Nesta semana, o pesquisador Marcelo Barcelos, orientado pelo professor Rogério Christofoletti, descreve brevemente o objeto de sua dissertação de Mestrado: o jornalismo-cidadão.

Há uma densa e espessa nuvem no horizonte quando pensamos o jornalismo impresso para daqui a daqui a 10, 20, 30 anos… Eleito por décadas a fio, em diferentes sociedades, como o veículo de informação que mais discutiu, debateu a fundo e contribuiu para iluminar os cidadãos e, assim, afastá-los da ignorância, o jornal impresso virou, hoje, alvo de críticas apocalípticas.

Estaria ele com os dias contados, prestes a ser derrotado pela soberania digital, pela interatividade e mobilidade informacional da Internet? Chegara a hora do prenúncio de ver o velho e bom papel sucumbir a plataformas multimídia ou, até mesmo, a papéis digitais?

Não, creio que não. Independente de a crise, de fato, estar derrubando redações e cortando folhas de pagamento mundo afora, assistimos do outro lado da janela, a mudanças que merecem atenção. Reacomodações que nos trazem esperança de ver um jornalismo mais plural, aberto e com chances de sobreviver por muitos e muitos anos.

Uma delas, sem dúvida, é a consolidação do jornalismo-cidadão, tema central da minha dissertação de mestrado junto ao Programa de Pós-Graduação em Jornalismo, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), vinculada à linha de pesquisa Fundamentos do Jornalismo.

Embora esse modelo de produção aberta de notícias – que atribui ao leitor a função de um repórter amador – seja atacado sob o argumento de uma prática ilegítima, duvidosa e incredível, é possível enxergar, neste movimento, uma reinvenção do jornalismo. Tanto dentro nos meios digitais quanto no jornal impresso, objeto da presente pesquisa.

Envolvido e fascinado pelo cruzamento mutante entre o jornalismo-cidadão e o jornalismo impresso, é que construo a dissertação “O jornalismo-cidadão nos oito jornais do Grupo RBS”. O trabalho, ainda em fase inicial, procura estabelecer como aqueles diários incorporam o conteúdo produzido por agentes externos, ou seja, cidadãos comuns.

Nessa pesquisa, procurarei categorizar, através da técnica da análise de conteúdo, os tipos de participação, os estilos de produção textual dos leitores e de que modo estas contribuições são apresentadas e dispostas junto ao material jornalístico elaborado por profissionais.

Para enquadrar, classificar e criticar esse corpus, antes, descreverei e contextualizarei a função do jornalismo (do seu ethos a sua prática e técnica exclusivas) e quais são as principais funções e competências do profissional, como nos mostra a sociologia das profissões e o código de ética da profissão.

Além disso, também realizarei entrevistas com os repórteres dos veículos pesquisados. A ideia é saber como essa participação amadora é gerida e que vantagens e conflitos são notados por quem vive o dia-a-dia da redação.

Assim, diante de duas perspectivas tão distintas, mas que se aproximam – a do cidadão comum e a do jornalista – imagino que terei subsídios suficientes para refletir como o jornalismo impresso está se reinventando e criando uma nova relação junto ao seu público.

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