2011 se foi… que venha 2012!
dezembro 20th, 2011 § Deixe um comentário
Prezados leitores,
A equipe do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) agradece as visitas e os acessos neste que foi um ano muito importante para a consolidação deste projeto. O site conseguiu se firmar como uma plataforma de oferta de conteúdos que tratam da ética no jornalismo e na comunicação. Produzimos materiais exclusivos para este fim, transitando em diversas mídias, de maneira a tornar os debates mais agradáveis, mais concretos.
Fechamos 2011 com um acervo plural que pode ser totalmente acessado pelos leitores. Fiquem à vontade!
Voltaremos em 2012 com novo site, novo visual e mais novidades. Uma delas já adiantamos: a segunda edição do Seminário Brasil-Argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo (Bapijor), que promoveremos em 17 e 18 de abril na UFSC, em Florianópolis.
Até 2012!
Códigos da Alemanha, Canadá e Holanda
dezembro 19th, 2011 § Deixe um comentário
Para encerrar 2012, a Coleção de Códigos Deontológicos do objETHOS publica outros três documentos, vertidos para o português: os códigos da Holanda, Alemanha e Canadá.
A tradução é da acadêmica de Jornalismo Isadora Mafra Ferreira, bolsista do projeto “Códigos de ética jornalística: valores em transformação num cenário profissional de rápidas mudanças”, financiado pelo CNPq e orientado pelo professor Rogério Christofoletti.
Acesse a nossa seção Códigos.
Mais três códigos: Argentina, Chile e Espanha
dezembro 13th, 2011 § Deixe um comentário
A Coleção de Códigos Deontológicos do objETHOS publica hoje mais três regramentos de conduta, especialmente traduzidos para o português: os códigos da Argentina, Chile e Espanha.
A tradução é da acadêmica de Jornalismo Isadora Mafra Ferreira, bolsista do projeto “Códigos de ética jornalística: valores em transformação num cenário profissional de rápidas mudanças”, financiado pelo CNPq e orientado pelo professor Rogério Christofoletti.
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Resenha: O âncora: a lenda de Ron Burgundy (2004)
dezembro 12th, 2011 § Deixe um comentário
O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy
Por Murilo Souza
Jornalista graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina
Ele é o retrato perfeito de um egocêntrico sem conteúdo. Da obsessão pelo próprio visual aos comentários jocosos que faz no ar enquanto apresenta o telejornal mais importante do canal 4 de San Diego, Ron Burgundy (Will Ferrell) é excesso e entretenimento o tempo todo. Popular e presunçoso, o célebre âncora da década de 70 cativa a audiência com um apanhado de histórias quase sempre interessantes, mas raramente essenciais a quem quer que seja. Diariamente equilibrando-se à beira do ridículo, o telejornal de Ron tem ainda na equipe três excêntricos repórteres: o homem do tempo, Brick Tamland; o comentarista esportivo, Champ Kind; e o repórter de campo, Brian Fantana.
De carona nos traços exagerados da personalidade de Ron e achincalhando o pedantismo e o status de celebridade de alguns apresentadores, O Ancora – a Lenda de Ron Burgundy é uma sátira do estilo machista e arcaico de ancoragem. Ao contrário de vários outros títulos que abordam os bastidores da rotina jornalística, o filme não tem a pretensão de polemizar questões éticas e muito menos teorizar a informação. Na verdade, a única crítica que permeia todos acontecimentos ao longo dos 91 minutos de tela está concentrada nas dificuldades enfrentadas pela competente jornalista Verônica Comingstone (Christina Applegate) de realizar o sonho de ser âncora – principalmente pelo fato de ela ser mulher.
A idéia para o roteiro surgiu a partir de um programa de TV visto por Will Ferrell, onde a jornalista Jessica Savitch falava sobre os hábitos machistas de um de seus companheiros de bancada. A primeira imagem do filme, uma frase, brinca justamente com isso: “Baseado em fatos reais. Apenas personagens, lugares e situações foram alterados.”A partir daí, o diretor estreante Adam McKay – que escreveu o roteiro junto com Ferrell – começa a juntar os fotogramas para parodiar o excesso de empostação, as risadas forçadas e inflexões pouco naturais usadas por alguns âncoras do passado. A trama de Mckay se vale basicamente do humor nonsense, muitas vezes previsível e quase nunca o preferido do público adulto.
Vivendo em um universo onde a gravidez de uma ursa panda torna-se a grande história da temporada, Ron Burgundy é uma espécie de Austin Powers do jornalismo. Mulherengo e cabotino, o âncora é idolatrado tanto pelos telespectadores que o reverenciam quanto por si mesmo. Por isso se questiona se seria possível algum dia uma mulher rejeitá-lo. Para sua surpresa, a resposta vem logo depois que ele encontra Verônica. Desdenhado por ela, se indigna ao descobrir que, além de ter sido contratada para trabalhar em seu noticiário, a moça ainda tem pretensões de ocupar o lugar dele atrás da bancada.
Entre o desejo de conquistar Verônica e a possibilidade de ver sua reputação ameaçada, o âncora vive uma série de situações cômicas que vão desde uma conversa terapêutica com Baxter, seu cachorro, até a seqüência que mostra uma briga entre as equipes de vários telejornais, incluindo participações especiais de Ben Stiller, Jack Black e Tim Robbins. E, claro, quando o diretor do telejornal diz casualmente que Ron lê qualquer coisa que aparece no teleprompter, o espectador imediatamente já imagina que um incidente constrangedor está por vir. Mas, mesmo assim, a descoberta não compromete a piada.
FICHA TÉCNICA
Título Original: Anchorman: The Legend of Ron Burgundy
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 91 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2004
Pensata #100
dezembro 12th, 2011 § Deixe um comentário
“Quando eu era um jovem repórter, aprendi que a exploração do sofrimento alheio para vender mais jornais ou ganhar mais votos é imoral.”
Juan Luis Cebrián, publisher espanhol“A decadência dos jornais cria problemas não apenas para o setor, mas também para a sociedade. Um deles é básico: para a democracia funcionar, os cidadãos precisam de informação.”
Philip Meyer, jornalista e professor norte-americano
Códigos de ética africanos
dezembro 11th, 2011 § Deixe um comentário
A Coleção de Códigos Deontológicos do objETHOS publica hoje quatro documentos africanos, especialmente traduzidos para o português: os códigos da Nigéria, Botsuana, Tanzânia e Zimbábue.
A tradução é da acadêmica de Jornalismo Isadora Mafra Ferreira, bolsista do projeto “Códigos de ética jornalística: valores em transformação num cenário profissional de rápidas mudanças”, financiado pelo CNPq e orientado pelo professor Rogério Christofoletti.
Acesse a nossa seção Códigos.
Encontro reúne jornais laboratórios de SC em Florianópolis
dezembro 8th, 2011 § Deixe um comentário
O curso de Jornalismo da UFSC promove amanhã, 9 de dezembro, a quinta edição do encontro de jornais laboratórios catarinenses. O evento, que já passou por outras escolas do estado, é retomado em Florianópolis com seu propósito original: reunir professores, estudantes, profissionais e técnicos para discutir a realidade pedagógica local para o ensino de jornalismo laboratorial.
O encontro acontece na Sala Aroeira, do Centro de Cultura e Eventos da UFSC, a partir das 9 horas. Pela manhã, uma mesa reúne representantes dos jornais laboratórios para trocar experiências de ensino e extensão, dificuldades e dilemas. À tarde, outra mesa dá prosseguimento aos debates.
Já confirmaram presença os cursos da Unisul (Palhoça), Unisul (Tubarão), Ibes/Sociesc (Blumenau), Univali (Itajaí), Faculdade SATC (Criciúma), Unochapecó (Chapecó), UFSC (Florianópolis), Faculdade Estácio de Sá (São José) e Ielusc (Joinville).
A organização está a cargo dos professor Samuel Lima e Rogério Christofoletti, com apoio dos alunos do curso de Jornalismo da UFSC.
