquisa internacional e o lançamento do site do observatório lusófono da comunicação.

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