Veja a programação:
9h: Abertura
Memória do evento
Profª Raquel Wandelli (Unisul – Palhoça)
9h30: Mesa Nº 1 – Compartilhando Experiências I
. Zero (UFSC, Florianópolis) – Prof. Rogério Christofoletti (mediador)
. Contato (Fac. Estácio de Sá, São José) – Prof. Billy Culleton
. Ênfase (Fac. SATC, Criciúma) – Profª. Marli Vitali
. Extra (Unisul, Tubarão) – Profª Cilene Macedo
12h às 14h: Almoço
14h: Mesa Nº 2 – Compartilhando Experiências II
. Fato & Versão (Unisul, Palhoça) – Profª Raquel Wandelli (mediadora)
. Primeira Pauta (Ielusc, Joinville) – Profª Amanda Miranda
. Cobaia (Univali, Itajaí) – Prof. Sandro Galarça
. Passe a Folha (Unochapecó, Chapecó) – Prof. Francesco Silva
. O Quinto (Ibes/Sociesc, Blumenau) – Prof. Fabrício Wolff
17h: Encerramento
Definição da sede do 6º Encontro e encaminhamentos gerais
Prof. Samuel Lima (coordenação)
O evento terá cobertura pelo Twitter: @zeroufsc
Resenha: Bom dia, Vietnã (1987)
dezembro 5th, 2011 § Deixe um comentário
Bom dia, Vietnã
Por Marco Aurélio Silva
Jornalista Graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina
A comédia Bom dia, Vietnã , (EUA, 1987) conta a história de um radialista enviado ao Vietnã, no ano de 1965, para trabalhar na rádio do Exército norte-americano, em Saigon. Adrian Cronauer se depara com forte censura, empenhada em mascarar uma guerra absurda que começaria a qualquer momento. O personagem vivido por Robin Williams inova toda a programação da rádio que, até então, era péssima e só veiculava músicas que não faziam parte do momento.
Um tenente trabalhava na rádio, o escolhedor das músicas. Ele desaprova o estilo de Adrian. Porém, os ouvintes da rádio passam a tê-lo como o melhor locutor. É a irreverência de Adrian que distrai os soldados que preparavam-se para a guerra. Sem falar dos grandes hits dos anos 60 que faziam todos dançarem.
O grande talento de Williams tem enorme peso nas locuções feitas por Cronauer. Com a imitação de várias vozes, ele transmitia as notícias que eram permitidas. Eram notícias que falavam de assuntos supérfluos e, na voz de Cronauer, tornavam-se ridículas. As informações que dessem a entender que uma guerra estava prestes a começar eram censuradas por uma “simpática” dupla de gêmeos.
Com o que ele podia veicular, fazia terríveis críticas ao governo norte-americano, sempre com bom-humor, é claro. Era uma denúncia aos absurdos da guerra. O major responsável pela rádio não desaprova o trabalho de Cronauer, apenas os subalternos deste. Mesmo quando, na edição de uma entrevista, ele ridiculariza o então vice-presidente Nixon.
Aos poucos, Adrian sente a situação apertar. Numa tarde, quase é vítima da explosão de uma bomba no bar Jimmy Wah. Havia sido retirado de lá 30 segundos antes do atentado por seu amigo vietnamita, Tuam. Na rádio, essa notícia é censurada, pois os russos (na época ainda vigorava o “socialismo real” e existia a União Soviética) mandariam tropas ao Vietnã do Norte e a população ficaria apavorada com a perspectiva da guerra. Mesmo assim, ele começa a noticiar o atentado, no qual dois soldados morreram. Nesse momento, a rádio é tirada do ar. Adrian é suspenso e quem o substitui é o tenente que não aprovava o seu estilo. Este, que se achava o novo rei do humor, é considerado ridículo por todos os soldados.
Dias depois, frente a impopularidade do novo programa, o major da rádio resolve chamar Cronauer de volta. No início, ele se recusa a compartilhar “daquelas mentiras”. Mas, ao perceber a receptividade que tem entre as tropas, retorna.
Um dos momentos mais altos do filme é uma irônica crítica disfarçada de vídeo-clipe. Ao som de What a wonderful world , de Louis Armstrong, seguem-se imagens do dia-a-dia do povo vietnamita, a chegada dos soldados norte-americanos, as atrocidades de uma guerra que estava começando. Um mundo nada maravilhoso, mostrado em câmera lenta.
No geral, o filme não mostra o trabalho de um ou mais jornalistas em meio a uma guerra. Mostra sim a importância de um meio de comunicação de grande difusão, como o rádio, numa situação desta. Mostra também o peso da informação no rádio. Como é um veículo que, uma vez transmitido o sinal, é impossível haver censura, os russos, neste caso, poderiam obter informações confidenciais. Todo cuidado era pouco.
Com o bom humor do gênero comédia e outras características hollywoodianas, o filme fica mesmo pelo talento de Williams e pela crítica que faz a uma guerra infundada.
FICHA TÉCNICA
Diretor: Barry Levinson
Roteiro: Mitch Markowitz
Elenco: Robin Williams, Forest Whitaker and Tung Thanh Tran
Duração: 121 min
País: Estados Unidos
Pensata #99
dezembro 2nd, 2011 § Deixe um comentário
“O exagero de toda índole é tão essencial ao jornalismo como a arte dramática, pois o objeto do jornalismo é fazer com que os acontecimentos cheguem o mais longe possível”
Schopenhauer, filósofo“Os que escrevem com clareza têm leitores; os que escrevem obscuramente têm comentaristas”
Albert Camus, escritor
Resenha: O Jornal
novembro 30th, 2011 § Deixe um comentário
O Jornal
Por Greyci Girardi
Jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina
Para estudantes de jornalismo que desejam conhecer o funcionamento de uma redação e como se dá a produção de um diário impresso, o filme O Jornal (1994), dirigido por Ron Howard, cai como uma luva. Toda a história gira em torno da edição de um diário nova iorquino e das conseqüências da profissão na vida de seus funcionários. Os primeiros minutos já trazem uma discussão do editor regional Henry Hackett, interpretado por Michael Keaton, com sua esposa que está grávida. O motivo: Henry trabalhou durante toda a madrugada e chegou em casa às 4 horas da madrugada. Esta não é a única passagem do filme em que os personagens representam o estereótipo do jornalista.
Em uma conversa com o chefe, Henry pergunta como ele conseguiu ter filhos e família. O chefe ironiza dizendo que, na verdade, tem duas ex-mulheres e uma filha que não fala com ele. Ou seja, jornalistas não são seres humanos capazes de constituir e manter família. Trata-se da velha idéia de que a vida é dedicada, 24h por dia, ao exercício da profissão.
Apesar da imagem um pouco ultrapassada desse profissional, mesmo para a época em que o filme foi feito, “O Jornal” é válido pelo caso que centraliza a história: os corpos de dois empresários encontrados dentro de um carro com insultos raciais pichados na lataria. Quem os encontra são dois jovens negros que passavam pelo local e acabariam sendo presos como suspeitos. Os jornais, com exceção do de Henry, o New York Sun, trazem o crime na capa. A equipe dele precisa correr para compensar o furo na edição do dia seguinte.
A partir daí, o filme mostra a batalha por este furo, como é uma reunião de pauta, os critérios que fazem um assunto virar notícia, a pressão do deadline e a briga para decidir o que será capa. Um dos candidatos à primeira página é um acidente de metrô. Não houve nenhuma morte, mas rendeu foto de um braço solto de um dos feridos. Henry discute com sua diretora, Alicia Clark, interpretada por Glenn Close, que propôs o tema. Acusa a chefe de só se preocupar com o dinheiro das vendas, de ser sensacionalista. Ele não quer o acidente na capa, quer trazer algo novo sobre o crime contra os empresários. Ainda mais depois de saber que os dois jovens negros foram presos e um dos seus repórteres escutou os policiais comentarem que a prisão foi fachada.
O filme também coloca em questão a responsabilidade das informações divulgadas. Alicia aceita dar a prisão na capa do dia seguinte com a manchete “Agarrados!”. A palavra apresentaria os dois jovens como culpados. Henry discorda, diz que é preciso checar a história antes. Acredita que os dois sejam inocentes e é isso que quer dar como manchete. Alicia diz que, sem fato concreto, sairá a “Agarrados!”. E ao ser questionada sobre a possível inocência dos rapazes, responde: “Hoje os acusamos, amanhã os elogiamos”. Ela não considera que no dia seguinte os leitores já vão ver os dois jovens como assassinos, e que mesmo que a acusação seja retirada serão sempre suspeitos. Afirma ainda que não se importa com isso porque precisa vender e furar a concorrência.
A busca pelo furo é entrecortada pelas dúvidas de Henry quanto a profissão. Ele tem uma oferta de emprego como secretário editorial em um jornal que cobre o mundo. Trabalharia menos tempo, ganharia mais, não precisaria de horas extras e teria mais estabilidade. A esposa o pressiona para que aceite e reclama de sua ausência. Ao mesmo tempo, sua secretária pergunta se ele quer morrer de tédio, sem o corre-corre da redação. Fica balançado, mas perde a oferta em seguida. É que rouba uma pista sobre o caso dos empresários. A pista estava na mesa do editor que fez a entrevista para o emprego.
A partir dela, com a ajuda de seus repórteres e de sua mulher, que também é jornalista, descobre que os empresários foram assassinados por um dono de frota de caminhões de contrabando, por causa de uma grande soma de dinheiro. Precisava ainda da declaração de um policial confirmando que os dois rapazes eram inocentes, para poder dar a manchete que sonhou: “Não foram eles!”. Para convencer um agente da polícia a dar a tal declaração, conta que a capa com a manchete “Agarrados!” já está pronta pra rodar e que o jornal vai destruir a vida desses dois garotos estudiosos. O policial confirma que eles só passavam pelo local, que nem as armas tinham suas impressões, mas diz que não quer seu nome citado como fonte.
Ao chegar na redação, planeja o espaço que tem e as páginas que vão sofrer modificação. Mas a capa “Agarrados!” já está sendo impressa. O filme parte pra comédia com uma cena exagerada de briga física entre Henry e Alicia. Os dois lutam pela chave que para a impressão. Apesar de saber o que foi descoberto, Alicia quer continuar com a mesma capa. Diz que um quarto do jornal já tinha sido rodado, o prejuízo seria grande. A verdade poderia ser dada no dia seguinte.
O restante do filme não retoma a seriedade. Um empresário alvo de ataques do jornal encontra o repórter responsável em um bar. Discute com ele, saca um revólver e atira. A bala pega na perna de Alicia, que estava em uma mesa próxima. Antes disso, esse mesmo repórter a tinha criticado por impedir a publicação da história verdadeira. Diz que seria o primeiro erro publicado conscientemente. Ela se arrepende e liga para a imprensa. Estava ao telefone no momento em que foi baleada. Vai parar no mesmo hospital em que a esposa de Henry está em trabalho de parto. E pelo telefone do hospital, manda trocar a capa. Os jornais são distribuídos e o filho de Henry nasce. Na maternidade, ele vê o jornal com a sua manchete.
Até metade da trama, a encenação é baseada na realidade da rotina jornalística. Mas o restante foge disso para dar uma hilaridade de mau gosto à história.
FICHA TÉCNICA
Diretor: Ron Howard
Roteiristas: David Koepp, Stephen Koepp
Elenco: Michael Keaton, Glenn Close and Robert Duvall
País: Estados Unidos
Ano: 1994
Duração: 112 min
Comentário objETHOS: Jornalismo, estresse social e ritmo contemporâneo
novembro 28th, 2011 § Deixe um comentário
Francisco José Castilhos Karam
Professor da UFSC e Pesquisador do objETHOS
O ritmo da sociedade atual é refletido a cada dia no jornalismo. Há, no fundo, uma discussão de se o jornalismo e a mídia como um todo contribuem para tal ritmo ou se apenas refletem a pressa diária de parcela significativa da sociedade ocidental, industrial, contemporânea e capitalista.
O espaço de consumo , pelo qual a mídia deu e dá enorme contribuição ao fazer circular mensagens, produtos, informações e opiniões instantâneos, gera um ritmo intenso e praticamente estressante para o acompanhamento do noticiário e “daquilo que se passa”. O jornalismo “fast food”, bastante acusado de fazer fatos e opiniões perecerem sem serem digeridos ou contextualizados, não foge à regra geral da sociedade.
Da mesma forma, o crescimento de cesarianas, em lugar do parto normal, decorre da incapacidade e da falta de interesse em seguir os padrões mais recomendados para o nascimento, que leva certo número de horas. Ao invés de acompanhar sete ou oito horas um trabalho de parto, grande parte dos médicos decide que a cesárea pode ser mais “interessante” ou “necessária” . Assim, durante oito horas, um tempo razoável para um parto normal, podem fazer várias cesáreas e, ainda, dar consulta, etc. Medicamentos “fast food”; carros que permitem andar a 200 km/hora em estradas que proíbem isso; processos judiciais a cada segundo sem que qualquer juiz consiga decidir algo em menos de muito tempo são sintomas de uma sociedade que, competitiva, conflituada e individualista, aponta que no futuro está a liberdade, a justiça, a felicidade, a realização pessoal e profissional. Enfim, é lá…e para chegar lá é preciso andar mais depressa. A pressa está até mesmo no “templo da pesquisa e do pensamento”, a universidade, que cada vez exige mais produção , sem que os analistas e pareceristas tenham condição de se debruçar atentamente sobre todos os aspectos de cada produção… Mas se não for assim, a universidade, o país … os países nunca chegarão lá, lá mesmo, no futuro, onde está a liberdade, a justiça, a realização pessoal e profissional.
Ao tentar acompanhar o desdobramento diário da humanidade, a mídia e o jornalismo, em seu interior, tentam acompanhar algo que é uma contínua e quase imediata expulsão … de um artigo sobre outro, de uma notícia sobre outra, de uma opinião sobre outra. Ainda que haja certa controvérsia e contexto em vários momentos, os momentos não podem esperar o aprofundamento demasiado de qualquer coisa.
O entendimento de que assim tem de ser feito não responde muito a pergunta se “podemos saber o que se passa”. A deficiência informacional de qualquer mídia gera uma necessidade de se criar mídias próprias em instituições públicas e privadas, categorias profissionais e empresariais e mesmo por meio de cada indivíduo que cria seu blog, que está no facebook, que tuíta a cada 30 minutos ou que não consegue desligar jamais o celular.
Tal panorama tem resultado em pesquisas que mostram, apenas uma década depois de entrarmos no século 21, níveis de estresse e de esgotamento em muitas categorias, segmentos e indivíduos. Uma pergunta, a qual testam os movimentos do slow journalism, da comida lenta, do convívio mais denso e, portanto, mais vagaroso entre amigos, colegas e parentes, ronda todo o tempo: é possível fazer diferente sem comprometer o futuro, lá onde está a liberdade, a justiça, a realização pessoal ou profissional? Ou lá onde está tudo isso é apenas a constatação de que o velho conceito de alienação aposta que jogar tudo agora para chegar lá depois resulta apenas num ritmo atual que beneficiará sempre poucos? E que prejudicará a vida de grande parte das pessoas que habitam o planeta e usam sua vida para viabilizar a das demais, sem que o seu futuro esteja garantido? Mas que garante, claro, o futuro das demais.
Esperar que a mídia tradicional vá tratar do tema seria demasiado porque está no centro do furacão e dele pode se beneficiar para que atinja outros lugares e não a si. Mas novas mídias, mídias próprias, poderiam debater para onde estamos indo com mais propriedade e densidade. É também para isso que o novo cenário, tão intenso cenário do ciberjornalismo ou do ciberespaço, pode contribuir: o novo cenário deve contribuir, exclusivamente e sem volta, para o jogo da aceleração ou a virtualidade pode beneficiar a qualidade de vida, de informações, de convívio e , claro, de futuro?
Pensata #98
novembro 25th, 2011 § Deixe um comentário
“O jornalista é um tipo que trata de meter o nariz onde pode; gosta de incomodar …acertar com a pergunta. Li certa vez que o jornalismo é o ofício de dar pontapé em formigueiro”
Carlos Ulanosvky, jornalista argentino“O jornalista é uma pessoa empenhada em explicar algo que não consegue compreender”
Carlos Achával, jornalista argentino
Resenha: A testemunha ocular
novembro 23rd, 2011 § Deixe um comentário
A testemunha ocular
Por Cinthia Raasch
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina
Bernzy, um fotógrafo free-lancer que trabalha para os tablóides da Nova Iorque dos anos 1940, é o protagonista deste filme neo noir de Howard Franklin. Sua rotina era vagar pela cidade à noite em busca de crimes e tragédias até que é chamado pela sensual viúva Kay Levitz para investigar Emilio Portofino, um empresário que aparecera após a morte de seu marido contestando sociedade no clube que coubera a Kay no testamento. A viúva acredita que os contatos de Bernzy o auxiliariam a levantar informações.
O fotógrafo vai ao encontro do tal homem, mas acha-o assassinado. Ele avisa a polícia e passa a ser visto como suspeito. No interrogatório descobre que o FBI já investigava Portofino, um gangster que participava de um esquema de venda de cupons de gasolina.
A máfia dos Farinelli é o próximo grupo a chamar Bernzy para uma conversa. O fotógrafo não revela como foi envolvido no caso, afinal já estava apaixonado pela bela mulher que pedira sua ajuda e também imaginava as fotos que faria. Descobre-se que o ex-marido de Kay também se envolvera no caso.
Bernzy descobre ainda que há mais um grupo envolvido no esquema, comandado por Spolleto, além de membros do próprio governo. O fotógrafo percebe um traidor entre os Farinelli e por meio dele é informado que Spolleto fará um ataque surpresa à máfia rival para matar todos os seus integrantes.
Esta fonte, que o informa quando será o ataque, é assassinada por um integrante da quadrilha de Spolleto, o qual tenta assassinar Bernzy também. Isso porque Kay havia sido pressionada pela máfia a contar o que o fotógrafo sabia, a fim de não perder seu clube.
No dia do ataque o fotógrafo se infiltra no restaurante e registra a chacina que extermina todos os membros da máfia de Farinelli. Quando um mafioso aponta uma arma para Bernzy, este enfrenta a morte para tirar uma boa fot: posiciona sua câmera para fotografar seu último instante, mas é salvo quando aquele gangster é morto por outro que não vira o fotógrafo.
Graças a este trabalho, Bernzy torna-se uma celebridade e finalmente tem a oportunidade de publicar seu livro de fotografias e também começar um relacionamento com Kay.
O apelido de “O excelente Berzyni” (The great Berzyni) é devido à obtenção de furos e a rapidez com que chega aos locais, antes de seus colegas e até mesmo da polícia. Porém esconde os métodos ilícitos utilizados para ter acesso às cenas, seja no suborno de porteiros e delegados, seja na mentira contada ao guarda para entrar em prédios públicos. Seu trabalho é sensacionalista e é obtido muitas vezes por meio de propinas. Fica o questionamento: até que ponto o fim justifica os meios?
Embora faça uso de métodos antiéticos, o fotógrafo tenta manter-se íntegro ao não tomar partido, nunca, de lado algum – assim como deve fazer todo jornalista: ser imparcial. Outras características de destaque são sua coragem e obstinação, ele persiste e arrisca sua vida para obter furos.
O filme mostra o lado investigativo da profissão, que tanto apaixona alguns jornalistas. Porém deve-se deixar bem claro que jornalista não é policial, sua função é trazer a informação ao público, e não desvendar crimes e, por consequência, por sua vida em risco.
Bernzy é um personagem inspirado no fotógrafo Arthur Weegee Felig e algumas imagens do filme pertencem a Weegee.
FICHA TÉCNICA
A testemunha ocular (The public eye, 1992, EUA)
Gênero: Suspense/Policial
Diretor: Howard Franklin
Produtores: Robert Zemeckis e Sue Baden-Powell
Elenco: Joe Pesci, Barbara Hershey, Dominic Chianese, Stanley Tucci,Richard Schiff, Jerry AdlerDuração: 99 minutos
Ponto de Vista: Paulo Brito
novembro 22nd, 2011 § Deixe um comentário
Paulo Brito ingressou no jornalismo em 1969, na Universidade Católica (PUC) de Porto Alegre. Desde então, trabalhou em rádio como colunista, comentarista esportivo e repórter. Passou também por diversos meios, como o Jornal de Santa Catarina e O Estado. Foi um dos fundadores do Curso de Jornalismo da UFSC, onde esteve até 1998. Ouça o veterano e respeitado jornalista:
Comentário objETHOS: Limites difusos para o telejornalismo
novembro 21st, 2011 § 1 Comentário
Rogério Christofoletti
Professor da UFSC e pesquisador do objETHOS
O jornalismo parece ser daquelas práticas humanas que necessitam frequentemente se olhar no espelho para reconhecer suas feições, admitir seus contornos. Com outras profissões, isso não é necessário. Os médicos sabem exatamente quando estão e quando não estão fazendo medicina. Os engenheiros também não padecem das dúvidas sobre a matéria e a natureza de suas atuações. Jornalistas não têm a mesma sorte e, volta e meia, discutem o que é fazer jornalismo e até onde isso vai. Talvez porque essa prática atravesse diversos outros campos, se mescle tanto socialmente que fique difícil discernir seus limites. Buscar se reconhecer é, então, um gesto permanente no jornalismo, o que, por um lado, auxilia o fortalecimento de uma convicção e, por outro, desestabiliza continuamente as certezas.
Críticos de mídia se ocupam de fazer esse debate, bem como pesquisadores da academia e observadores diversos. Mas quando os questionamentos partem das próprias redações, a dúvida emerge preenchida da legitimidade do empirismo, lembrando-nos a todo o momento do exercício prático da função. Foi assim esta semana quando se noticiou que alguns jornalistas da Rede Record estariam insatisfeitos com suas atuações na emissora. A informação foi dada por Mauricio Stycer em seu blog, inclusive com o anúncio de que o repórter Carlos Dorneles teria pedido demissão da Record por discordar de novas orientações do jornalismo. Dorneles negou sua saída em e-mail a Stycer, mas o foco do problema estaria numa suposta “crise” do jornalismo na Record por conta de interferências editoriais da Igreja Universal do Reino de Deus, proprietária da rede. Outro jornalista, não identificado por Stycer, teria dito “Não estou fazendo jornalismo, estou fazendo entretenimento”, e é esta fala em particular que me chama a atenção.
No âmago do jornalismo, esta distinção é histórica e tenta demarcar limites de atuação, bem como contornos do que significa reportar fatos. Uma tradição cultural se construiu ao longo das décadas de que jornalistas se ocupam da narração dos acontecimentos que interessem diretamente ao seu público, muitas vezes desagradando partes envolvidas e citadas, noutras contrariando até mesmo camadas da sua audiência. Quando opera dessa forma, o jornalismo se distancia do entretenimento na medida em que não conforma, não acomoda, não distrai. Corre o risco, portanto, de desagregar, de fomentar o dissenso, a crítica. Agindo assim, jornalistas – de forma incontornável – colecionam desafetos já que produzem dissabores. Parece simples e fácil, mas, na prática, manter essa direção requer pleno entendimento do exercício jornalístico, coragem, disciplina, atenção permanente e compromisso ético com um conjunto de valores que transcende a esfera do individual.
Sim, o jornalismo é dessas práticas que precisam frequentemente se olhar no espelho para reconhecer suas feições. Isso é saudável e necessário pois sua imagem é fugidia. Ainda mais num meio como a televisão, onde as fronteiras entre jornalismo e diversão ficam perigosamente embaçadas. A preocupação do jornalista anônimo chama a atenção, mais uma vez, da urgência de discutir, estabelecer e frisar os limites entre uma coisa e outra.
Esses limites não apenas determinam orientações para a conduta de profissionais e veículos, mas também auxiliam a enaltecer o que é prioritário, importante, essencial para a relação do jornalismo com a sociedade. Estou me referindo claramente a interesse público, aos critérios e processos de tomada de decisão que vão eleger o que deve ser narrado primeiro e melhor e o que deve ser simplesmente mencionado ou descartado. O anúncio das manchetes do Jornal Hoje, no último sábado (19), na Rede Globo, ajudam a ilustrar como é fácil perder o foco. A notícia que abriu a edição foi a execução do filho do coreógrafo Carlinhos de Jesus, Dudu, no Rio de Janeiro. O crime é bárbaro – oito tiros em alguém desarmado no meio da madrugada -, a perda de um filho é sempre um enredo dramático, mas o que parece ter influenciado definitivamente na decisão de escolher este acontecimento como o primeiro do telejornal foi a celebridade do pai-vítima. Tanto é que o nome de Carlinhos de Jesus é o anunciado na chamada e não de seu filho, menos conhecido.
Uma matéria como esta tem interesse público? Pode ter na medida em que se relaciona a um cenário mais amplo, de denúncia da violência urbana que ainda assusta aos moradores do Rio de Janeiro. Mas no frigir dos ovos, o fato é uma tragédia familiar, particular e não coletiva. Diferente de uma matéria que teve muito menos destaque na mesma edição do Jornal Hoje, de sábado: o desaparecimento de um cacique no Mato Grosso do Sul, que teria sido executado por fazendeiros da região. O filho adolescente da vítima exibe no próprio corpo marcas de balas de borracha e denuncia que o pai levou tiros na cabeça e pescoço, tendo sido levado por um bando de quarenta pistoleiros. Também neste caso, a ação é violenta e desproporcional, e o enredo é dramático. Três elementos diferenciam esta notícia da primeira: a inversão dos papeis das vítimas – agora, é o filho que sente a perda do pai -, a falta de notoriedade dos índios em comparação com o artista e a extensão do drama: a execução de um cacique atinge toda a sua comunidade e não apenas o seu núcleo familiar. Resumo da ópera: há mais interesse público e relevância jornalística no desaparecimento de um cacique numa área de litígio de terras do que a execução de um músico, filho de um conhecido coreógrafo.
A televisão dilui sutilmente os limites entre jornalismo e diversão, mesmo em casos graves como os citados. Foi mais determinante o star system que o caráter político de matérias sobre disputas agrárias. O jornalismo é feito de escolhas. Estas sinalizam limites. Em algumas situações, no espelho, o jornalismo entrevê sua imagem embaçada, tremida, desconfigurada. Precisamos de mais nitidez.
Radar objETHOS #70
novembro 19th, 2011 § Deixe um comentário
Paradas obrigatórias para quem pensa e se interessa por jornalismo e ética:
- Um dos gurus da blogosfera norte-americana, Jim Romenesko, demitiu-se após ser acusado de não colocar aspas em algumas citações. O caso gerou um princípio de escândalo: http://bit.ly/ub7nGo
- Por falar em escândalo, e o caso do News of the World? O chefe do BBC Trust, Lord Patten of Barnes, discursou sobre o tema na conferência anual na Society of Editors no Reino Unido. Em inglês: http://bbc.in/umTUDH
- Nos Estados Unidos, 50 anos depois, um editorial reatualiza os argumentos para se ter uma revista científica especializada em jornalismo. Justamente a “Columbia Journalism Review”, uma das mais prestigiadas do mundo. Em inglês: http://bit.ly/rpH7by
- Ouça o que 50 jornalistas têm a dizer sobre ética profissional. É o podcast do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS): http://bit.ly/sd3RRG
Códigos de ética traduzidos: Quênia
novembro 18th, 2011 § Deixe um comentário
A Coleção de Códigos Deontológicos do objETHOS publica hoje mais um documento internacional, especialmente traduzido para o português: o código do Quênia.
A tradução é da acadêmica de Jornalismo Isadora Mafra Ferreira, bolsista do projeto “Códigos de ética jornalística: valores em transformação num cenário profissional de rápidas mudanças”, financiado pelo CNPq e orientado pelo professor Rogério Christofoletti.
Acesse a nossa seção Códigos.
Pensata #97
novembro 18th, 2011 § Deixe um comentário
“Ao jornalista bastaria ler Shakespeare e olhar a rua”
Manuel Vicent, jornalista e escritor espanhol“Não escrevas como jornalista o que não possas sustentar como homem”
Francisco Zarco, jornalista e político mexicano do século 19
Exames de qualificação e defesa de dissertação no objETHOS
novembro 17th, 2011 § Deixe um comentário
A agenda dos pesquisadores do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS) estará bem agitada em novembro e dezembro: quatro de nossos mestrandos passam por exames de qualificação de suas pesquisas e um defende sua dissertação.
22 de novembro
Qualificação do trabalho “Jornalismo, credibilidade e legitimação: imagem de si e construção do ethos no discurso jornalístico”, de Cândida de Oliveira
Orientador: Rogério Christofoletti
Resumo: Esta pesquisa investiga os processos de credibilidade e legitimação do jornalismo, em sua dimensão institucional e discursiva. Compreende-se que o jornalismo encontra credibilidade e legitimidade pública ao exercer um poder organizador que, derivado da palavra consignada, lhe confere o status de instituição social. No contexto atual, a substituição da referência à realidade – ancorado no critério de verdade, o que contribui para sustentar a credibilidade – pela autorreferência no discurso jornalístico denota transformações no modo como o jornalismo se apresenta para a sociedade, ou seja, como constrói a imagem de si, parte integrante do ethos discursivo. Diante disso, a pesquisa investiga a representação que o jornalismo faz de si na construção do ethos e as implicações dessa representação nos conceitos de credibilidade e legitimidade jornalística. A discussão será sustentada ainda por uma análise empírica focada no discurso institucional e opinativo de quatro grandes jornais brasileiros: Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, O Globo e Zero Hora. De modo geral, a pesquisa busca compreender e explicar como o jornalismo constrói a imagem de si e o ethos, e de que forma essa imagem interfere na credibilidade e legitimação do jornalismo. A pesquisa filia-se em referenciais teórico-metodológicos que se inscrevem na teoria do jornalismo, da nova retórica e da análise do discurso, o que permite levar em conta não apenas a organização desse discurso, mas também seu funcionamento e produção de sentidos.
28 de novembro
Qualificação do trabalho “Jornalismo e conhecimento sob a perspectiva da participação de leitores online”, de Vanessa Hauser
Orientador: Francisco José Karam
Resumo: Buscando refletir sobre as aproximações entre jornalismo e conhecimento para observar como essa perspectiva teórica se adapta às mudanças trazidas pela internet ao jornalismo, a pesquisa parte da análise das intervenções dos leitores (comentários) nas notícias do portal estadão.com.br (Brasil). A reflexão discute os conceitos de senso comum e senso crítico. Parte de uma perspectiva dialética – entendida enquanto diálogo e crítica – para tentar compreender a natureza das intervenções dos leitores e, se em sua relação com o texto da notícia, consegue contribuir com o potencial crítico do jornalismo – entendido como forma de conhecimento especialmente por sua capacidade de revelar o novo.
29 de novembro
Qualificação do trabalho “Da convicção à responsabilidade: desvendando o ethos do discurso jornalístico”, de Carolina Pompeo Grando.
Orientador: Francisco José Karam
Resumo: Estudo sobre o ethos discursivo do jornalismo. Considera-se o ethos noção determinante e esclarecedora da dimensão discursiva do jornalismo, sendo o discurso um espaço simbólico de disputa de poder, de lutas hegemônicas, de ideologias, no qual circulam sentidos e significações de diversos aspectos da realidade social. Essa pesquisa empreende uma investigação sobre o caráter do discurso jornalístico baseada nos conceitos de convicção e responsabilidade. Para tanto, recorre aos estudos do discurso, da retórica e do ethos e à Análise de Discurso Crítica como opção teórico-metodológica adequada para a apreensão dos sentidos presentes no discurso jornalístico que indicam qual é seu ethos.
01 de dezembro
Qualificação do trabalho “Liberdade de expressão e tensões público x privado: jornalistas nas redes sociais”, de Janara Nicoletti
Orientador: Rogério Christofoletti
Resumo: Com as mídias sociais na internet, a forma de comunicar foi reconfigurada. Diante deste novo cenário, organizações jornalísticas buscam um reposicionamento que garanta fidelizar seus públicos e manter seu poder midiático. Para direcionar e efetivar as estratégias empresariais de presença nos novos meios, são instituídas diretrizes de uso de redes sociais. Como inexiste um balizador comum, cada empresa determina suas próprias normas e regimentos, com base em valores e metas próprios – o que pode interferir na qualidade profissional e no cumprimento dos preceitos éticos e deontológicos do Jornalismo. Acima disso, pode comprometer a liberdade individual dos profissionais. Este trabalho irá investigar como as organizações jornalísticas orientam a conduta de seus colaboradores nas novas mídias, a partir da formulação de normas técnicas e deontológicas de uso das redes sociais, e até que ponto esta padronização de postura interfere no trabalho diário e na liberdade de expressão dos colaboradores.
07 de dezembro
Defesa da dissertação “Jornalismo cidadão: profissionalidade e amadorismo nos jornais do Grupo RBS em Santa Catarina”, de Marcelo Barcelos
Orientador: Rogério Christofoletti
Resumo: O jornalista não está mais sozinho para apurar os acontecimentos, escrever as notícias e distribuí-las. Com a revolução tecnológica que reconfigura não só suas práticas, mas também a própria função social, ao lado do profissional, está o amador, o cidadão comum, aquele a quem se deu, por muito tempo, o nome de público/receptor. Hoje, o leitor pode ser um produtor de conteúdo noticioso e, para isso, apropria-se de competências antes exclusivas dos repórteres, como apurar, narrar fatos inéditos e produzir o noticiário, em um fenômeno conceituado “jornalismo cidadão”. É tentando entender os impactos provocados pela chegada desse personagem no jornal impresso e no âmago da cultura jornalística que este trabalho mergulha. Parte-se do princípio que legitimou a produção de conteúdo amador independente até o instante em que as mídias tradicionais passaram a adotá-la, elevando o cidadão à condição de leitor-repórter. Para compreender esse recente paradigma, analisamos um corpus de 27 edições – durante uma semana completa dos quatro jornais do Grupo RBS em Santa Catarina: Hora de Santa Catarina, Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e A Notícia. A investigação, utilizando o método exploratório na análise de textos e fotografias, caracterizou a produção amadora publicada conforme os seguintes critérios jornalísticos: a) autoria; b) foco narrativo; c) atualidade; d) interesse público e) gênero f) hard news e g) soft news. A análise ainda inclui entrevistas presenciais com jornalistas das quatro redações, à procura de traços dessa nova forma de relacionamento com o público e das tensões provocadas em sua profissionalidade. Rodeado de enunciados intencionais que o convocam à colaboração, o público atende a um chamado e produz conteúdo de natureza informativa; muito desse conteúdo, no entanto, é carregado de um caráter pessoal. As produções aparecem em quase todas as editorias, ora na voz do cidadão, ora diluída na edição do jornalista, que a complementa. É possível identificar um elevado grau de dependência no qual o jornalista demonstra a necessidade do leitor para “fechar o jornal”. No outro lado do balcão, os jornalistas ainda se moldam à partilha, enquanto defendem seu conhecimento específico, conquistado entre a prática e a formação acadêmica, para tratar – com ética, veracidade e equilíbrio – o que vem de fora da redação, sob o risco da abertura de espaço à imprecisão e à narrativa falseada. Os jornalistas reconhecem, no entanto, a necessidade cada vez maior chamar o leitor à produção em uma “Coautoria Vigiada” e admitem terem aberto mão de algumas tarefas até então exclusivas.
Resenha: O Informante (1999)
novembro 16th, 2011 § Deixe um comentário
O Informante
Por Juliana Geller
Acadêmica de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina
O produtor de televisão Lowell Bergman, representado por Al Pacino, recebe na porta de sua casa uma caixa, de remetente anônimo, com relatórios de pesquisas feitas sobre manipulação de componentes para aumentar o grau de dependência do cigarro. Ele não compreende todos os documentos e busca ajuda para decifrá-los quando lhe indicam que procure Jeffrey Wigand.
Wigand (Russel Crowe) é um biologista da Brown & Williamson – uma grande indústria de tabaco americana – que acaba de ser demitido, mas para garantir benefícios como o convênio médico, assinou um termo de confidencialidade. A princípio ele se recusa a conversar com Bergmann, que insiste em ter um encontro com o cientista.
Após algumas conversas com o jornalista sem nada revelar, Wigand passa a sofrer ameaças e a ser pressionado a assinar um adendo que estenderia o termo de confidencialidade. Começa a pesar as consequências de revelar a verdade e a responsabilidade que tinha sobre aquele segredo e finalmente é convencido a dar seu depoimento à rede de televisão, que encontra meios de driblar o termo.
Para atacar a credibilidade da fonte, a Brown & Williamson começa a investigar minuciosamente seu passado e a divulgar fatos como multas, um divórcio mal resolvido e outros, além de ameaçar juridicamente a CBS, que estava prestes a ser vendida e perderia os compradores caso sofresse um processo movido pela poderosa indústria do tabaco.
Com as ameaças, executivos e advogados da CBS decidem que o programa irá ao ar sem o depoimento de Wigand. Lowell Bergmann passa então a lutar para mudar esta decisão, batendo de frente com o apresentador do programa e defendendo sua fonte, que se arriscou ao contar o que sabia sobre as companhias de cigarros. As revelações de Wigand acabaram indo ao ar, editadas com cenas de executivos destas companhias negando ter conhecimento de que o cigarro poderia causar algum mal.
O filme é baseado em uma história real. Em 1994 um ex-executivo das indústrias de tabaco falou ao 60 minutos, da rede CBS, e graças à esta entrevista, os fabricantes de cigarros tiveram que pagar cerca de U$246 trilhões em indenizações nos EUA.
Vários assuntos relacionados ao jornalismo são tratados no filme. É possível questionar, por exemplo, até que ponto o compromisso com a verdade valida a atitude do produtor, que pressiona a fonte a revelar o que sabe mesmo que isso acarrete sérios riscos.
Outro tema abordado é o controle comercial da mídia. O filme nos permite refletir sobre quem, de fato, define o que é notícia. No caso mostrado em “O Informante” a indústria do tabaco esteve perto de fazer com que informações importantes não fossem divulgadas. Os interesses comerciais de redes de TV e rádio, jornais, revistas e outros, são legítimos; mas até que ponto isso deve interferir na informação que é levada a público?
FICHA TÉCNICA
O Informante (Insider, The, 1999)
Elenco: Al Pacino, Russel Crowe, Cristopher Plummer
Direção: Michael Mann
Roteiro: Michael Mann e Erik Roth
Gênero: Drama
Ano: 1999, EUA
Duração: 157 minutos
Ponto de Vista: Dauro Veras
novembro 15th, 2011 § Deixe um comentário
Dauro Veras é jornalista há 25 anos, autor de reportagens especiais com foco em economia, cultura e direitos humanos. Em 2009, lançou o documentário “Espírito de Porco”, ganhador de quatro prêmios, dois deles internacionais: Prêmio especial do júri internacional no Cine’Eco 2009 – Festival Internacional de Cinema Ambiental -, em Seia, Portugal, e Menção Especial no Primeiro Festival Internacional de Cinema do Meio Ambiente, em La Fortuna de San Carlos, Costa Rica. Também em 2009, recebeu o Prêmio Esso de Jornalismo pela categoria Meio Ambiente com a coautoria da reportagem Quem se beneficia com a devastação da Amazônia.
Em entrevista ao objETHOS, Veras comenta a escolha pela área e argumenta: “‘Enquanto existirem grandes histórias, teremos espaço para grandes jornalistas, seja trabalhando para os meios de comunicação, seja de forma independente”.
Ouça:
Comentário objETHOS: Chega de intermediários, banqueiros no governo
novembro 14th, 2011 § Deixe um comentário
Samuel Lima
Docente da UnB, professor-visitante na UFSC e pesquisador do objETHOS
Os desdobramentos mais graves da crise econômica que assola a União Europeia, notadamente a queda dos governos da Grécia e Itália, mereceram da maior rede de televisão brasileira, uma cobertura que inova no mimetismo ideológico. A conhecida repórter Ilze Scamparini, correspondente da TV Globo, deixou de lado o jornalismo e assumiu o papel de “porta-voz” dos banqueiros e financistas.
Em quatro reportagens veiculadas no Bom dia Brasil e Jornal Nacional (de 8 a 11/11/11), resta evidente a precisa análise de Bernardo Kucinski: “O modo de pensar estritamente ideológico, composto apenas por ideias acabadas, é antijornalístico porque prescinde dos fatos, que são os fundamentos do jornalismo. (…) Manifesta-se no reducionismo da discussão, o desprezo pelo factual e pouco trabalho analítico”.
Já de saída, Scamparini não deixa dúvida sobre o lado dominante da notícia:
O dia começou com a pressão do mercado financeiro para que Silvio Berlusconi peça demissão. (…) Os jornais apostam na sua renúncia. (…) A Itália está desacreditada, e os investidores não confiam que este governo seja capaz de promover medidas necessárias para combater a crise.
[Grifos nossos]
Entre a pressão do “mercado financeiro” (um sujeito oculto, difuso); a “aposta” dos jornais impressos, a Itália restava “desacreditada” (a repórter não indica por quem exatamente) e finaliza jurando que “os investidores (outra vez, fontes e sujeitos ocultos, talvez esotéricos) não confiam” no governo Berlusconi. O que pensam vozes discordantes na sociedade italiana, trabalhadores, partidos de oposição, personalidades, especialistas independentes ou outras fontes não faz a menor diferença, na visão da jornalista (e da TV Globo, por supuesto),. No dia seguinte, ela consegue alcançar um patamar inimaginável que é ler a mente do “mercado financeiro”:
Demissões não se anunciam, se apresentam. É o que pensa o mercado financeiro. Todas as Bolsas Europeias despencaram, precipitando a Itália em uma zona de risco próxima do calote. (…) Em uma entrevista a um dos seus canais de TV, o primeiro-ministro afirmou que, depois da sua renúncia, a única alternativa serão novas eleições. O mercado financeiro prefere um governo de transição para não bloquear os trabalhos na Câmara.
[Grifos nossos]
Apurando no nível obscuro, entre técnicas telepáticas sofisticadíssimas e fontes esotéricas inconfessáveis, a jornalista continua desinformando o distinto público. Mais grave que isso: em flagrante desrespeito aos princípios e normas dos “Princípios Editoriais das Organizações Globo”, divulgados recentemente em horário nobre. Com efeito, neste documento, a empresa faz uma profissão de fé:
Na apuração, edição e publicação de uma reportagem, seja ela factual ou analítica, os diversos ângulos que cercam os acontecimentos que ela busca retratar ou analisar devem ser abordados. O contraditório deve ser sempre acolhido, o que implica dizer que todos os diretamente envolvidos no assunto têm direito à sua versão sobre os fatos, à expressão de seus pontos de vista ou a dar as explicações que considerar convenientes. [Grifos nossos]
Num momento delicado e grave, pelo qual passam as sociedades grega e italiana, a voz do contraditório ou ainda qualquer nesga de análise que pudesse acrescentar algum grau de qualidade e conhecimento ao público, é pura e simplesmente ignorada em nome da retórica e do discurso político. Informação, análise, contexto histórico, pluralidade de fontes… Às favas o bom jornalismo! O ápice da incursão de Ilze Scamparini ainda estaria por vir. Sem nenhum pudor ela comenta a troca de governo na Grécia:
Depois de quatro dias de negociações tensas, os principais partidos políticos da Grécia chegaram a um acordo sobre quem vai assumir o governo de coalizão. Venceu o currículo do ex-banqueiro Loukas Papademos, escolhido primeiro-ministro do novo governo de coalizão da Grécia. Caberá ao ex-vice-presidente do Banco Central europeu, professor de economia que estudou nos Estados Unidos, a difícil missão de tranquilizar os mercados e os aliados europeus. (…) Na Itália, um perfil semelhante se consolida para substituir Silvio Berlusconi: Mario Monti, professor de economia, estudou nos Estados Unidos e é ex-comissário europeu, admirado pelos banqueiros. [Grifos nossos]
O tom dessa angulação foi manchete na Folha de São Paulo (ed. 10/11/11): “Mercados fazem pressão para Berlusconi sair logo”. No texto de Vaguinaldo Marinheiro (de Londres) a mesma cantilena grávida de desinformação: “O mercado queria a renúncia de Berlusconi, mas, quando ele condicionou sua saída à aprovação de novo pacote de austeridade, deixou no ar a incerteza sobre quando ela será efetivada”.
A informação, nas páginas da Folha ou nas telinhas da Globo, é finalmente sacralizada no altar do “mercado”, submetida à lógica do capital financeiro, consagrando a vitória dos tecnocratas e banqueiros – e seus prepostos – sobre o interesse público. Ante a maior crise política e econômica de sua história recente, os italianos veem seus destinos repousar, pela força política dos banqueiros e especuladores, nas mãos da mesma tecnocracia que o condenou. Rapidamente, assegurou servilmente a repórter Ilze Scamparini: “Nesta quinta-feira (10), os indicadores econômicos mostraram que a Itália pode recuperar a confiança dos investidores. Os juros dos títulos da dívida baixaram”.
O conteúdo exibido pela TV Globo, aqui brevemente analisado, nada tem a ver com a noção de jornalismo firmado em seus “Princípios Editoriais”:
Pratica jornalismo todo veículo cujo propósito central seja conhecer, produzir conhecimento, informar. O veículo cujo objetivo central seja convencer, atrair adeptos, defender uma causa, faz propaganda. Um está na órbita do conhecimento; o outro, da luta político-ideológica. (…) As Organizações Globo terão sempre e apenas veículos cujo propósito seja conhecer, produzir conhecimento, informar. [Grifos nossos]
Ocupando diretamente a máquina do Estado nos dois países, os banqueiros e financistas aplaudem, no território midiático, os novos governos de Papademus e Monti. Ambos são símbolos do poder financeiro pairando nos céus da “nova” União Europeia. O arremedo de jornalismo praticado e produzido pela principal rede de televisão do país se presta, exclusivamente, à luta político-ideológica como seus próprios manuais indicam: sem qualidade, informação, contexto ou história – que não seja ditada pelos “deuses do mercado financeiro”.
Radar objETHOS #69
novembro 12th, 2011 § Deixe um comentário
Paradas obrigatórias para quem pensa e se interessa por jornalismo e ética:
- O representante do público junto aos veículos do grupo Edipresse Suisse, Daniel Cornu, se pergunta quais são os limites da vida privada na internet. Em francês: http://bit.ly/tmLzQ7
- O comissário de Direitos Humanos europeu, Thomas Hammarberg, é favorável a “um sistema de autorregulação” dos meios de comunicação a partir de um código de ética que evite abusos. A declaração é resultado de discussões após o escândalo britânico das escutas ilegais do jornal News of the World: http://bit.ly/vij7rJ
- A ONG Artigo 19 produziu um dossiê sobre a situação do direito à verdade no Brasil frente ao sistema interamericano de direitos humanos. O documento surge após a criação da chamada Comissão da Verdade no país: http://bit.ly/umnWMN
- Ações judiciais contra comunicadores, em especial, blogueiros foram tema de debates na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados em Brasília: http://bit.ly/tI2xQ7
- A University of Washington Communications Building é uma das promotoras de um evento importante na capital norte-americana sobre jornalismo esta semana. Coberturas de assuntos delicados, ética e futuro do jornalismo serão alguns dos temas debatidos. Em inglês: http://bit.ly/w39Z7m
- O professor inglês Paul Bradshaw analisa um estudo de caso muito interessante em que uma reportagem investigativa é feita a partir de crowdsourcing. Três posts em inglês: aqui, aqui e aqui.
Pensata #96
novembro 11th, 2011 § Deixe um comentário
“O jornalista deve fazer sempre as perguntas que sua mãe pediu para que não fizesse”
Bárbara Walters, jornalista norte-americana“O jornalismo é a primeira versão da história”
Bill Kovach, jornalista norte-americano
Livro do objETHOS tem destaque em revista
novembro 10th, 2011 § Deixe um comentário
O site da Revista de História publicou uma nota sobre a obra “Jornalismo Investigativo e Pesquisa Científica: Fronteiras”, primeiro livro do objETHOS, organizado por Rogério Christofoletti e Francisco José Karam. Entre as observações feitas pela revista, estão a análise do contato entre academia e mercado, entre a investigação na rua e a pesquisa de laboratório e a importância de traçar uma relação sólida entre jornalistas brasileiros e argentinos, como aconteceu no 1º Seminário Brasil-argentina de Pesquisa e Investigação em Jornalismo (BApijor), evento que originou os artigos presentes no livro. A publicação lembrou, também, os outros autores do livro, como Cláudio Júlio Tognolli, José Roberto de Toledo, Angelina Nunes, Sebastián Lacunza e Martín Becerra.
Leia a matéria aqui
Resenha: Quiz Show – A verdade sobre os bastidores (1994)
novembro 9th, 2011 § Deixe um comentário
Quiz Show – A verdade sobre os bastidores
Por Camila Garcia
Acadêmica de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina
O filme Quiz Show – A Verdade dos Bastidores conta como o programa de televisão Vinte e Um foi cuidadosamente planejado para ter um formato de perguntas e respostas de alta complexidade e forjado repetidamente para manter a alta audiência. Baseado na história real descrita no livro Remembering America, de Richard Goodwin, o longa-metragem mostra a dura verdade da programação televisiva, o trabalho intenso em busca da popularidade e a falta de limites éticos para transmitir exatamente aquilo que o público quer ver.
O jovem advogado Dick Goodwin trabalha para o comitê do Congresso dos Estados Unidos e desconfia que o concurso é uma fraude. Para descobrir a verdade, contará com a ajuda de um dos últimos concorrentes forçados a desistir dos seus momentos de fama, Herbie Stempel. É nessa busca pela realidade dos bastidores que o filme se desenrola e que grande parte do debate ético é feito.
Aos poucos, Goodwin percebe que há mais por trás das câmeras do que aquilo que o público acha ou espera. Em tese, apenas três pessoas sabiam do esquema que mantinha o vencedor no auge – o próprio competidor e dois produtores. Contudo, a investigação de Goodwin ganha uma amplitude ainda maior, com a denúncia de uma das maiores redes de televisão dos Estados Unidos, a NBC. O contraste é visível – ética e verdade versus audiência e dinheiro.
Mesmo inspirado por sua investigação e por seus ideais, Goodwin se identifica com um outro personagem, Charles Van Doren, o atual competidor e vencedor do jogo. O roteiro deixa claro a tênue linha que separa o que é ético e o que é considerado humano. Além da luta contra a fraude da televisão, o jovem advogado luta também com a vontade de deixar alguém se livrar pelos crimes que cometeu.
Do ponto de vista ético, o roteiro debate também o poder da influência. Enquanto Herbert Stemple, o personagem suburbano, judeu, desajeitado e nerd, é facilmente descartado pelo programa, Charles Van Doren, personagem cujo sobrenome faz parte da tradição literária norte-americana, PhD em literatura, charmoso e bonito, é adorado pela audiência e, por consequência, por toda a sua produção.
Já no julgamento, com todas as provas expostas, a dura realidade é jogada de maneira brusca para o telespectador. Uma das últimas frases ditas no filme por Goodwin resume os fatos melhor do que eu poderia: “Eu pensei que pegaríamos a televisão. Mas ao final das contas, foi a televisão que nos pegou”.
O final, contudo, é relativo. Para mim, a frase que citei poderia ser a última cena do longa, mas os produtores optaram por um fim mais clássico: Após o julgamento, cada um dos personagens tem seu destino descrito na tela. Uma maneira de mostrar que as decisões – éticas ou não – influenciam no rumo da vida de cada um? Talvez. Mas foi um final óbvio para um filme que, até então, foi surpreendente.
FICHA TÉCNICA
Título original: Quiz Show
Ano: 1994 (EUA)
Direção: Robert Redford
Elenco: John Turturro, Rob Morrow, Ralph Fiennes, Paul Scofield
Duração: 134 min
Gênero: Drama
Ponto de Vista: Renato Igor
novembro 8th, 2011 § Deixe um comentário
Renato Igor é jornalista há 17 anos, formado pela PUC-RS. Começou sua carreira no jornalismo esportivo, na Rádio Gaúcha, uma das maiores do sul do Brasil. Hoje, trabalha na CBN Diário, do Grupo RBS, onde está há 15 anos, e faz alguns trabalhos para a TV Com, como a cobertura do carnaval catarinense. Recentemente, esteve na Coréia do Sul e no Japão para coberturas especiais. Para o objETHOS, o jornalista conta como é a liberdade de impresa de maneira mais universal no mundo hoje. Ouça:
Comentário objETHOS: Liberdade de Imprensa, rankings e versões
novembro 7th, 2011 § 1 Comentário
Francisco José Castilhos Karam
Pesquisador do objETHOS
O Instituto Gallup divulgou, semana passada, uma pesquisa feita em 112 países sobre liberdade de imprensa no planeta. Na chamada do portal Comunique-se, edição de 04.11.2011, o título : “21% dos brasileiros acreditam que não há liberdade de imprensa no país”. Claro que poderíamos fazer outro: “79% dos brasileiros acreditam que há liberdade de imprensa no país”- é uma questão de escolha.
Parece que o grande problema de tais pesquisas é a extrema parcialidade. Praticamente fora da pesquisa, estão as perseguições internas nas redações a determinados profissionais; as demissões por conteúdos publicados ou pela insistência em publicá-los mas que podem atingir interesses de empresas e anunciantes; a censura ideológica patrocinada em grandes ou pequenos veículos; as pressões econômicas e políticas particulares não aferidas e a falta de um critério realmente preciso, que expresse a realidade. De qualquer forma, é um retrato que precisa ser levado em conta, embora possa faltar certa contextualização.
O Brasil aparece em 47º lugar no ranking, atrás de países como Kuwait, Senegal e Nigéria. Já Holanda, Dinamarca, Austrália e Suécia encabeçam a liberdade. Onde há mais igualdade social, menos corrupção, mais transparência pública e funcionamento mais adequado das instituições representativas do Estado, é quase automático que o jornalismo investigativo, por exemplo, seja mais tranqüilo e “cutuque” menos diversos interesses. Em países onde os conflitos sociais se acentuam, o jornalismo acaba por assumir determinadas funções próprias do estado democrático de direito e vai onde há mais ameaças, onde há mais riscos. E, assim, associa-se à violência social também a violência contra jornalistas. Onde os elementos básicos da sobrevivência estão mais assegurados, certamente há menos erros médicos, mais sentenças justas e menos compra delas, menos trabalho clandestino e escravo e mais satisfação social. Assim, o ranking de países em que se afere a liberdade de imprensa é praticamente similar ao que afere a qualidade do tratamento médico, a escolarização e assim por diante.
Também o número de processos contra jornalistas brasileiros é bastante grande. Se existe um estado democrático de direito, é natural que se recorra à Justiça – e não comumente à truculência física – para reclamar, o que acumula pontos para a “falta de liberdade” de imprensa. Mas podemos considerar que os jornalistas, uma espécie de campeões mundiais da transparência pública, entram, praticamente, em último lugar quando se trata de investigar onde e quando as empresas para as quais trabalham estão envolvidas em corrupção – inclusive junto a agentes do estado. É constatável, portanto, que sejam vítimas de sua liberdade, e esta tenha só um lado.
Ao mesmo tempo, em países como Nigéria e Kuwait, a própria Justiça pode ser mais constrangida e, quem sabe, a não revelação de limites para a imprensa, do ponto de vista formal, represente apenas a ocultação de fatos e dados que, em países como o Brasil, estão mais à mostra mesmo. E não se deve esquecer que entre os processos contra jornalistas e empresas jornalísticas, aqui, estão os promovidos por outros jornalistas e outras empresas jornalísticas. A favor de si, é “liberdade de imprensa”. Contra si, é “tentativa de censura”.
Como diria Millôr Fernandes, “quando você chega num país e toda a Imprensa, unanimemente, comemora o Dia da Liberdade, trata-se de uma ditadura. Se, porém, a Imprensa diz que o clima de restrições à liberdade é insuportável, você está numa democracia”. Com alguma adaptação, cabe adequadamente às queixas empresariais e populares contra a liberdade de imprensa no Brasil.
Radar objETHOS #68
novembro 5th, 2011 § Deixe um comentário
Paradas obrigatórias para quem pensa e se interessa por jornalismo e ética:
- A RTP Açores é o canal público que menos respeita pluralismo político-partidário entre os portugueses. Esta é uma das conclusões do relatório divulgado recentemente pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC): http://bit.ly/vr3gs9
- Conheça os 50 melhores livros para estudantes de jornalismo. A lista, apenas com títulos em inglês, foi produzida pelo Best College Online: http://bit.ly/ssnAjJ
- Regulação e ética serão temas de painel na reunião anual da Journalism Skills Conference no final do mês (30 de novembro) em Belfast, na Irlanda. Em inglês: http://bit.ly/tYEWf1
- Onde estamos e para onde vamos. O pesquisador Venício A. de Lima faz um balanço de como os estados brasileiros estão em termos de conselhos de comunicação social: http://bit.ly/s8HART
- Foi anunciado o lançamento do site News Transparency, que funcionará como uma base de dados centralizada onde o público pode saber mais dos jornalistas por trás das notícias. Em espanhol: http://bit.ly/vLDJlJ
Pensata #95
novembro 4th, 2011 § Deixe um comentário
“Os jornais, na Espanha, são feitos primeiro para que os jornalistas os leiam; depois para que os banqueiros os leiam; depois, para que o Poder trema; e , por último, para que o público o folheie”
Antonio Fraguas Forges, humorista espanhol“O jornalista de investigação é seguidamente indispensável para o bem estar da sociedade. Mas só se sabe isso quando deixa de investigar”
Theodore Roosevelt, político-norte-americano




